Incrível... isso aqui ainda funciona!!! O.O
Não que eu tivesse me esquecido do blog... Muito pelo contrário, penso nele todos os dias... E, inevitavelmente, me lembro que devo terminar a "História-sem-Nome-do-Dragão-Medieval".
E de sfato, eu estava concluindo o último capítulo quando um Ser Do Mal (também conhecido como Irmã mais Velha), resolveu formatar o computador aqui de casa. Misteriosamente, todos meus arquivos foram apagados... Ironia do destino, só pode... ¬¬
Aí comaçaram as aulas. O Acesso começou um projeto muito interessante que tem por objetivo acabar com a vida social dos alunos. Está praticamente concluído. Aulas vêm, aulas vão, já estou na última semana do semestre e nem recomecei a conclusão da Blimb Story.
Mas seja como for, acho que seria um disperdício deixar isso aqui encostado por culpa da minha falta de talento e criatividade pra terminar a historinha...
Então vou colocar umas crônicas nada a ver aí (assim como era no princípio de tudo), e vou evitar posts que exijam continuidade... Uma vez que está mais do que provado que eu ainda tenho que evoluir muito até chegar no estágio de escritora de verdade.
Prefiro agora o título de "dona do blog". Porque, ao que tudo indica, meus companheiros blogueiros desapareceram por tempo indeterminado.
Boatos dizem que o Luís vai casar no fim desse ano... Assustador, não?? E eu que jurava que aquele lá não ia criar juízo nunca! Agora ele vai casar... Não que isso seja atestado de bom senso, né... Mas enfim...
A Silvia não vai casar ainda. Mas tá no caminho. O que não deixa de ser igualmente assustador... Declarações amorosas são comuns nos nicks dela agora. ^^
E eu... continuo no hall dos internautas solteiros... Então, não tendo poemas românticos pra escrever, nem uma boca pra beijar, vou gastar parte do meu tempo livre aqui no blog.
A partir de amanhã... POSTS INÉDITOS DIARIAMENTE! (ou não...)
*lembrando sempre que eu amo comentários ^^
posted by Kika
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26 de jun. de 2006
7 de nov. de 2005
CAP X– E daí veio a Física... Ou era Biologia?
Blimb sobrevoava agora um vilarejo. Na verdade, era a região Metropolitana da cidade da Fantástica Fábrica. Lá de cima, podia ver muita área verde, com crianças empinando pipas e cachorros correndo livremente. Era uma cena muito linda. As casinhas, com suas cores enfeitavam o gramado. “Parecem de miniatura” , pensou Blimb
E enquanto voava lá em cima, admirando todas aquelas coisinhas e pessoinhas felizes, esqueceu de um pequeno detalhe – mas fundamental – olhar para frente!!
Com esse descuido, Blimb nem se deu conta como aconteceu tudo tão depressa. O fato é que momentos depois estava ele dentro de uma sala, onde todos o olhavam curiosamente. Blimb havia arregaçado a janela da escola da região.
Sentado entre os estilhaços da imensa janela, Blimb se sentiu pequenino, observado pela professora e os alunos da sexta serie, que ali estavam tendo uma palestra sobre “sexo e prevenção”.
O palestrante estava meio nervoso, era visível. O pobre rapaz estava cursando a faculdade de química e havia aceitado fazer a palestra só por que a diretora era amiga da sua mãe, faziam crochê juntas. Era a primeira vez que falava “dessas coisas” com crianças de 11 anos. E o crachá com seu nome “Sidy Ney” não o deixavam mais a vontade, pelo contrário, ele havia notado comentários inconvenientes a respeito disso. Estava se esforçando para ser claro nas explicações e agir com naturalidade ao ensinar como colocar uma camisinha. Mas era realmente constrangedor fazer isso com uma banana, diante de uma sala repleta de pirralhos! E agora aquele ser esquisito havia entrado de um jeito nada convencional e derrubado todos os seus potinhos com pílulas e coisas do gênero. O que mais faltava acontecer? Sidy se perguntava, quando o enorme dragão se levantou. Parecia bastante envergonhado também, o que fez Sidy relaxar um pouco. “Há males que vêm para o bem”. Lembrou ele.
E de fato, com a intromissão de Blimb na sala, as crianças se controlaram um pouco. Pararam de rir uma para as outras e se fixaram em Blimb.
Tanto quanto pra variar, Blimb se sentiu constrangido. Mas ao contrário do episódio com os Fat Dwarffs, agora ele sentiu que naquela sala ninguém estava disposto a sacanear. Olhavam para ele com uma curiosidade que era quase assustadora.
Olhou em volta e só então percebeu que se tratava de uma escola. Não que ele já estivesse estado em uma, mas entre os estilhaços da janela, estava uma grande placa, escrita “Escola Estadual de Campo Largo, Professor Bonifácio Estácio”. Achou interessante toda aquela coisa... Havia mapas e o alfabeto em cima da lousa. Para os ensinos geográficos, o globo terrestre estava na mesa da professora. Também haviam alguns trabalhos presos nas paredes. Mas Blimb notou que embora o local aspirasse cultura e conhecimento, aquelas crianças pareciam incrivelmente ignorantes. Quer dizer, a maioria usava a camisa por dentro da calça, que por sua vez quase passava do peito. Para completar o visual patético, alguns tinham o nariz escorrendo e as meninas usavam 52 000 tic tacs no cabelo e aquelas pulseirinhas bregas de silicone, até o cotovelo.
Blimb ficou a se perguntar como sairia dali, porque aqueles olhares sobre ele estavam começando a deixa-lo nervoso.
