26 de dez. de 2007

Diário de Bordo

Após alguns dias de indecisão e falsa expectativa, meus superiores (também conhecidos como 'pais') determinaram que iríamos para Andirá (também conhecida como 'Fim do Mundo'), como todos os anos, para passar o Natal com a família e cumprir todos os rituais sentimentais que a data exige.

22 de Dezembro, Sábado - trajeto Curitiba - Fim do Mundo
Diálogo I

Mamy: Júlio! Fecha essa janela e liga o ar condicionado!
Papy: Ih... Esse arzinho... Parece ar de peido. Não refresca nada!
Eu: Ar de peido. Sua definição explica a situação da atmosfera do carro. Tá calor pra c**!
Mamy: Élyka! Pára de falar palavrão! Júlio, deixa de ser jacú. Você tá ligando o ar quente, é claro que vai ficar calor!
Papy: Ah... E como que deixa frio?
Mamy: Eu tenho que dirigir, macher no rádio, conversar com você, ler as placas e ainda regular o ar?!?!?!
Eu: Po, mãe... Você não quer que a gente faça tudo, né? Isso se chama divisão de tarefas.
Papy: Desliga esse peido de passarinho! Vou abrir a janela. Quero peido de elefante!

Meu pai não acredita na tecnologia.

Diálogo 2, ao som de Ademar Dutra

Mamy: Tô com vontade de mijar...
Papy: E eu de pewidar. Mas tô com medo de soltar e vir algo mais junto.
Eu: HAHAHAHAHAHAHA....
Papy: Olha, Helenice! Olha como é essa filha! Dá risada ao invés de dizer 'coitado do pai, tá com o cú frouxo.'
Eu e Mamy: HAHAHAHAHAHAHAHA.....
Mamy: É de tanto dar.

Nojento, mas engraçado. Coisas assim unem a família.

25 de Dezembro, Terça-feira - diretamente do Fim do Mundo

O Natal sempre nos ensina algo sobre fraternidade. É claro que, em se tratando da família Dalossi, as lições não poderiam deixar de ter 'aquele' toque especial. O Natal é a época mais apropriada para vivenciar as piras dalossianas características, visto que estão todos reunidos e devidamente dispostos a interagir uns com os outros.
Para nós, o Natal começa dois dias antes. Lá pelo dia 23, mães, tias e cunhadas se reúnem para decidir o que vão fazer para a ceia do tão esperado dia 25. É uma família grande, que fique claro. Maior que a família só o desejo desenfreado das mulheres dalossianas por cozinhar, cozinhar muito!
Todos os anos tem comida. Todos os anos sobra comida. Eu não sei bem porque, mas elas seguem à risca aquele ditado "antes sobre do que falte". Até aí, tudo bem... Acho que Natal tem um pouco de culto ao exagero. O problema é que tudo que sobra vai pra geladeira. Haja pote! E haja geladeira!
Eu, pessoalmente falando, tenho uma dificuldade extrema em encaixar coisas em lugares. Acho que não brinquei o suficiente de Lego na infância... Por isso, deixo a arte de guardar as sobras na geladeira para minha prima Lisi, que morou com a minha avó e mora sozinha atualmente, e tem habilidades de características de mãe - entre as quais, a de colocar um pirez, trêz jarras, uma assadeira e uma quantidade imensurável de tape ware em um espaço relativamente restrito.
Enquanto eu lavava a primeira centena de pratos, tentava convencer (em vão) minha tia e minha mãe de que ninguém come tanto aperitivo, e que, considerando o prévio entopimentos estomacal do período da tarde, era de se esperar que algumas iguarias da ceia permanecessem intocadas até pelo menos o almoço do dia 26. Simultaneamente ao meu discurso, Lisi lutava bravamente contra uma travessa que insistia em não ocupar o espaço determinado. Foi quando ela disse: "Não cabe."
"Não cabe" é uma frase indigna para as dalossianas. Praticamente uma heresia. É um sinal de fraquesa. Para os Dalossi, sempre (SEMPRE!) cabe mais um. Seja na geladeira, seja no porta-malas ou na mesa dobrável que usamos nos churrascos na piscina.
Lembrando-se disso, minha dileta prima acionou seus neorônios fortalecidos pelo DNA milenar dos Dalossi e conseguiu colocar tudo na restrita prateleira. E digo mais: A porta fechou!
Às vezes eu penso que deveríamos substituir o 'antes sofre do que falte' pelo 'antes falte do que guarde'. Tem coisa mais triste do que cozinha de fim de festa? Eu, como lavadeira-amadora-de-louça, digo que, fora cerveja quente e choro de criança, nada me desespera mais. Além do que, a arrumação de depois da festa não se restringe ao dia seguinte. Há quem concorde que a ordem só se estabelece depois de alguns meses...

