12 de dez. de 2007

Crianças em Casa - um efeito colateral sinissstro

Após alguns meses de pura abstinência criativa, Mesa de Boteco retorna com um post novinho!
Sabendo que o mês de dezembro vai muito além de trabalhos finais, queima de apostilas e bebedeiras prolongadas, eu (e mais um seleto grupo convidado) elaborei uma homenagem à mais importante consequência do fim do ano: férias!
É claro que toda coisa boa traz algum (ns) efeito (s) colaterais... Por isso, ao invés de apenas exaltar os possíveis prazeres passageiros desse recesso, resolvi selecionar um problema que muito aflige os lares brasileiros, e propor uma solução.
Nesse momento, vocês leitores, devem estar se perguntando ansiosamente: "Oh, mestre Kika... Que problema será esse?" Eu vos digo, humildes gafanhotos, que um dos principais efeitos colaterais das férias são CRIANÇAS EM CASA.
E mesmo os que não têm a 'sorte' de ter os próprios pupilos, padecem desse mal. O fato é que, crianças atrapalham todo mundo (literalmente), direta ou indiretamente, de propósito ou sem querer. Se há algum ser de idade limitada num raio de 500 metros, é bem possível que a paz local seja afetada de alguma forma.
Mas, partindo do princípio de que nenhum problema é tão inútil que não possa ser divertido, cheguei a conclusão de que crianças podem ser facilmente controladas, se soubermos usar bem as palavras nos momentos certos.
Logo abaixo estão algumas frases que eu elaborei com todo o cuidado, realizando diversos testes e pesquisas prévias. São seguras, podem fazer em casa. É claro que Mesa de Boteco não se responsabilizará por eventuais traumas físicos e/ou psicológicos, até por que é quase certo que eles irão acontecer. Eu, como boa dalossiana que sou, acredito plenamente nos traumas infantis. Hoje mesmo, comentei com minha prima (também dalossiana, diga-se de passagem): "Crianças vivem a infância unicamente para serem traumatizadas! Os traumas são o que as ensinam a ser gente... Pode ver, crianças super protegidas e não-traumatizadas geralmente se tornam adultos fracassados." Aí eu citei um exemplo, um certo primo nosso, que se encaixa nesse perfil de mimadinho... Enfim, não vem ao caso.
O importante é sempre considerar o contexto e a personalidade do pequeno ser envolvido na operação. E ah, é sempre bom verificar se o progenitores do ser em questão não estão por perto, pra evitar situações contrangedoras:
1) "Se você não parar de chorar, a tia vai beliscar mais forte."
Essa é curinga! Segundo meus estudos, não há choro que resista uma ameaça convincente. A grande jogada está na preposição 'mais', ela prevê um fato anterior. É sempre bom dar um cutucão fraquinho antes de aplicar o beliscão de fato. Às vezes, o próprio cutuco já resolve o problema...
2) "Você pode sofrer um acidente. E acordar morto amanhã."
Essa foi inspirada em um episódio dos Simpsons. Funciona com crianças que já sofreram ameaças do tipo acima, e as ignoraram. Geralmente, crianças assim têm tendências mafiosas, e entendem melhor quando há um risco maior em jogo. O segredo é fazer realmente parecer um acidente. Não tem erro.
3) "O Papai Noel não existe. Nem o coelhinho da Páscoa. Nem o Pikachu."
Essa eu acho cruel. É o sussega-leão das frases traumáticas. São gastos, em média, 5 segundos para pronunciá-la, mas o estrago é tanto que pode deixar qualquer criança pensando a respeito pelo resto da noite. Ou mesmo pelo resto da vida, dependendo da tonalidade vocal empregada. Recomendo cautela.
4) "Está ouvindo esses gritos? Vem da pastelaria aqui do lado... Acho que o recheio do dia é criancinha."
Além dos gritos, eu não citaria nenhuma outro pré-requisito. É claro que um pouco de seriedade nessa hora é sempre bom... Deixar uma Tribuna a vista também, só pra provar que certas coisas realmente acontecem. Se a pretenção é silêncio, essa funciona que é um beleza.
5) "Papai Noel é feito de soja."
Se aquela era cruel, essa é diabólica. Sério, só usem em último caso... E com crianças crecidinhas (acima de 9 anos). Exige um pouco de compreenção, prévia e posterior. Costuma funcionar bem com crianças que insistem em se meter em conversas de 'gente grande'. Sabe quando tem a rodinha do pessoal mais velho, na qual assuntos infantis se limitam aos momentos nostálgicos? Então. Sempre tem um pirralhinho tentando se enturmar. Entrar num assunto bem conhecido, tipo transgênicos e indústria alimentícia pode deixar ele um tanto quanto a vontade, mas nada de exageros! Corte-o na primeira oportunidade. Papai Noel é feito de soja é uma boa, mas não é uma regra. Tenha em mente que hoje em dia, tudo é feito de soja. Inclusive o sucrilhos, os power rangers e a tia da quarta série. E aí que a sua criatividade pode criar asas. Divirta-se.
6) "Você vai ser comido vivo no ensino médio se continuar falando desse jeito."
Pode não ser verdade, mas funciona a curto prazo. Pode ser usado no mesmo tipo pirralho intrometido da frase acima. Para as crianças, o ensino médio é o grau máximo de sabedoria, ao mesmo tempo em que é um terreno completamente desconhecido. Qualquer coisas que diga será considerada real, por mais absurda que seja. Mas cá entre nós, do jeito que o ensino médio é, por si só, dispensa invenções mirabolantes.
7) "Vamos ver quem bate mais fraquinho?"
Isso nada mais é do que uma estratégia para agressão física justificada. O lance se resume a uma suposta competição de falta de força. Obviamente, você deve perder. O arremate final é dizer em tom desolado 'perdi feio, hein'.
8) "Tush."
Na falta de paciência para criar um joguinho esquemático para justificar a agressão, um chutão discreto resolve o problema. O único cuidado é manter os pais da criança com a visão afastada durante o ato. Se for primo, irmão, parente ou vizinho é melhor, por causa da intimidade subentendida.
9) "Vou chamar o Homem do Saco."
Quem nunca teve medo do homem do saco? Sem mais delongas, digo apenas que funciona. A dica da Tribuna também é válida nesse caso. Se tiver manchete de 'Sequestro Relampago' ou algo assim é melhor ainda. Discar um número qualquer no telefone logo após pronunciar essa frase tende a provocar choro e desespero. Ou riso. Depende do lado considerado.