E aquele cara lá na frente... qualé a dele, hein? Cheio de coisas esquisitas na mão, com uma cara de perdido. Mas estranho que isso tudo era a professora. Embora a sala estivesse cheia de alunos, ela não parecia interessada em nenhum deles. Estava sentada na sua mesa, mascando um chiclete e lendo uma revista “Bons Fluidos” quando Blimb adentrou pela janela. Depois do acidente, as mudanças consistiram em uma redução na velocidade de mascar o chiclete e os olhos, que saíram da revista e pararam sob Blimb. Meio sem querer, a professora murmurou para si mesma “Só me falta essa... Cada um que me aparece...”
Mas como era de praxe, todos esperavam que ela, a professora dona Marieta, resolvesse a situação.
Como nada se fez, nada se resolveu. É a ordem natural das coisas. Porém, dona Marieta, jovem professora da sexta séria de uma escolinha pública, não ia perder a oportunidade que a vida estava lhe dando, naquele exato momento. Já havia reparado que o também jovem palestrante não se adaptava na sala de aula, assim como ela. E, além disso, tinham muitos outros pontos em comum, como por exemplo, dificuldades com pílulas e camisinhas... Após refletir alguns momentos, elaborou um engenhoso plano para vazar da sala, junto com Sidy Ney.
Levantou-se de sua mesa, e usando toda a sua desenvoltura teatral disse:
- Isso é um absurdo! Como pode invadir assim a minha sala de aula, no meio da brilhante palestra sobre... Bananas e suas embalagens exóticas. Isso não deve ser tolerado, comunicarei o fato à diretoria, imediatamente!
E assim saiu da sala. Antes, é claro, deu uma piscadela para Sidy Ney, que ficou meio confuso, mas achou melhor acatar a sugestão de sair dali, mesmo que fosse para os braços daquela professora esquisita. Mal teve tempo e coordenação motora para pegar suas coisas, tanto que muitos dos seus potinhos e camisinhas ficaram por ali mesmo, entregues a própria sorte com 25 crianças e um dragão medieval.
É claro que os alunos não se importaram em ficar a sós com Blimb, muito pelo contrário, sentiram-se completamente a vontade para explorar aquele estranho ser.
-Acho que devemos joga-lo de novo lá fora... – disse Maria Terezita, a única assustada com Blimb. Mais tarde, Blimb descobriria que ela tinha medo de tudo, porque nunca tinha tentado nada e também porque sofria de asma crônica.
-Claro que não! Não seja tonta, Terezita. A gente tem que primeiro ver como é que ele funciona – essa frase provocou calafrios em Blimb, que arregalou os olhos e fitou cada uma das crianças. Elas pareciam muito curiosas, e algumas já até se aproximavam para ver melhor e mexer nas escamas de Blimb, enquanto comentavam: “Olha! Que nariz” “Olha!! Olha as patas!” “cara, é praticamente o lobo-mau da chapeuzinho vermelho!”
-Ei! Pare com isso! O que você pensa que está fazendo?
-Olha gente! Ele fala!
-É claro que eu falo. O que você esperava? Que eu latisse?
Aos poucos as crianças foram ganhando intimidade com Blimb. E ele também se sentiu à vontade com elas. Tanto que no final da aula, estavam todos ao seu redor, para ouvir as aventuras do dragão.
O sinal tocou e aos poucos as crianças pegaram suas mochilas e lancheirinhas dos teletubies, e foram para casa. Mas 4 ficaram ali, olhando para Blimb. Eram dois meninos e duas meninas, uma delas Maria Terezita, com sua bomba asmática. A outra era Emanuele, visivelmente patricinha, pois usava maquiagem cremosa e todos os seus tic tacs e pulseiras eram rosa. A cada dois cm de corpo, havia um pom pom. Os meninos eram aparentemente normais, até que começaram a falar. Os dois eram visurados em biologia. João Pedro foi quem falou primeiro:
-Vamos leva-lo ao laboratório, para que possamos recolher amostras da epiderme.
-Concordo plenamente. – Paulo Adriano era ainda um iniciante, mas deixou Blimb bastante impressionado, com seus conhecimentos de Zoologia e Botânica.
No laboratório, houve um pequeno imprevisto.
Ao adentrarem no recinto, deram com uma cena no mínimo inusitada. Sidy Ney dava um amasso na professorinha, entre os tubos de ensaios e buretas. Quando entraram, fazendo todo aquele som de pacote Elma Chips sendo aberto e todo barulho característico de crianças. Dona Marieta tratou de levantar o coque sobre a cabeça e colocar a camisa dentro da saia novamente. E conseguiu, com grande desenvoltura, agir naturalmente. Em compensação, Sid Ney estava mais embaraçado do que nunca. E pra piorar um pouco mais a situação, tentou disfarçar:
-É... Bem... Crianças... Digo... Pré-adolescentes (risada forçada) eu estava aqui mostrando algumas coisas a respeito da palestra para a professora Marieta... Adoraria mostrar a vocês também, mas creio que é melhor esperar ate que completem seus 18 anos e...
Nisso Marieta já estava quase tendo um colapso. Conhecia bem seus alunos e sabia que aquela marca de batom no pescoço, o cabelo desajeitado e o zíper da calça aberto, condenariam o ato. Mas teve consciência de que Sid Ney era em demasia ingênuo, para perceber esses detalhes. Então tratou de ajuda-lo. Sem se importar em interromper o discurso do jovem palestrante, puxou-o para fora da sala, deixando as crianças e Blimb sozinhos, no laboratório.
João Pedro colocou um banquinho no centro da sala:
-Sente-se aqui – indicou o banco a Blimb.
Blimb, um tanto quanto constrangido, por estar sendo observado com tanta curiosidade, sentou-se.
-Muito bem, equipe. Vamos começar a estudar o objeto.
-Objeto??? Como assim, objeto? Fique sabendo que eu sou um legítimo dragão medieval e se estou aqui é porque...
-Shhhh! Silencio! Você deve permanecer calado e imóvel. Faça apenas o que lhe é dito.
