Após um longo recesso, resolvi voltar à blogosfera. E ao contrário do que pensam alguns leitores, eu não estava viajando pela Europa, nem pelas Ilhas Gregas; também não casei, não me mudei nem sofri nenhum tipo de acidente que me impossibilitasse de escrever.
Muito pelo contrário! Sofri um acidente que me obriga a escrever 70% do tempo que estou "acordada", e 15% do tempo em que estou "dormindo". No restante do tempo, eu estou comendo, bebendo e dormindo (sem aspas).
É o tipo de coisa que eu não desejo pra ninguém...
Caros apreciadores da literatura botequês: Esta que vos fala resolveu fazer duas faculdades ao mesmo tempo. Isso transformou a minha vidinha em um paradoxo sem tamanho. Ao mesmo tempo que que escrevo quase que initerruptamente, deixei o blog abandonado. E vocês também, pelo que vejo. Nenhum comentário do tipo 'volta, kikaaaaa!'. Tsc, tsc, tsc...
Mas tá. Aos mais desinformados, comunico que estou em processo de graduação em Design Gráfico, pela UTFPR (que eu chamo de CEFET, só pra sacanear) e em Direito, pela Unibrasil (porque a UFPR não teve presença de espírito suficiente para reconhecer meu potencial jurídico). Eu até poderia dissertar a respeito da ambiguidade dessas duas carreiras, mas meio que nem tô a fim. E como quem manda aqui sou eu (nunca é demais lembrar), vou falar do que eu bem entendo.
Mas não se preocupem, eu tomei o cuidado de escolher um tema que ajudará boa parte das pessoas que frequentam o Mesa de Boteco. Ou não. Sei lá. Acompanhem aí:
A ligeira diferença entre Particulares e as Nem Tanto*:
*Nem Tanto porque querendo ou não, toda faculdade é particular, no sentido de que só entra quem pode, e não quem quer.
1) Mensalidade
Sabe aquela coisa que vem todo mês e deixa a gente meio down? (Mulheres, não se confundam)Então... Essa é a diferença mais gritante entre faculdade particular e as Nem Tanto. Uma coisinha bem básica, geralmente de três dígitos; para alguns insignificante, mas para muitos uma verdadeira punhalada no saco. Embora seja apenas a primeira das muitas diferenças, é a Mensalidade que regula todas as outras distinções.
2) Aula
Nas faculdades pagas nós temos aula. Nas gratuitas, temos 'aula'. Tem gente que pensa que é uma diferença meramente semântica. Mas não é!! Aula e 'aula' são conceitos quase opostos.
Por aula entende-se tudo que o professor faz na sala com planejamento e progamação. Nisso se inclui exposição de conteúdo, discussão e resolução de questões, seminários, trabalhos em grupo e provas escritas.
Já 'aula' é tudo aquilo que o professor deveria fazer em sala, mas não faz. Ou faz de um jeito alternativo. Entende-se por 'aula', frases soltas ao acaso, do tipo "então, gente, vocês já sabem o que fazer. Façam." Pesquisas sem rumo na biblioteca, temas insólitos, respostas vagas e a certeza absoluta de querer ir embora fazem parte do ''plano de 'aula' ".
3) Intervalo (s)
A pluralidade dos intervalos nas universidades públicas é o que me atrai de fato. Na Unibrasil, eu tenho um (um!) intervalo de 20 minutos. Tá. É o suficiente pra lanchar, ir ao banheiro, tomar água e etc.
No Cefet eu também tenho um intervalo... Ele tem duração indeterminada e pode ser repetido quantas vezes achar necessário. O bom disso tudo é que o nível de saco cheio tende a ser nulo. Pausa pro café, pausa pra conversinha com o colega, pausa pra falar no celular, pausa pro pipi, pausa pra coxinha... Tudo isso é contabilizado como Intervalo. Muita gente preconceituosa vê o Intervalo como simples matação de aula (ou de 'aula'). Gente... Essa é a hora da desmistificação: Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!! Quando a humanidade vai entender? O Intervalo é um tempo livre produtivo, pode-se dizer. 'Ócio criativo', como diria De Masi. Um detalhe importante: existe uma probabilidade real e significativa de o aprendizado ser mais efetivos nos Intervalos do que nas 'aulas'. Ou mesmo nas aulas. Assim como todo Intervalo tende ao boteco. Daí vocês já deduzem o resto.