Espero que essas sábias considerações tenham sido úteis. Se por acaso alguém tiver algum acréssimo, estamos abertos nos comentários, como sempre.

posted by: Kika Dalossi
Colaboração: Deco Dalosso (porém Dalossi), Lisi Dalossi.

4 comentários:

Bob disse...

bahhh
sabe aqueles vinhos corithians(de segunda)?pega dá pra eles. Diz que é coca.
Não dou um minuto pra estarem babando de sono.
Um vinho desses, se administrado em quantidades moderadas e após um almoço pode causar na criança sono de até 5 horas seguidas. Étiro e queda.
No mais é dar breja falando que é guaraná, mandá-los ler um livro sobre física quantica. Todos esses são soníferos letais e devem ser ministrados com segurança.

Anônimo disse...

Pãtz! Manual para melhor proveito do final do ano hahahahahaha

As vezes dependendo das crianças dá pra até ensinar uma delas tudo que a gente sabe e ela se encarrega de foder com a vida dos outros menores e mais pentelhos hahahaha

Anônimo disse...

Rio demais com o Mesa de Boteco! :D
Você tem que reunir todas esses posts, colocar num livro e deixar a vida de muitas pessoas mais feliz! Huashuashuas!
(Hahaha, voltando aos papos do MSN^^)!


É isso, Kika! Só passando pra deixar um beijo! Cuide-se!
Nos vemos essa semana ainda :D
o/ =******

Arllan disse...

hahaha, texto divertido! :D