Então joão Pedro foi buscar as pranchetas num armário do outro lado da sala. Emanuele aproximou-se, com seu jeitinho meigo e disse baixinho para Blimb:
-não se preocupe... o JP é assim mesmo. Se empolga um pouco sempre que pode. Nós não vamos fazer mal a você.
Isso tranqüilizou Blimb. Mas essa paz durou apenas alguns instantes, porque logo João Pedro voltou e distribuiu as pranchetas e as ordens:
-Paulo, você faz a classificação, de acordo com os princípios de Newton e Darwin. Eu vou tentar localizar a espécie no Atlas biológico. Terezita, recolha as amostras de pele...
-Mas eu sou alérgica! Eu acho...
-Ah... tudo bem... Emanuele, você fica com as amostras. Terezita, coloque uma máscara, luvas e roupa da NASA, precisamos de você no microscópio.
E assim foi por mais ou menos duas horas. Blimb foi cutucado, raspado, cheirado e até pintado, com o esmalte hiper-brilho de Emanuele. No fim, estava exausto e agradeceu aos céus quando João Pedro disse:
-Muito bem, equipe. Vamos dar um intervalo agora. Continuaremos ao término de Malhação.
-Aaaaaaaah!! É hoje!! É hoje!!! – exclamou Emanuele
-O que? O que aconteceu?!! – Blimb já imaginava coisas terríveis...
-É hoje que vamos descobrir se o Gui vai ficar com a Julia e sacar que a gravidez da Valéria é só fachada. E também vão desvendar o mistério do décimo quarto incêndio no Giga Byte... Quem será que foi dessa vez? A Drika, com seu cabelo roxo punk ou a santinha da Letícia, só pra chamar atenção do Rafa?
Blimb não entendeu nada, mas achou melhor não fazer mais perguntas. Até porque todos estavam saindo do laboratório e se encaminhando para a tv mais próxima, no grêmio da escola. O ultimo a sair foi João Pedro, que disse antes de fexar a porta:
-Você pode dar uma saída se quiser... só tome cuidado pra voltar a tempo, temos que terminar isso ainda hoje, porque amanhã eu tenho dentista. Ah... e não se confunda com as salas, são bem parecidas, mas esse é o único laboratorio, não erre.
E foi embora. Blimb então decidiu dar um role só pra ver qualé que era que tava pegando.
Andando pelos corredores da escola, Blimb refletia sobre a realidade daquela gente. Eram muito interessantes, sem dúvida. Tinham um modo de vida extremamente simples, e mesmo assim eram felizes a ponto de rirem do vento. Podiam comer chips o dia todo, todos os dias e ainda assim respiravam normalmente. Não precisavam de nada realmente importante, como objetivo de vida, oq importava era o final da novela, que já ia ao décimo segundo ano, com o vigésimo quinto elenco e o primeiro roteiro. E mesmo assim, conseguiam levantar de manhã para ir a escola, rir e brincar de adoleta no recreio.
Porem, notou também que haviam fatores fundamentais para que essa rotina funcionasse perfeitamente. Notou que todos estavam agrupados, e se sentiam seguros e felizes. Mas alguns estavam isolados, infelizes e pra piorar um pouco, avacalhados por tudo e todos. Eram esses os pobres “deslocados”, que não tinham amigos, nem dinheiro pra comprar chips, nem uma mochila do Barnei.
Blimb percebeu que estes ficavam pelos cantos dos corredores, olhando com medo para todos e fazendo o possível para se esconder. Um menino desses, foi emburrado por um grandão, que por sua vez, andava em grupo. Então todos se juntaram e fizeram uma rodinha ao redor do pequeno nerd. Ele era empurrado, como um porqueinho da índia naquelas barracas de festa junina.
Blimb pensou em intervir, mas quando se deu conta, também estava sercado por uns 12. era o fim, ele havia sucumbido a “rodinha punk”. Felizmente o monitor estava passando por ali naquele momento e desfez o desastre. Blimb queria agradecer, mas o tiozinho estava ocupado em tirar o papel higiênico molhado dó teto.
Continuou então a sua jornada, até que bateu um aperto. Ele precisava ir ao banheiro. Só que Blimb nunca havia estado numa escola antes. Entrou pela primeira porta que viu na frente. Instantes mais tarde descobriu que era um armário, pequeno e sujo como outro qualquer. Ele gostaria de ter ficado lá para ver o que tinha naquelas caixas que fediam tanto, mas foi jogado para fora. Dona Marieta estava lá com Sid Ney, mais atrapalhado do que nunca.
De volta aos corredores. Blimb então aprendeu que nada é tão ruim que não possa piorar. Uma vez que agora ele estava cansado, assustado, com vontade de mijar e com fome.
Sentiu aquele cheirinho de pão de batata. “deve ser a cantina”, pensou ele. Então foi seguindo aquele delicioso aroma... E de fato, em poucos minutos estava na cantina da escola. Mal teve tempo de sentir-se aliviado, pois um terror invadiu sua alma. Era a maior concentração de crianças, chips e cartas de Pokemon do mundo!!!
Mais assustador ainda foi imaginar como chegaria perto do balcão de salgados. Embora a maioria comprasse chips e não comida de verdade, havia muitos em volta do chinês pasteleiro, que tentava controlar a multidão, sem muito êxito.
Blimb pensou: “Só há um jeito... Mas não... seria horrível demais! Mas não posso... essa fome está me matando... só há um jeito... vou chegar de voadora. Dois pés nas costas de um resolve o meu problema.”
Decididio, Blimb se preparava para abrir caminho, quando algo inesperado aconteceu.
“Pééééééén”
Era o sinal. Significava que as crianças deveriam voltar para a sala. Blimb deveria ficar feliz, pois a cantina se esvaziaria, mas ao invés disso, sentiu um pânico quase tão grande quanto aquele que os Fat Dwuarff haviam provocado.