4) Matação
Em virtude da Mensalidade, a matação deve ser evitada ao máximo nas instituições privadas. É claro que tem o discurso moralista do tipo 'a aula é o primeiro contato com o conhecimento, deve ser vista com respeito, e não com negligência'; mas no fundo, só existe uma coisa que supera a consciência na hora do ir-ou-não-ir-pra-aula: o dinheiro. É... Temos que fazer valer o bendito investimento.
Mas se não tiver investimento...
Tá. Ainda tem a consciência, mas em se tratando de universitários, isso é bastante discutível. Não digo que somos totalmente irresponsáveis, apenas que temos uma responsabilidade seletiva. A Matação não é a simples fuga da 'aula'. É um modo prático de se conseguir tempo... E tempo, caros amigos, é fundamental quando se tem pilhas de trabalhos, pilhas de xerox e pilhas de convites para churrasco.
5) Migué
Taí o ponto para onde converge toda carreira universitária. Tão certo quanto é impossível não se sentir tentado a faltar na sexta-feira, é certo que é impossível se formar sem conhecer a arte do migué.
E a arte do migué nada mais é do que uma prática mais aguçada da já conhecida retórica grega. O objetivo é basicamente usar o verbo para convencer. Das saidinhas ao banheiro às prorrogações da entrega do trabalho final, o migué se mostra sempre presente. Tudo depende do quanto a sua conversa cola. Falando em cola... Cola é um mecanismo básico do migué. E dispensa maiores explicações, suponho.
6) Interação Socio-acadêmica
Aí já não sei, falarei por mim. Na Unibrasil, o pessoal não é muito sociável. No sentido de formar panelinhas presumíveis e ignorar a existência do restante da sala, e, inevitavelmente, de outros cursos. Já o Cefet, é o exemplo vivo de integração. Tanto na sala quanto nos corredores. Existe um clima muito bom entre as pessoas. Tirando alguns indivíduos engenheiros, prevalece a humildade.
Acho engraçado esse lance de humildade. Apesar de tudo, inclusive da suposta superioridade intelectual dos acadêmicos federais, o pessoal das universidades particulares tende a ter um orgulho estranho...
Um dia eu entendo melhor e explico pra vocês.
posted by: Kika Dalossi, que não sabe o que quer da vida, mas pretende descobrir
Agradecimentos: CEFET e Unibrasil
6 comentários:
Se não souber o que quer da vida, garanto que, no máximo, daqui dois anos descobre =]
Espero que os investimentos de grana e tempo estejam dando certo, porque essa vida acadêmica dupla (ou qualquer coisa do gênero), sim, é só pra quem pode.
Que você vença as pilhas de conteúdo e aceite as de convites de churrascos.
Conhecimento e sociabilidade, sempre =)
Saudades, Kikaaaaa!
Te adoro!
Cuide-se!!!
Mil beeeeijoooos! =*****
páára
aqui em sampa é tudo diferente
as nem tanto(vulgo USP) é que são universidade de verdade
já nas particulares até gente de 8 anos passa no vestibular(no caso de dúvida procure no padroeiro google).
Isso sem contar o bandejão à 1,90 aahuahauuhauahuuh
Viva as nem tanto \o/
'Tirando alguns indivíduos engenheiros, prevalece a humildade.'
Explique-se mocinha. ò.ó
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oha, vc tem um comentario da multifuncional... q feliz \o/
ok, eu tenho q parar de beber... e dormir mais. pq tipo... eu jurava q ja tinha comentado... eu ja tinha inclusive lido meu comentario!
enfim...
pensar q na itália as faculdades são falsamente publicas... o.o'E QUE NOS EUA NAO EXISTEM FACULDADES PUBLICAS!
o brasil está em ruinas... pra variar...
engenheiros sucx.
menos o du, ele é legal, apesar de ser um pau no cu.
weuhweuw XD
"Um detalhe importante: existe uma probabilidade real e significativa de o aprendizado ser mais efetivos nos Intervalos do que nas 'aulas'. Ou mesmo nas aulas."
deveras demasiano! =]
gostei do blogue. apareça mais.
abraços.
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