3 de set. de 2005

Cap V - Emule, o Canguru

Blimb saiu dos domínios de Habbitilândia pela primeira vez. Estava entusiasmado e ao mesmo tempo preocupado com as eventualidades que poderiam vir.
Ele caminhando pelo meio da trilha e encontrou um canguru. Estavamo os dois sozinhos e caminhavam na mesma direção, não demorou muito para compartilharem suas histórias e se tornarem amigos.
-Meu nome é Emule. Nasci na Áustrália, um lugar muito longe daqui. Aí um dia chegaram os "home" e disseram que eu tinha grande chance de fazer sucesso por aqui, por causa da minha habilidade em detonar coalas fofinhos. De fato, eu era muito bom nisso, quando mais jovem.
-E deu certo sua carreira?
-Que nada! Chegamos na América e eu fiquei desempregado. Estava tudo preparado, havia até uma arena só pra eu detonar um coala atrás do outro e fazer fortuna com as apostas. O único problema é que não exite coalas na América, só na Austrália.
-Eita, mundo velho sem portera...
E assim foram conversando e descobriram mtos pontos em comum.
- Sabe, Blimb... também tive problemas com meus pais.
-É mesmo, Emule, e como foi isso?
-Ah... eu era muito diferente dou outros cangurus. Não gostava de posar para as fotos dos turistas, nem de ficar fazendo cara de fofinho. Meu negócio era só apavorar os coalas, isso me dava sentido para viver.
-Entendo...
-Mas então surgiu essa possibilidade de emprego longe de casa e eu me mandei. Ninguém fez nada pra impedir, eles nem se importam comigo mesmo.
Blimb pensou se seus pais não estariam apenas se livrando dele ao deixá-lo partir. Na quela noite, não pensou em outra coisa. E no outro dia de manhã resolveu ter uma conversa com seu amigo canguru:
-Sabe, Emule... Eu estive pensando naquilo que você disse ontem, sobre sua família não se importar com vc e talz, ta ligado?
-Que que tem, Blimb?
-Eu acho que você está errado na sua concepção.
-Como assim?
- Meu pai me disse uma coisa antes de eu sair de casa que me fez refletir bastante: "Não importa o quanto é fedido o peito, quem solta nunca sente o cheiro".
-Nossa... que profundo.
No resto da manhã, caminharam em silêncio, pensando naquelas sábias palavras.
Nos dias que se seguiram, Blimb e Emule se conheceram tão bem que pareciam irmãos. Conversavam sobre tudo.
Mas felicidade de pobre dura pouco e foi chegado o momento da despedida. Chegaram na cidade de Barreirinha, onde Emule esperava arranjar um emprego como canguru de circo.
Por mais que tentassem adiar o "adeus", ambos sabia que era inevitável. E depois de rodarem a pequena cidade e beberem em quase todos os bares, eles resolveram que era a hora.
O momento foi de grande emoção, os dois se abraçaram, contendo as lágrimas. E enquanto escolhiam as palavras adequadas para a ocasião, Blimb sentiu algo que nunca tinha sentido antes. Era inovador... parecia que algo o dominava por dentro e fazia com que ele tivesse vontade de se jogar no chão para apenas se sentir uma criança novamente. Algo estava o esquentando por dentro e tudo que ele queria era colocar pra fora toda esse sentimento.
E foi assim que Blimb vomitou vinho e cerveja pela primeira vez.
Diante daquela cena, Emule não se conteve e juntou sua gosma a do amigo desfalescido. Nisso passava uma velhinha na rua, e ao ver aquela cena tão emocionante, dois amigos compartilhando de um mesmo sentimento tão unidos. Sentindo-se contagiada por aquela alegria tão grande, não teve outra alternativa a não ser vomitar também. E assim a dentatura se misturou a mistura explosiva. De repente, como que num ápse do destino, quase a cidade toda se juntava aquele ritual de despedida, um após o outro vomitava pela calçada, e respingava nas paredes. Foi realmente muito lindo.
E assim, após serem levados para o pronto-socorro mais próximo, Blimb e Emule se despediram, trocando apenas olhares de agradecimento e amizade, não falaram nada. Não só porque não havia nada mais para ser dito mas também porque o diagnóstico de coma alcóolica os empedia de qualquer esforço.

FIM DO CAP V

Um comentário:

Anônimo disse...

é... a fer tem razão... mass...
ta ficando massa pra caralho a parada...
bjaum