Todas as crianças corriam pela porta a fora, passando por cima uns dos outros e apostando quem tropeçava primeiro. Era quase como um estoura de uma manada de búfalos.
Depois de uns 5 minutos, Blimb pode levantar-se e ver a sua volta. Milhões de pacotes de chips no chão. Ninguém. Um silencio sepucral.
“bom... pelo menos agora tenho como descansar e comer alguma coisa, com calma, sem pressa...”
Foi aí que ele se lembrou que deveria voltar ao laboratório, como João Pedro havia falado. Mais desespero ainda, Blimb não se lembrava o caminho de volta. O jeito era apelar para a tentativa.
Correndo pelos corredores, subindo e descendo escadas, Blimb tentava encontrar alguém para ajuda-lo, mas todos estavam nas salas agora. Então, de repente, Blimb viu a porta. Ele tinha certeza de que ela levava ao laboratório. Correu em direção a ela, e sem pensar duas vezes entrou.
Numa fração de segundo, Blimb viu-se na situação mais sinistra de toda sua vida. Ao virar-se, viu uma sala cheia de alunos, todos com o mesmo olhar cansado e desiludido. Lá na frente, estava o professor, com seu jaleco sujo de giz e dizendo coisas que Blimb nunca conseguiria decifrar. No momento em que entrou, o mestre estava escrevendo coisas no quadro. Alguns dormiam, outros resolviam palavras-cruzadas e no fundo da sala, revistas circulavam livremente, assim como disc-mans e convites para o churrasco do fim de semana. Uma minoria prestava atenção, metade dessa minoria copiava e um quarto dessa metade entendia de fato.
Então todos se viraram e olharam para Blimb. Se sua estrutura celular permitisse, ele ficaria vermelho, mas como era um dragão, soltou fumacinhas tímidas pelas narinas, arregalou os olhos e sentiu as pernas tremendo.
O professor se virou e olhou Blimb:
-Jesus Cristo, como você é enorme!
Blimb notou que o velho usava óculos que pareciam binóculos, e se perguntou se deveria sair correndo ou morrer ali mesmo.
-Bem... procure uma carteira vazia e sente-se. A página é 74. Mas como vc é aluno novo, pode não ter o livro, então sente-se ao lado de alguém que tenha.
Blimb passou os olhos pela sala, procurando um lugar. Percebeu que ninguém, ou quase ninguém tinha o livro, então não fazia diferença. O problema maior é que o único lugar vago ficava num cantinho. Sendo assim, Blimb teve que passar entre as carteiras, derrubando um monte de coisas.
Acomodado (na medida do possível) na carteira, Blimb pôde ouvir os comentários maldosos dos colegas do fundo, a respeito da sua cauda. Mesmo depois de se sentar, Blimb sentia o olhar da sala. Mas gostava daquele ambiente, que aspirava conhecimento, sabedoria e respeito.
-Hei! Você aí do canto! Chega atrasado e fica viajando na batatinha? Você já sabe tudo? Pois ninguém é tão grande que não possa aprender e nem tão pequeno que não possa ensinar.
Que beleza! Menos de 15 minutos na sala e Blimb já havia levado sua primeira bronca. Achou melhor emprestar uma folha e começar a copiar a matéria. Mas ao começar, sentiu-se extremamente deprimido. Aqueles desenhos eram tão complexos de serem feitos! Nunca foi tão difícil fazer uma linha reta, ate porque Blimb sentia seus olhos fecharem, sua cabeça pesar e sua mão amolecer. O que estava acontecendo? Da onde vinha aquele sono? Antes que a resposta viesse, Blimb adormeceu profundamente na carteira.
....
Quando acordou, não sabia quanto tempo havia se passado. Era outro professor e outra aula, mas as pessoas a sua volta continuavam igualmente desinteressadas.
-Hei! Você aí, grandão! Por que não esta copiando? Quero ver suas anotações no fim da aula, hein?
Blimb novamente emprestou uma folha do seu colega ao lado, que acabou lhe dando o caderno, com a condição de que os desenhos da ultima página ficassem com ele.
Sentindo-se orgulhoso do seu primeiro caderno, Blimb percorreu as páginas vazias. Percebeu que já estava dividido por matéria. Tudo bem, organização era importante. Mas uma dúvida surgiu: “Que matéria é essa aí?”
Blimb não fazia idéia do que se tratava aqueles nomes estranhos no quadro, com todas aquelas flexas e parênteses.
Inicialmente achou que era História, pois do jeito que o professor falava, parecia alguma coisa a ver com o Egito ou algo assim. Mas então poderia ser também Geografia... Ou literatura... Mas no caderno tinha também Biologia, Química, Matemática, Física... Eram tantos nomes!
Resolveu copiar tudo em Física, já que os números e desenhos pareciam dizer alguma coisa do tipo Mecânica.
O que Blimb não esperava é que aquela aula iria transformar sua vida para todo o sempre. Estava atendo às explicações do professor e anotava tudo com a maior organização.
Mas de repente, uma voz lhe disse: “Inútil, inútil, inútil...” Santo Cristo! Estaria ele pirando? Aquela voz seria algum tipo de... Consciência?
Blimb já não sabia, não conseguia pensar, mal respirava normalmente, começou a transpirar e a gemer.
Foi aí que seus heróis surgiram! João Pedro, Paulo Adriano, Terezita e Emanuele entraram pela sala, como o quarteto fantástico invade território inimigo.
Sem pedir permissão ou licença, levaram Blimb dali.
De volta ao laboratório, Blimb tentava organizar seus pensamentos. Estava tudo tão confuso! Ele ficava a se perguntar por que e de que jeito... Mas no final a única pergunta era “comé que pode, cara?”
