23 de mar. de 2008

Viagem de Páscoa

Tem gente que é perfeccionista.
Tem gente que não.
Tem gente que gosta de acordar cedo.
Tem gente que não.
Tem gente que tem mania de ordem.
Tem gente que não.


Até aí, nenhum problema. Cada um é livre para determinar suas próprias vontades e gostos pessoais. O problema surge quando pessoas diferentes, com gostos diferentes, resolvem se casar. E terem filhos. E continuarem juntos!!
O auge do caos é quando resolvem viajar, como uma família normal e feliz!

A seguir, um exemplo real do que acontece quando pessoas diferentes integram um mesmo clã, e insistem em conviver juntos:


Minha mãe: Mulher simpática, proveniente do norte do Paraná. Cresceu e viveu por muito tempo na fazenda da família. Gosta de cozinhar, costurar e ir à igreja. Apesar da aparência pacata, não se enganem, dona Helenice se formou em Farmácia e Bioquímica, e atualmente trabalha no IML. Ainda que tenha saído da fazenda há algumas décadas, conserva traços tipicamente campestres, como acordar cedo todos os dias, trocar receitas com os vizinhas e chamar frutas em potes de 'doce'. Por conta dessas e outras características, minha mãe é a responsável pela organização da viagem. É ela quem determina as datas, faz a revisão no carro, arruma a bagagem no porta-malas e compra os gêneros alimentícios a serem consumidos no percurso. Além de calcular o dinheiro da gasolina e do pedágio, deixar a chave de casa com a vizinha, arrumar a casa antes da saída e dirigir até o destino, entre outras funções igualmente importantes. Afinal de contas, ALGUÉM tem que fazer alguma coisa, né.


Meu pai: Advogado pela UFPR, viveu seus dias de glória como criminalista. Atualmente está aposentado e dedica seu tempo à leitura de revistas e sites de fofoca e resumos de novela, além de cuidar periodicamente do jardim dos fundos. Na maior parte do tempo, porém, pratica sua atividade preferida: encher o saco. Entre os hobbies do meu pai estão, dormir, comer e assistir BBB. Não raro, tem a proeza de executar os três ao mesmo tempo. Para tirar o papy do sério basta acordá-lo, deixá-lo sem cigarro ou exigir qualquer tipo de responsabilidade. Pressa, horário e agilidade não existem para ele. Antecedência também não. É por isso que ele é sempre o último a terminar de arrumar as malas e o primeiro a sugerir para não sairmos de casa. Durante a viagem, é o comentarista do trânsito, especialista em palpites infundados. Teoricamente, ele tem que fazer as trocas de cd's, regular o ar condicionado e manter os vidros e portas trancadas. Mas meu pai e tecnologia nunca foram muito amigos, então minha mãe ganha essas atribuições também.


Minha irmã: Antes eu achava que a Leyka não tinha sentimentos. Aí ela começou a namorar o Pancho e virou um pote de mel ambulante. E falante. E abraçante.
Fora excentricidades e surtos de desejos obscuros (do tipo trancar a faculdade e viajar pelo mundo), a Leyka é uma pessoa normal. Às vezes ela supera meu pai no quesito 'atraso'. Mas sabe como é, tudo em prol da franja perfeita. E sapatos perfeitos. E roupas novas.
Pois é, ítens de moda são o que deixam a Leyka feliz. Fora isso, ela gosta de fazer o que qualquer estudante de design gosta: nada. Assim, nas viagens ela é responsável somente por arrumas as próprias malas. O que não deixa de ser grande coisa. A quantidade de volumes que ela carrega exige certo profissionalismo.


Eu: Simpática e de bem com a vida, tenho o dom de não dar trabalho nenhum. Na viagem, tenho a função de organizar o kaise de cd's, minha mala e prezar pela estabilidade do banco traseiro. Isso porque minha mãe tem a estranha impressão de que no banco de trás cabe tudo.


As coisas iam realtivamente bem nesse ritmo.

Só que nesse feriado, a velha ordem hierárquica de deveres e funções foi mudada: Minha irmã, logo após se despedir pela décima quinta vez do namorado, assumiu a direção do carro. Daí minha mãe foi pro banco de trás, fato que, felizmente, colaborou para a otimização do espaço do mesmo. Papy e eu continuamos nos nossos postos de sempre, pelo menos pelos 300 primeiros quilômetros.

