16 de jan. de 2007

Dalossi - o "causo"

"Dalossi não é só um nome.
Dalossi não é só uma família.
Dalossi é um um ícone moderno do estilo de vida tradicional. Um exemplo para um convívio familiar exótico e divertido."

Foi assim que expliquei ao Fonrims o significado do sobrenome com qual assino minhas grandiosas obras literárias.

"Na verdade, os Dalossi são como qualquer outra família, diferenciando-se apenas pelo modo de encarar os fatos cotidianos. Apesar de muito unidos, os integrantes do clã (como eu chamo, carinhosamente) não deixam de discutir, brigar, e, eventualmente, sacanear uns aos outros. Às vezes, acontece de alguém quase se afogar, ser humilhado por um parente, ou até mesmo se sentir excluído da família. Mas nada que um churrasco com tubaína na beira da psicina não resolva."

Levar tudo na máxima esportiva faz parte da ideologia Dalossi. É isso que nos faz uma família diferente e forte. O que, por via de regra, traumatiza as crianças não-dalossianas, para nós nada mais é do que um dia normal e feliz, como o Natal ou a Reunião de Família, eventos extremamente emocionantes, onde tudo pode acontecer. E geralmente acontece.
Os Dalossi gostam muito de histórias reais e interessantes, os chamados "causos", no vocabulário andiraense (posteriormente, pretendo escrever a respeito de Andirá, um templo dalossiano muito curioso).
A pedido de Fonrims, primas, primos e parentes em geral, contarei um causo. Um causo muito antigo, do tempo em que eu ainda usava bóias de braço na piscina da família (por precaução aos quase afogamentos já citados).
*entrando no túnel do tempo*
"Como de costume, estávamos eu e meus primos brincando de 'te pego- te curo' na sala da casa da vó. Todos os adultos tinham ido à algum lugar onde crianças não sao bem-vindas (restaurantes chiques, igrejas, motéis, etc). Ou seja, podíamos pular a vontade no sofá, tentar alcançar o lustre, jogar Banco Imobiliário até as 2 da manhã e gritar o mais alto que puder, entre outras atividades igualmente criativas. Tudo no maior estilo Dalossi.
É claro que, conhecendo os filhos e os sobrinhos, minha tia disse que poderíamos ir na casa da comadre dela, no final da rua, caso acontecesse alguma coisa.
Tá bom.
Lá pelas tantas, já tínhamos feitos todo tipo de estripulia e o sono começava a bater. Mas seria heresia dormir em uma noite como aquela! Tínhamos que ficar acordados!
Foi aí que o Gustavo, meu primo mais velho (que teoricamente estava cuidando dos pequenos), sugeriu que fôssemos lá fora."

Naquele tempo, não tinha RBD, nem Chiquititas, nem nada que invenenasse nossas mentes, ou seja, sair de casa depois das 19h era a idéia mais aventureira que poderíamos ter.
E já tinha passado das 22h. Uau!

"Oba! Vamos lá fora!! Mas... mas... mas... E o Homem do Saco??!!"

Homem do Saco é um mito andiraense, criado (provavelmente por um Dalossi) pra manter criancinhas em casa a noite, período em que o tal Homem perambularia pela cidade, com um saco nas costas, onde colocaria as crianças que encontresse fora da cama.
Crianças normais têm medo do Homem do Saco.
Crianças Dalossi fazem do Homem do Saco um instrumento educativo (educativo na perspectiva dalossiana).

"Nenhum de nós ficou com medo de dar uma voltinha. A não ser a pequena Fran.."

Fran não é uma Dalossi propriamente dita. Ela é o que minha tia chama de 'cria'. Traduzindo para o curitibanês, seria algo como 'adotada'.

Foi a Fran quem lembrou a possibilidade do Homem do Saco estar nos esperando na esquina...
Oh, santa infelicidade!

*regra Dalossi n°01: NUNCA revele seus medos ou fraquezas, eles podem (e com certeza vão) ser usados contra você.
*regra Dalossi n°02: NUNCA perca uma grande oportunidade, seja pra pegar o carro do primo emprestado, seja pra tascar o último bife do pirex.

"Fazendo valer a regra 02, o Gustavo pôs em prática toda sua criatividade dalossiana, e, sem muito esforço, transformou o Homem do Saco em Homem da Carroça."

A intenção do Homem da Carroça é o mesmo da do Homem do Saco, com a diferença do primeiro ser motorizado e capaz de carregar mais crianças do que o segundo.

"Não sei bem como aconteceu, mas em questão de minutos, inventamos a lenda urbana (ou rural) mais sinistra de que tenho notícia. Nossa fértil imaginação dalossiana adicionou alguns detalhes ao já citado Homem da Carroça:
- tapa-olho (nos dois olhos);
- chapéu de palha, estilo sobreiro mexicano;
- uma corcunda torta;
- um pé deficiente;
- uma mão deficiente;
- sem dentes na frente;
- os dentes de trás são pontudos;
- barba até a cintura.
Que coisa medonha, né?