Os jovens cientistas conseguiram acalmar o pobre dragão. Graças ao estudo de Emanuele, eles agora sabiam que o melhor calmante, alimento e afrodisíaco dos dragões era o chocolate.
Infelizmente, os chocolates de verdade custavam quase dois reais na cantina da escola, então tiveram que comprar mm’s.
Blimb mastigava os mm’s coloridos, sentindo-se um pouco melhor, embora o corante o deixasse meio enjoado. Seus olhos estavam ainda rasos de lágrimas e ele queria ir embora dali o quanto antes.
-Calma, querido dragão, tudo ficará bem. – tranqüilizou-o Paulo Adriano
-É... Emanuelle encontrou um site que tem tudo o que precisamos saber.
-Na verdade, eu estava procurando imagens da Hello Kitty, mas aí tinha um link que mostrava um dragãozinho fofinho, parecido com você e eu resolvi entrar pra ver.
Blimb se esforçava pra se concentrar no diálogo dos amigos, mas as imagens da outra sala e do professor não lhe saiam da mente. Ele só pôde dizer:
-Foi tão horrível... me senti tão perdido... Foi a pior aula de Física que eu já tive...
João Pedro olhou para ele como se olhasse um cachorro abandonado:
-Não era Física. Era Biologia. E não é tão ruim assim... Você só teve uma revisão de mitose celular...
Pronto! Mitose celular! Era tudo que Blimb precisava ouvir pra entrar em colapso. Somente com 20 caixas de mm’s e muita paciência, os garotos conseguiram acalma-lo e devolve-lo a natureza.
Blimb agora estava livre de novo. Ainda meio zonzo, mas feliz por estar deixando aquele lugar tão estranho e tenebroso, chamado escola.
E enquanto voava lá em cima, admirando todas aquelas coisinhas e pessoinhas felizes, esqueceu de um pequeno detalhe – mas fundamental – olhar para frente!!
Com esse descuido, Blimb nem se deu conta como aconteceu tudo tão depressa. O fato é que momentos depois estava ele dentro de uma sala, onde todos o olhavam curiosamente. Blimb havia arregaçado a janela da escola da região.
Sentado entre os estilhaços da imensa janela, Blimb se sentiu pequenino, observado pela professora e os alunos da sexta serie, que ali estavam tendo uma palestra sobre “sexo e prevenção”.
O palestrante estava meio nervoso, era visível. O pobre rapaz estava cursando a faculdade de química e havia aceitado fazer a palestra só por que a diretora era amiga da sua mãe, faziam crochê juntas. Era a primeira vez que falava “dessas coisas” com crianças de 11 anos. E o crachá com seu nome “Sidy Ney” não o deixavam mais a vontade, pelo contrário, ele havia notado comentários inconvenientes a respeito disso. Estava se esforçando para ser claro nas explicações e agir com naturalidade ao ensinar como colocar uma camisinha. Mas era realmente constrangedor fazer isso com uma banana, diante de uma sala repleta de pirralhos! E agora aquele ser esquisito havia entrado de um jeito nada convencional e derrubado todos os seus potinhos com pílulas e coisas do gênero. O que mais faltava acontecer? Sidy se perguntava, quando o enorme dragão se levantou. Parecia bastante envergonhado também, o que fez Sidy relaxar um pouco. “Há males que vêm para o bem”. Lembrou ele.
E de fato, com a intromissão de Blimb na sala, as crianças se controlaram um pouco. Pararam de rir uma para as outras e se fixaram em Blimb.
Tanto quanto pra variar, Blimb se sentiu constrangido. Mas ao contrário do episódio com os Fat Dwarffs, agora ele sentiu que naquela sala ninguém estava disposto a sacanear. Olhavam para ele com uma curiosidade que era quase assustadora.
Olhou em volta e só então percebeu que se tratava de uma escola. Não que ele já estivesse estado em uma, mas entre os estilhaços da janela, estava uma grande placa, escrita “Escola Estadual de Campo Largo, Professor Bonifácio Estácio”. Achou interessante toda aquela coisa... Havia mapas e o alfabeto em cima da lousa. Para os ensinos geográficos, o globo terrestre estava na mesa da professora. Também haviam alguns trabalhos presos nas paredes. Mas Blimb notou que embora o local aspirasse cultura e conhecimento, aquelas crianças pareciam incrivelmente ignorantes. Quer dizer, a maioria usava a camisa por dentro da calça, que por sua vez quase passava do peito. Para completar o visual patético, alguns tinham o nariz escorrendo e as meninas usavam 52 000 tic tacs no cabelo e aquelas pulseirinhas bregas de silicone, até o cotovelo.
Blimb ficou a se perguntar como sairia dali, porque aqueles olhares sobre ele estavam começando a deixa-lo nervoso.
E aquele cara lá na frente... qualé a dele, hein? Cheio de coisas esquisitas na mão, com uma cara de perdido. Mas estranho que isso tudo era a professora. Embora a sala estivesse cheia de alunos, ela não parecia interessada em nenhum deles. Estava sentada na sua mesa, mascando um chiclete e lendo uma revista “Bons Fluidos” quando Blimb adentrou pela janela. Depois do acidente, as mudanças consistiram em uma redução na velocidade de mascar o chiclete e os olhos, que saíram da revista e pararam sob Blimb. Meio sem querer, a professora murmurou para si mesma “Só me falta essa... Cada um que me aparece...”
Mas como era de praxe, todos esperavam que ela, a professora dona Marieta, resolvesse a situação.
Como nada se fez, nada se resolveu. É a ordem natural das coisas. Porém, dona Marieta, jovem professora da sexta séria de uma escolinha pública, não ia perder a oportunidade que a vida estava lhe dando, naquele exato momento. Já havia reparado que o também jovem palestrante não se adaptava na sala de aula, assim como ela. E, além disso, tinham muitos outros pontos em comum, como por exemplo, dificuldades com pílulas e camisinhas... Após refletir alguns momentos, elaborou um engenhoso plano para vazar da sala, junto com Sidy Ney.