26 de Dezembro, Quarta-feira - O Dia Seguinte

Estava eu na piscina (como não poderia deixar de ser). Lá pelas tantas, meu estômago me informou de um lamentável estado desértico nas minhas cavidades gástricas. Instintivamente, fui para a cozinha.
Que cena mais linda!
Minha mãe, minha tia e meu tio discutiam a procedência de um pudim gelado, fossilizado entre garrafas de cerveja no freezer. Após muita análise e discussão, ficou provado que o pudim nada mais era do que mais uma sobremesa destinada à ceia de natal, mas que por motivos diversos acabou sendo esquecido no congelador.
É claro que a notícia rapidamente se espalhou, e o tal pudim não sobreviveu pra contar mais histórias. Mas erra quem pensa que ele foi o único encontrado! Não, não, caros leitores... Além do pudim, foram resgatados tortas, bolos, aperitivos e assados, praticamente intactos.
A meu ver, isso foi ótimo. Afinal, com tanta fartura, o mínimo da comodidade que se poderia ter era deixar de cozinhar por um dia ou dois.
Mas não! NÃO!
Para as mulheres dalossianas, cozinhar é uma questão de honra! Deixar de ir pra cozinha e acumular o máximo de louça possível sobre a pia e arredores seria uma vergonha.
Um hábito estranho, eu acho... Mas acho que estou destinada a ser assim também, daqui uns 10 anos, quando eu talvez aprenda a cozinhar algo além do tradicional miojo.
Ou não.



posted by: Kika Dalossi, que é Dalossi, porém não muito.
Agradecimentos e Colaboração: Lisi Dalossi (A Autêntica); Mamy, Papy, Ademar Dutra e Tramontina (patrocínio da ceia).

7 comentários:

Unknown disse...

Élyka... Você possui um futuro promissor como escritora de contos cômicos...
Como cozinheira, já não posso garantir...
ahahhahahahahhahahahhaha...

Anônimo disse...

'Ainda verei uma obra sua nas livarias'. Seus posts são ótimos!
Você consegue dar humor a todas as situações comuns! =D
(será que conseguirei escrever aquele post sobre o EE, que, a princípio, deveria ser engraçado? Hahaha!)
'Te amo!!!!' Hahaha!
Beijoooos, Kikaaa, até mais! o/

Anônimo disse...

"Eu, pessoalmente falando, tenho uma dificuldade extrema em encaixar coisas em lugares."

Fico feliz que você tenha nascido mulher, caso contrário sua vida seria uma lástima.

No mais, sua família deve ter algum tipo de relação genética com a minha. Vários pontos em comum e risadas, muitas delas.

Beeeijos!

Bob disse...

aiaiaia
nem me fale
to com uma champagne francesa(entenda-se européia)aqui, pronta pra ser aberta.
Estou tentando convencer meus pais a não levarem-na para os sedentos trogloditas da minha família durante o ano novo. E eu consegui alguns sucessos nesse ponto, eles disseram que abririam ontem, mas; ao que parece, não deu certo.
ahuahauhauhahuahuahuau
Adoro seus posts kyka
você ainda está me devendo alguns posts, me dá eles de natal/ano novo?
ahuahauhauahuahauhhua
enfim, que esse ano venha com muita cachaça (caralho!), muito sexo, muito rock n' roll, muitas drogas (como salgadinhos e refrigerantes)
Beijoss
=**

Unknown disse...

wudauwdhuawdhushduahsd
acho que dariamos uma boa dulpa
eu cozinho e vc guar.. ah não, vc n sabe guardar...
OK
Vc teria q comer tudo e então não precisaria guardar!
vÊ só que beleza (y)

anyway, ainda quero passar um natal com vcs... deve ser bizarro, no mínimo.. só pra ficar escondida e ver... asuhdsauhdahsud
ou então fingir fazer parte da familia por parte de um algum primo distante e comer junto... :]

Anônimo disse...

Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.

Anônimo disse...

Adorei! Muito bom mesmo! hahaha
Ri litros.
Está add no meu wordpress agora.


Sobre os encaixes nas geladeiras,
sofro do mesmo mal. Tenho treinado jogando Tetris. Têm funcionado. haha

beijos