Campainha: um intrumento tanto útil quanto perturbador. É responsável por comunicar aos proprietários da residência que há alguem a porta. Também funciona como intrumento desilusório: nos lembra de que nem mesmo da nossa própria casa estamos livres da encheção de saco, que, no caso, pode vir em forma de pedintes, vendedores de gás ou vizinhos chatos.
Meu pai não suporta campainha. Particularmente, não suporta a campainha aqui de casa.
Ele diz que esse "pééééén", que parece sirene de fábrica, deveria ser substituído por um suave "din- dong".
Sempre que o indesejado som encoa pela casa, pode-se ouvir expressões como: "C****"; "Ai, meu saco!"; e "Élyka, vai atender a porta!".
Sim, diletos leitores, eu sou a porteira oficial desse lar! O que é, de certa forma, uma grande benefício pra humanidade, pois quando outras pessoas assumem o cargo, desastres podem ocorrer.
Como hoje, que, por razões adversas, não pude atender a campainha e, meu papy foi no meu lugar:
Papy (subindo as escadas): Mas que p*** que p***! Quem que toca a campainha uma hora dessa?! Será que não sabe que é a hora do escravo aqui descansar?! C*****!!
Momentos depois, ele voltou.
Kika: Quem que era?
Papy: Sei lá! Uma muié dizendo 'senhor, eu tenho um neném em casa...".
Kika: O que ela queria?
Papy: Dinheiro, ué! O que mais poderia ser?!
Kika: Ah... E o que você falou?
Papy: Eu disse: 'e eu com isso?! Ó, minha senhora, eu lavei a louça, limpei a casa, trabalhei o dia inteiro... E tenho duas filhas que não sabem fazer nada, só gastar dinheiro! A senhora não sabe como é difícil. Aí no fim do mês, ainda tenho um monte de imposto pra pagar, sabe... Pra sustentar esses Vale Miséria que o ilustríssimo presidente dá pra pessoas como você. E quando eu era pequeno, estudei muito, muito mesmo; pra poder viver confortavelmente hoje, e não ter que ficar pedindo pras outras pessoas, sabe... Se bem que às vezes me dá uma vontade... Deve ser muito mais fácil contar uma história triste, que não precisa nem ser provada, e ganhar um troco do que se ferrar a vida inteira trabalhando e estudando, pagando aluguel e tentando ser alguém. Tá bom? Tchau!
Kika: Nossa, pai... E o que ela disse?
Papy: "Deus te abencoe".
Kika: Hum... Impressão minha ou isso foi drasticamente irônico?
Papy: Sei lá. Se tocarem a campainha de novo, você que atende.
obs: Talvez o post mais curto que já escrevi na vida. E talvez o mais polêmico. Há quem concorde que não devemos dar esmolas, porque é um incentivo à vadiagem; e há quem ache que contribuir com o que não nos faz falta nada mais é do que um ato louvável de caridade. Eu prefiro não me posicionar sobre a questão, mas tenho curiosidade a respeito da opnião popular. Diz ae, meu povo!
posted by: Kika Dalossi
Meu pai não suporta campainha. Particularmente, não suporta a campainha aqui de casa.
Ele diz que esse "pééééén", que parece sirene de fábrica, deveria ser substituído por um suave "din- dong".
Sempre que o indesejado som encoa pela casa, pode-se ouvir expressões como: "C****"; "Ai, meu saco!"; e "Élyka, vai atender a porta!".
Sim, diletos leitores, eu sou a porteira oficial desse lar! O que é, de certa forma, uma grande benefício pra humanidade, pois quando outras pessoas assumem o cargo, desastres podem ocorrer.
Como hoje, que, por razões adversas, não pude atender a campainha e, meu papy foi no meu lugar:
Papy (subindo as escadas): Mas que p*** que p***! Quem que toca a campainha uma hora dessa?! Será que não sabe que é a hora do escravo aqui descansar?! C*****!!