Levantou-se de sua mesa, e usando toda a sua desenvoltura teatral disse:
- Isso é um absurdo! Como pode invadir assim a minha sala de aula, no meio da brilhante palestra sobre... Bananas e suas embalagens exóticas. Isso não deve ser tolerado, comunicarei o fato à diretoria, imediatamente!
E assim saiu da sala. Antes, é claro, deu uma piscadela para Sidy Ney, que ficou meio confuso, mas achou melhor acatar a sugestão de sair dali, mesmo que fosse para os braços daquela professora esquisita. Mal teve tempo e coordenação motora para pegar suas coisas, tanto que muitos dos seus potinhos e camisinhas ficaram por ali mesmo, entregues a própria sorte com 25 crianças e um dragão medieval.
É claro que os alunos não se importaram em ficar a sós com Blimb, muito pelo contrário, sentiram-se completamente a vontade para explorar aquele estranho ser.
-Acho que devemos joga-lo de novo lá fora... – disse Maria Terezita, a única assustada com Blimb. Mais tarde, Blimb descobriria que ela tinha medo de tudo, porque nunca tinha tentado nada e também porque sofria de asma crônica.
-Claro que não! Não seja tonta, Terezita. A gente tem que primeiro ver como é que ele funciona – essa frase provocou calafrios em Blimb, que arregalou os olhos e fitou cada uma das crianças. Elas pareciam muito curiosas, e algumas já até se aproximavam para ver melhor e mexer nas escamas de Blimb, enquanto comentavam: “Olha! Que nariz” “Olha!! Olha as patas!” “cara, é praticamente o lobo-mau da chapeuzinho vermelho!”
-Ei! Pare com isso! O que você pensa que está fazendo?
-Olha gente! Ele fala!
-É claro que eu falo. O que você esperava? Que eu latisse?
Aos poucos as crianças foram ganhando intimidade com Blimb. E ele também se sentiu à vontade com elas. Tanto que no final da aula, estavam todos ao seu redor, para ouvir as aventuras do dragão.
O sinal tocou e aos poucos as crianças pegaram suas mochilas e lancheirinhas dos teletubies, e foram para casa. Mas 4 ficaram ali, olhando para Blimb. Eram dois meninos e duas meninas, uma delas Maria Terezita, com sua bomba asmática. A outra era Emanuele, visivelmente patricinha, pois usava maquiagem cremosa e todos os seus tic tacs e pulseiras eram rosa. A cada dois cm de corpo, havia um pom pom. Os meninos eram aparentemente normais, até que começaram a falar. Os dois eram visurados em biologia. João Pedro foi quem falou primeiro:
-Vamos leva-lo ao laboratório, para que possamos recolher amostras da epiderme.
-Concordo plenamente. – Paulo Adriano era ainda um iniciante, mas deixou Blimb bastante impressionado, com seus conhecimentos de Zoologia e Botânica.
No laboratório, houve um pequeno imprevisto.
Ao adentrarem no recinto, deram com uma cena no mínimo inusitada. Sidy Ney dava um amasso na professorinha, entre os tubos de ensaios e buretas. Quando entraram, fazendo todo aquele som de pacote Elma Chips sendo aberto e todo barulho característico de crianças. Dona Marieta tratou de levantar o coque sobre a cabeça e colocar a camisa dentro da saia novamente. E conseguiu, com grande desenvoltura, agir naturalmente. Em compensação, Sid Ney estava mais embaraçado do que nunca. E pra piorar um pouco mais a situação, tentou disfarçar:
-É... Bem... Crianças... Digo... Pré-adolescentes (risada forçada) eu estava aqui mostrando algumas coisas a respeito da palestra para a professora Marieta... Adoraria mostrar a vocês também, mas creio que é melhor esperar ate que completem seus 18 anos e...
Nisso Marieta já estava quase tendo um colapso. Conhecia bem seus alunos e sabia que aquela marca de batom no pescoço, o cabelo desajeitado e o zíper da calça aberto, condenariam o ato. Mas teve consciência de que Sid Ney era em demasia ingênuo, para perceber esses detalhes. Então tratou de ajuda-lo. Sem se importar em interromper o discurso do jovem palestrante, puxou-o para fora da sala, deixando as crianças e Blimb sozinhos, no laboratório.
João Pedro colocou um banquinho no centro da sala:
-Sente-se aqui – indicou o banco a Blimb.
Blimb, um tanto quanto constrangido, por estar sendo observado com tanta curiosidade, sentou-se.
-Muito bem, equipe. Vamos começar a estudar o objeto.
-Objeto??? Como assim, objeto? Fique sabendo que eu sou um legítimo dragão medieval e se estou aqui é porque...
-Shhhh! Silencio! Você deve permanecer calado e imóvel. Faça apenas o que lhe é dito.
Então joão Pedro foi buscar as pranchetas num armário do outro lado da sala. Emanuele aproximou-se, com seu jeitinho meigo e disse baixinho para Blimb:
-não se preocupe... o JP é assim mesmo. Se empolga um pouco sempre que pode. Nós não vamos fazer mal a você.
Isso tranqüilizou Blimb. Mas essa paz durou apenas alguns instantes, porque logo João Pedro voltou e distribuiu as pranchetas e as ordens:
-Paulo, você faz a classificação, de acordo com os princípios de Newton e Darwin. Eu vou tentar localizar a espécie no Atlas biológico. Terezita, recolha as amostras de pele...
-Mas eu sou alérgica! Eu acho...
-Ah... tudo bem... Emanuele, você fica com as amostras. Terezita, coloque uma máscara, luvas e roupa da NASA, precisamos de você no microscópio.