Porque era a primeira vez que a Leyka dirigia na estrada, ou talvez pelo simples instinto maternal de encher o saco, minha mãe pautou a viagem com comentários do tipo "dá sinal, engata a quinta e vai". Nisso, a consciência milenar de palpite do meu pai despertava e ele imediatamente dizia "vai devagar, vai devagar..."

Para quem dirige, é horrível ouvir palpites de qualquer tipo. Imagine se forem contraditórios assim... Naquele momento, eu tive muito orgulho da Leyka.

Lá pelas tantas, ao seguir um conselho insado da minha mãe, a Leyka tomou sua primeira multa (nhô): Ultrapassagem em faixa dupla. R$ 191,00 no bolso e 7 pontos na carteira da motorista.
O diálogo que seguiu o veredicto do guarda foi o seguinte:

Eu: Poooorra! Viu o que dá você ouvir o que eles dizem?!?!?!?
Leka: É... Mas é que...
Mamy: Não tem nada a ver! Se não fosse assim, a gente ia ficar pra sempre atrás daquele caminhão.
Eu: Grande bosta! Agora estamos parados aqui. E quem paga a multa?
Papy: Falei que era pra ir devagar...
Eu: Esse é o problema! Vocês falam!! Deixa a menina dirigir!
Mamy: Peraí...


E nisso mamy saiu do carro. Cinco minutos depois, retornou. Sem multa. Considerando que
minha mãe não é tão gostosa assim, concluo que a prática do migué já é tradição na família Dalossi. Fez amizade com o guarda e saimos numa boa.
É claro que os palpites não cessaram. Diante de tal confronto, não vi outra saída senão trocar de lugar com o papy no carro. Com os pais no banco de trás tudo fica mais fácil.
E viajar no banco da frente é uma experiência mágica! Dá até pra se preparar psicologicamente antes daquelas curvas do tipo vem-cá-meu-bem. Além de ter o rádio a alcance das mãos. Nada como poder regular o volume!! Foi a solução para todos os problemas da viagem: tendo em vista que papy e mamy insistiam em dar conselhos contraditórios e infundados, resolvi desviar todo o som do rádio para os bancos da frente. Deu bem certo, tendo em vista que todos ficaram felizes: papy e mamy satisfizeram seus impulsos falatórios, ao mesmo tempo em que eu e a Leyka não ouvimos absolutamente nada.

Fatos rápidos a respeito dessa mesma viagem:

Eu: Vou abrir o Chocookie!
Papy: Também quero. Manda aqui pra frente.
*Kika passa o Chocookie para o Papy*
Papy: Aaaaaaah! Mas não é de chocolate!!
Eu: Não... É o tradicional. Mas é bom também, eu gosto.
Papy: Eu não gosto.

Misteriosamente, o Chocookie nunca mais foi visto.
Imagina se gostasse.
O mesmo aconteceu com as Pringles (ou seja lá como se escreve).


Tinha mais coisa, gente.... Sério.
Mas devido a motivos de força maior (leia-se semana de provas e trabalhos infinitos), não pude postar antes e acabei esquecendo.

Posted by: Kika Dalossi, que viaja sempre que viaja.
Agradecimentos: Papy, Mamy, Leyka e Golzinho. s2

4 comentários:

Carlos Pegurski disse...

As sagas dalossianas são sempre agradáveis de serem lidas. Imagine em protagonizá-las, que maravilha!

Anônimo disse...

Huahuahua, viagens em família sempre dão história! E o Golzinho é o melhor, aguenta qualquer tranco (eu sei lá como é o slogan, hehe). =D

Anônimo disse...

"Fora isso, ela gosta de fazer o que qualquer estudante de design gosta: nada."

Comentário digno de um engenheiro.

Unknown disse...

eduardo, cala a boca.
kika, me leve com vc na proxima viagem. eu vou em cima... mas eu preciso ver isso... uwewuehwuhe

pra variar, meus pais perguntaram se eu tava lendo teu blog. vc pode imaginar o pq.