Momentos depois, ele voltou.
Kika: Quem que era?
Papy: Sei lá! Uma muié dizendo 'senhor, eu tenho um neném em casa...".
Kika: O que ela queria?
Papy: Dinheiro, ué! O que mais poderia ser?!
Kika: Ah... E o que você falou?
Papy: Eu disse: 'e eu com isso?! Ó, minha senhora, eu lavei a louça, limpei a casa, trabalhei o dia inteiro... E tenho duas filhas que não sabem fazer nada, só gastar dinheiro! A senhora não sabe como é difícil. Aí no fim do mês, ainda tenho um monte de imposto pra pagar, sabe... Pra sustentar esses Vale Miséria que o ilustríssimo presidente dá pra pessoas como você. E quando eu era pequeno, estudei muito, muito mesmo; pra poder viver confortavelmente hoje, e não ter que ficar pedindo pras outras pessoas, sabe... Se bem que às vezes me dá uma vontade... Deve ser muito mais fácil contar uma história triste, que não precisa nem ser provada, e ganhar um troco do que se ferrar a vida inteira trabalhando e estudando, pagando aluguel e tentando ser alguém. Tá bom? Tchau!
Kika: Nossa, pai... E o que ela disse?
Papy: "Deus te abencoe".
Kika: Hum... Impressão minha ou isso foi drasticamente irônico?
Papy: Sei lá. Se tocarem a campainha de novo, você que atende.
obs: Talvez o post mais curto que já escrevi na vida. E talvez o mais polêmico. Há quem concorde que não devemos dar esmolas, porque é um incentivo à vadiagem; e há quem ache que contribuir com o que não nos faz falta nada mais é do que um ato louvável de caridade. Eu prefiro não me posicionar sobre a questão, mas tenho curiosidade a respeito da opnião popular. Diz ae, meu povo!
posted by: Kika Dalossi
4 comentários:
Na verdade, creio que o ato de dar esmolas submete os cidadãos de bom-senso a uma crise de consciência, cara Élyka!!!
Se vc dá esmolas, vc está relegando ao cidadão nada além do adjetivo "pedinte"... e vai ser exatamente isso que ele vai fazer para o resto de sua pobre e miserável vida...
Se vc não dá esmolas, vc pode estar se negando a matar a fome de uma pessoa. E isso é desumano, independente da nossa condição social...
Então... o debate permanece... Prefiro não me manifestar a respeito, posto que não tenho uma opinião formada acerca do assunto!!!
hauhauhauhuhuahuahuha...
bjobjo
mas no final o objetivo(nosso ou dos pedintes) é um só
CACHAÇAAA
mais pq sao eles os coitados?
acho q os pobres coitados com uma vida miseravel pode nao ser eles, ou soh eles!
ao menos eles nao sao escravos do Mac Donald, dependentes da Unillever e aficcionados pos tv a cabo!!!
. . . e com certeza nao votaram no lula, jah q eles nem cpf têm!!!!
mais me torra o saco quando escuto a campainha!!! por isso tenho uma tecnica muito boa, pelo menos funciona, . . . , eu nao atendo!!!
KIKA, também concordo com seu pai sobre a campainha. É relamente um saco, (eu por exemplo náo atendo campainha) e principalmente quando aparece aq\uele mal educado que dá vários toques seguidos, chega dói nos ouvidos.
Quanto a dá esmolas eu tambem não dou, principalmente para pessoas jovens que podem trabalhar, e não o fazem por pura preguiça ou incompetência. No entanto, sou colaborador de uma entidade filantrópica que cuida de pessoas portadoras de doenças especiais (elasão têm culpa de nascerem doentes)essas merecem nossa atenção.
PS. Kika, você é realmente uma intelectual, por isso que adoro você e já lhe disse isso várias vezes.
por essa frase você vai me identificar (acho) "ki bikinho lindo!"
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