E assim foi por mais ou menos duas horas. Blimb foi cutucado, raspado, cheirado e até pintado, com o esmalte hiper-brilho de Emanuele. No fim, estava exausto e agradeceu aos céus quando João Pedro disse:
-Muito bem, equipe. Vamos dar um intervalo agora. Continuaremos ao término de Malhação.
-Aaaaaaaah!! É hoje!! É hoje!!! – exclamou Emanuele
-O que? O que aconteceu?!! – Blimb já imaginava coisas terríveis...
-É hoje que vamos descobrir se o Gui vai ficar com a Julia e sacar que a gravidez da Valéria é só fachada. E também vão desvendar o mistério do décimo quarto incêndio no Giga Byte... Quem será que foi dessa vez? A Drika, com seu cabelo roxo punk ou a santinha da Letícia, só pra chamar atenção do Rafa?
Blimb não entendeu nada, mas achou melhor não fazer mais perguntas. Até porque todos estavam saindo do laboratório e se encaminhando para a tv mais próxima, no grêmio da escola. O ultimo a sair foi João Pedro, que disse antes de fexar a porta:
-Você pode dar uma saída se quiser... só tome cuidado pra voltar a tempo, temos que terminar isso ainda hoje, porque amanhã eu tenho dentista. Ah... e não se confunda com as salas, são bem parecidas, mas esse é o único laboratorio, não erre.
E foi embora. Blimb então decidiu dar um role só pra ver qualé que era que tava pegando.
Andando pelos corredores da escola, Blimb refletia sobre a realidade daquela gente. Eram muito interessantes, sem dúvida. Tinham um modo de vida extremamente simples, e mesmo assim eram felizes a ponto de rirem do vento. Podiam comer chips o dia todo, todos os dias e ainda assim respiravam normalmente. Não precisavam de nada realmente importante, como objetivo de vida, oq importava era o final da novela, que já ia ao décimo segundo ano, com o vigésimo quinto elenco e o primeiro roteiro. E mesmo assim, conseguiam levantar de manhã para ir a escola, rir e brincar de adoleta no recreio.
Porem, notou também que haviam fatores fundamentais para que essa rotina funcionasse perfeitamente. Notou que todos estavam agrupados, e se sentiam seguros e felizes. Mas alguns estavam isolados, infelizes e pra piorar um pouco, avacalhados por tudo e todos. Eram esses os pobres “deslocados”, que não tinham amigos, nem dinheiro pra comprar chips, nem uma mochila do Barnei.
Blimb percebeu que estes ficavam pelos cantos dos corredores, olhando com medo para todos e fazendo o possível para se esconder. Um menino desses, foi emburrado por um grandão, que por sua vez, andava em grupo. Então todos se juntaram e fizeram uma rodinha ao redor do pequeno nerd. Ele era empurrado, como um porqueinho da índia naquelas barracas de festa junina.
Blimb pensou em intervir, mas quando se deu conta, também estava sercado por uns 12. era o fim, ele havia sucumbido a “rodinha punk”. Felizmente o monitor estava passando por ali naquele momento e desfez o desastre. Blimb queria agradecer, mas o tiozinho estava ocupado em tirar o papel higiênico molhado dó teto.
Continuou então a sua jornada, até que bateu um aperto. Ele precisava ir ao banheiro. Só que Blimb nunca havia estado numa escola antes. Entrou pela primeira porta que viu na frente. Instantes mais tarde descobriu que era um armário, pequeno e sujo como outro qualquer. Ele gostaria de ter ficado lá para ver o que tinha naquelas caixas que fediam tanto, mas foi jogado para fora. Dona Marieta estava lá com Sid Ney, mais atrapalhado do que nunca.
De volta aos corredores. Blimb então aprendeu que nada é tão ruim que não possa piorar. Uma vez que agora ele estava cansado, assustado, com vontade de mijar e com fome.
Sentiu aquele cheirinho de pão de batata. “deve ser a cantina”, pensou ele. Então foi seguindo aquele delicioso aroma... E de fato, em poucos minutos estava na cantina da escola. Mal teve tempo de sentir-se aliviado, pois um terror invadiu sua alma. Era a maior concentração de crianças, chips e cartas de Pokemon do mundo!!!
Mais assustador ainda foi imaginar como chegaria perto do balcão de salgados. Embora a maioria comprasse chips e não comida de verdade, havia muitos em volta do chinês pasteleiro, que tentava controlar a multidão, sem muito êxito.
Blimb pensou: “Só há um jeito... Mas não... seria horrível demais! Mas não posso... essa fome está me matando... só há um jeito... vou chegar de voadora. Dois pés nas costas de um resolve o meu problema.”
Decididio, Blimb se preparava para abrir caminho, quando algo inesperado aconteceu.
“Pééééééén”
Era o sinal. Significava que as crianças deveriam voltar para a sala. Blimb deveria ficar feliz, pois a cantina se esvaziaria, mas ao invés disso, sentiu um pânico quase tão grande quanto aquele que os Fat Dwuarff haviam provocado.
Todas as crianças corriam pela porta a fora, passando por cima uns dos outros e apostando quem tropeçava primeiro. Era quase como um estoura de uma manada de búfalos.
Depois de uns 5 minutos, Blimb pode levantar-se e ver a sua volta. Milhões de pacotes de chips no chão. Ninguém. Um silencio sepucral.
“bom... pelo menos agora tenho como descansar e comer alguma coisa, com calma, sem pressa...”
Foi aí que ele se lembrou que deveria voltar ao laboratório, como João Pedro havia falado. Mais desespero ainda, Blimb não se lembrava o caminho de volta. O jeito era apelar para a tentativa.
Correndo pelos corredores, subindo e descendo escadas, Blimb tentava encontrar alguém para ajuda-lo, mas todos estavam nas salas agora. Então, de repente, Blimb viu a porta. Ele tinha certeza de que ela levava ao laboratório. Correu em direção a ela, e sem pensar duas vezes entrou.
