3 de mai. de 2007

Frustraeducação

Este ano completo 12 anos de escola. Seriam 16, se contasse com os anos de jardim e pré-escola, mas como recorte e colagem não são lições, própriamente ditas, optei por contar desde a alfabetização.
Sem entrar nas questões já discutidas em todos os jornais, revistas, pontos de ônibus e elevadores, farei aqui uma reflexão pessoal a respeito da educação brasileira. O que eu acho que vai ser muito produtivo, pois, como estudante profissional, posso dizer exatamente como (não) funciona a máquina educativa. Aliás, esse é um ponto interessante: Entrevistam pedagogos, professores, diretores, e até tias da cantina a respeito do ensino nas escolas. Mas até agora não vi nenhuma matéria no jornal que falasse da parte mais interessada: os alunos.
Por que, né? Será que é por puro descaso?
Olha, eu acho que não. Não entrevistam alunos porque qualquer editor que se preze tem total consciência de que jovens de 13, 14, 15 anos não sabem pensar, quem dirá falar sobre algum tema que não seja Playboy, Playstation, play-ground, ou só o diabo sabe mais que play...
Enfim... Eu não me excluo desse universo, muito pelo contrário, convivo com isso pelo menos 5 dias por semana, por 10 dos 12 meses do ano.
Como adolescente fútil e sem imaginação que sou, farei uma análise egoísta, vista de dentro do meu mundinho:

*Primeira a quarta série:
É o período em que a gente vai pra escola sem saber o motivo. Na verdade, o motivo existe: é gastar os dois reais que a mãe dá pro lanche.
Aliás, desde aí a educação se torna uma atividade muito dispendiosa: só de material escolar e mensalidade vão algumas centenas de reais, o que, na minha opinião, é inútil, pois acaba-se copiando nos cadernos tudo que se tem nos livros. A função dos professores é basicamente ler o livro, escrever mo quadro e exigir silêncio na sala. Ah... E ensaiar músicas de festa junina, dia das mãe e dia dos pais, nas respectivas datas.
Mas enfim, essa é uma época de grande competição nos estudos: compete-se pra ver quem tem o caderno do Pooh, quem cola mais adesivos no estojo, e quem tem mala de rodinhas...
Eu nunca tive mala de rodinhas...

*Quinta a oitava série:
É mais ou menos aí que a vida estudantil começa de fato: mais de uma professora por sala, início da álgebra, meninos com hormônios explosivos e outras mudanças drásticas e assustadoras.
Ao contrário do que se pensa, aprende-se muito nos três últimos anos do primeiro grau. Em que outra etapa da vida desenvolvemos todas as técnicas de cola e de trabalhos em grupo?! Esse é um período único, quando decisões importantes são tomadas: o que escrever para o menino gatinho da segunda fila, por exemplo.
É claro que, assim como nos anos anteriores, os professores ensinam, a gente aprende e assim o semestre continua. O único agravante é que esquecemos tudo nas férias de verão, mas isso é apenas um detalhe...

*Ensino Médio:
- Primeiro ano: É quando a gente pensa que já é adulto, mas não é.
Nessa fase, a maioria já pega ônibus sozinho, controla a própria mesada e vai aos poucos adquirindo uma certa idependência. Ou seja, faz besteira como quem respira.
A começar por pensar que segundo grau é a mesma coisa que o primeiro. Não é! Não só se tem mais de um professor (chato) por matéria, como se tem mais de uma matéria por matéria. É mais ou menos aí que Ciências vira Biologia e Química; Artes vira Geometria; Matemática vira Trigonometria, Álgebra e Cálculo. Grandes emoções, em todos os sentidos: grandes amizades, grandes romances (os chamados 'rolos'), grandes festas... Grandes provas, grandes aulas, pequenas médias...
-Segundo ano: Aí a gente descobre que era feliz e não sabia. A Física piora, a Química piora e a Matemática só não piora por que o nerd que senta na frente aceitou fazer a sua prova por um pastel com sukita. Mas isso tudo, na verdade não importa, por que tem uma meia dúzia de seres do sexo oposto dando em cima de você. Ou seja, a vida está perfeita! A escola nada mais é do que um instrumento facilitador para sua integração social. O boletim... Ah, no último bimestre a gente dá um jeito.
-Terceiro ano: Boa parte dos amigos ficam no segundo ano (por alguma razão). Mas novas amizades surgem, não se preocupe. As aulas se convertem em mensagens confusas, os professores nunca sabem o seu nome e o intervalo dura apenas 10 minutos; tudo isso regado ao tradicional desespero pré-vestibular. O duro é que mesmo em casa, a paranóia continua: lembrando que os pais estão certos da boa educação que estão dando aos filhos. No terceiro ano, é como se toda a sua vida acadêmica passasse de novo, como num filme. O problema é que esse filme é em preto e branco, narrado em grego, e sem legendas. Mas, brasileiros que somos, sempre damos um jeito.
Tem gente que consegue passar no vestibular, mesmo não sabendo escrever uma redação que preste. Eu não diria que é sorte... Mas vá lá, também não é conhecimento.


O que eu penso de tudo isso? É uma comédia trágica. Mais trágica do que comédia.
Sou uma estudante em um país que não investe em educação. Tenho dúvidas do que esperar de mim mesma. Enfim...



posted by: Kika Dalossi, que estuda pra c*r*l*o, mas sempre se ferra.

3 comentários:

Le* disse...

q poético o final.. mas pense que tem gente que se torna presidente sem saber escrever uma redação que preste... hauhauhuahuahuahhauhauhuaa
tá tá.. isso não é animador..
enfim..
=p

Unknown disse...

auhsduhsduhasd
aaah cara, a gente aprende várias coisas na aula... veja só:

Ontem mesmo eu aprendi uma fórmula extremamente útil... não lembro o nome dela, nem a fórmula pra falar a verdade... mas era algo tipo:
(nl/nm -1 ).(r1/r2 . k)*. Ela serve para calcular alguma coisa na optica... viu só? totalmente útil para qm vai ser uma ilustradora.
Afinal, qual seria o sentido de minha vida se eu não soubesse que a Lei de Hess serve para calcular o deltaH de várias reacoes quimicas? Ou então, saber que existem frutos (ou é raizes? ou caules?) deiscentes e indeiscente!?

Cooomo sabererei que estrada pegar para voltar pra casa, sem saber que a 2º lei de Ohm é R=pla e que p depende do materia e da temperatura?! (to copiando isso de uma folha ta?)

Além de todo esse pacote de informação extremamente (in)útil, aprendemos também a desenhar, sem falar no italiano! onde mais vc pode ler um livro de flauta em italiano, se não nas deliciosas aulas à tarde?

Minha amiga, eu aprendi tanto nesses anos de ensino que, devido ao excesso de matéria equeci de tudo (sim! por escolha própria...)
Ainda preferirira que as aulas de colagem fossem consideradas lições propriamente ditas. Apesar de que eu nunca me sai mto bem nelas...

*nota1. o K é alguma coisa q eu esqueci mais do q o resto.

Anônimo disse...

oi prima
venho por meio desta me desculpar pela prolongada ausencia..
mas o motivo foi justamente o topico em discussao .. educaçao ¬¬
eu adorava a escolinha =)
no 2 ano eu tb tinha meia duzia d pretendentes e td era tao belo ..
dpois vem 3,cursinho e tudo azeda ..
dotoraaa? not yet =p
vc ta em q cursinho mesmo?
sempre que der eu passo aqui ta?
ahh eu ja tive uma bolsa de rodinha .. so que era bem dark oO
certo dia eu tropecei nela e voltei as antigas mochilinhas ...

abraço