*regra Dalossi n°03: Nada é tão ruim que não possa piorar.

Não pudemos deixar de elaborar também a carroça:
- solta faísca no asfalto;
- tem uma roda só;
- (essa é a melhor de todas!) anda a um metro do chão;
- o cavalo é manco;
- o chicote solta fogo.

Foi uma diversão sem fim. É claro que não teria tido graça alguma se a pequena Fran não estivesse ficado visivelmente apavorada.

"Decidimos então que seria muito bom ir pra casa da comadre, comer torta de banana. A Fran até quis resistir, disse que ficaria ali mesmo, em casa."

*regra Dalossi n° 04: Nada é tão bom que não possa melhorar.

"Mas foi só acrescentar a qualidade de arrombador de portas ao nosso personagem que ela veio rapidinho atrás da gente."

*regra Dalossi nº05: Quem chega primeiro corta a torta para os demais.

Que lindo, né? Acontece que, na nossa filosofia, o primeiro podia inclusive ficar com metade (ou mais) da torta.

"Todos corremos rua abaixo, na maior velocidade que permitiam nossas pernas. Mas sempre tem alguém que fica pra trás, né. E daquela vez foi a Fran (não por acaso). A coitadinha dava tudo de si, mas ainda não era suficiente. Fazendo valer as regras 02 e 03, Gustavo gritou bem alto: 'Olha o Homem da Carroça vindo aí atrás, gente!'
E não é que naquele momento passava uma carroça na rua de cima?!
Ouvindo o barulho do cavalo, Fran se desesperou e pôs-se a correr ainda mais. "

É uma pena que nesse negócio de corrida, o equipamento seja tão importante quanto o atleta...


"Alguns passos a frente e a Havaiana da Fran não resistiu. Foi um momento triste: sola pra um lado, tira pro outro... Um horror.
Foi mais ou menos aí que ela começou a chorar. Sem no entanto parar de correr."


Se puder algum dia observar alguém correr e chorar ao mesmo tempo, tenha o capricho de notar o efeito hilariante que a cena causa à alma.

"A minha vontade era de sentar no meio fio e rir até amanhecer, mas tive que continuar correndo, pra não me perder do grupo. Momentos depois, chegamos à casa da comadre, onde pudemos assistir de camarote a triunfal chegada da Fran: descabelada, chorando, suada, e com apenas uma Havaiana sobrevivente. Foi lindo de ver.
Rimos muito nesse dia (noite, na verdade), e também nos outros que se sucederam. Até hoje relembramos o Homem da Carroça, com uma certa nostalgia, mas com o mesmo humor de sempre."
O próximo evento é repassar o conto para a mais nova Dalossi: Ana Clara, de 1 ano.
A ansiedade é grande, mas temos que aguardar até que ela esteja correndo bem, psicologicamente estável e alcance a numeração disponível de Havaianas.
Talvez alguns ajustes sejam feitos, novas características podem ser adicionadas, mas a essência prentende ser a mesma.
Qualquer sugestão, utilize o campo de comentários.

posted by: Kika Dalossi, uma Dalossi legítima. /o/
Agrandecimentos: Gustavo, Lisi, Bruno, Leyka, Fran e o Homem da Carroça.


obs: não utilize artifícios como o Homem da Carroça com crianças não-dalossianas, pois danos irreparáveis podem ocorrer.
Mesa de Boteco não se responsabiliza por nenhum trauma, distorção de personalidade ou insônia.

9 comentários:

Anônimo disse...

Quanta maldade em um clã!
Ainda bem que sou quem coloco medo nos mais novos! xD
Bjos!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...
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Anônimo disse...

tira uma foto daquele gesto que define a família Dalossi! e posta!

Anônimo disse...

Caaaaara... muito boa essa... isso me lembrou minha infância... Eu, minha irmã e meu primo colocávamos medo na minha prima contando histórias sobre a boneca da xuxa...
O único detalhe é que minha prima era mais velha que eu... mas como o que importa não eh a idade, eu entrava na onda dos mais velhos...
Hahahahahahaha...
bjbj... saudadeS!

Anônimo disse...

"templo dalossiano mto curioso"!
haushuahuehau
cada uma viu, causos diversos!
naum tnho mtos assim naum, criança dalossiana sem infancia a pobrezinha!! hauehuahe
bjo!

Anônimo disse...

Eitaaa Elyka...
Esse post me lembrou qdo a minha irmã e meu primo faziam isso comigo!!Não tem graça não viu?!?!uhauhahuauh
Beijão

Unknown disse...

Isso me lembra MINHA infância, onde a vítima, logicamente, era eu... ¬¬""
auhhuahua muito bom post!

Eu ainda vou pra andirá, abrir a janela do teu quarto e encontrar a plantacao de milho xD
auhuahuahuauha

;*

*blog atualizado*

Anônimo disse...

ahahhaahah
mtooo massa!
fiquei imaginando a menina correndo, descabelada e chorando uiahuiahauihauh

beeeijo
saudadee