Numa fração de segundo, Blimb viu-se na situação mais sinistra de toda sua vida. Ao virar-se, viu uma sala cheia de alunos, todos com o mesmo olhar cansado e desiludido. Lá na frente, estava o professor, com seu jaleco sujo de giz e dizendo coisas que Blimb nunca conseguiria decifrar. No momento em que entrou, o mestre estava escrevendo coisas no quadro. Alguns dormiam, outros resolviam palavras-cruzadas e no fundo da sala, revistas circulavam livremente, assim como disc-mans e convites para o churrasco do fim de semana. Uma minoria prestava atenção, metade dessa minoria copiava e um quarto dessa metade entendia de fato.
Então todos se viraram e olharam para Blimb. Se sua estrutura celular permitisse, ele ficaria vermelho, mas como era um dragão, soltou fumacinhas tímidas pelas narinas, arregalou os olhos e sentiu as pernas tremendo.
O professor se virou e olhou Blimb:
-Jesus Cristo, como você é enorme!
Blimb notou que o velho usava óculos que pareciam binóculos, e se perguntou se deveria sair correndo ou morrer ali mesmo.
-Bem... procure uma carteira vazia e sente-se. A página é 74. Mas como vc é aluno novo, pode não ter o livro, então sente-se ao lado de alguém que tenha.
Blimb passou os olhos pela sala, procurando um lugar. Percebeu que ninguém, ou quase ninguém tinha o livro, então não fazia diferença. O problema maior é que o único lugar vago ficava num cantinho. Sendo assim, Blimb teve que passar entre as carteiras, derrubando um monte de coisas.
Acomodado (na medida do possível) na carteira, Blimb pôde ouvir os comentários maldosos dos colegas do fundo, a respeito da sua cauda. Mesmo depois de se sentar, Blimb sentia o olhar da sala. Mas gostava daquele ambiente, que aspirava conhecimento, sabedoria e respeito.
-Hei! Você aí do canto! Chega atrasado e fica viajando na batatinha? Você já sabe tudo? Pois ninguém é tão grande que não possa aprender e nem tão pequeno que não possa ensinar.
Que beleza! Menos de 15 minutos na sala e Blimb já havia levado sua primeira bronca. Achou melhor emprestar uma folha e começar a copiar a matéria. Mas ao começar, sentiu-se extremamente deprimido. Aqueles desenhos eram tão complexos de serem feitos! Nunca foi tão difícil fazer uma linha reta, ate porque Blimb sentia seus olhos fecharem, sua cabeça pesar e sua mão amolecer. O que estava acontecendo? Da onde vinha aquele sono? Antes que a resposta viesse, Blimb adormeceu profundamente na carteira.
....
Quando acordou, não sabia quanto tempo havia se passado. Era outro professor e outra aula, mas as pessoas a sua volta continuavam igualmente desinteressadas.
-Hei! Você aí, grandão! Por que não esta copiando? Quero ver suas anotações no fim da aula, hein?
Blimb novamente emprestou uma folha do seu colega ao lado, que acabou lhe dando o caderno, com a condição de que os desenhos da ultima página ficassem com ele.
Sentindo-se orgulhoso do seu primeiro caderno, Blimb percorreu as páginas vazias. Percebeu que já estava dividido por matéria. Tudo bem, organização era importante. Mas uma dúvida surgiu: “Que matéria é essa aí?”
Blimb não fazia idéia do que se tratava aqueles nomes estranhos no quadro, com todas aquelas flexas e parênteses.
Inicialmente achou que era História, pois do jeito que o professor falava, parecia alguma coisa a ver com o Egito ou algo assim. Mas então poderia ser também Geografia... Ou literatura... Mas no caderno tinha também Biologia, Química, Matemática, Física... Eram tantos nomes!
Resolveu copiar tudo em Física, já que os números e desenhos pareciam dizer alguma coisa do tipo Mecânica.
O que Blimb não esperava é que aquela aula iria transformar sua vida para todo o sempre. Estava atendo às explicações do professor e anotava tudo com a maior organização.
Mas de repente, uma voz lhe disse: “Inútil, inútil, inútil...” Santo Cristo! Estaria ele pirando? Aquela voz seria algum tipo de... Consciência?
Blimb já não sabia, não conseguia pensar, mal respirava normalmente, começou a transpirar e a gemer.
Foi aí que seus heróis surgiram! João Pedro, Paulo Adriano, Terezita e Emanuele entraram pela sala, como o quarteto fantástico invade território inimigo.
Sem pedir permissão ou licença, levaram Blimb dali.
De volta ao laboratório, Blimb tentava organizar seus pensamentos. Estava tudo tão confuso! Ele ficava a se perguntar por que e de que jeito... Mas no final a única pergunta era “comé que pode, cara?”
Os jovens cientistas conseguiram acalmar o pobre dragão. Graças ao estudo de Emanuele, eles agora sabiam que o melhor calmante, alimento e afrodisíaco dos dragões era o chocolate.
Infelizmente, os chocolates de verdade custavam quase dois reais na cantina da escola, então tiveram que comprar mm’s.
Blimb mastigava os mm’s coloridos, sentindo-se um pouco melhor, embora o corante o deixasse meio enjoado. Seus olhos estavam ainda rasos de lágrimas e ele queria ir embora dali o quanto antes.
-Calma, querido dragão, tudo ficará bem. – tranqüilizou-o Paulo Adriano
-É... Emanuelle encontrou um site que tem tudo o que precisamos saber.
-Na verdade, eu estava procurando imagens da Hello Kitty, mas aí tinha um link que mostrava um dragãozinho fofinho, parecido com você e eu resolvi entrar pra ver.
Blimb se esforçava pra se concentrar no diálogo dos amigos, mas as imagens da outra sala e do professor não lhe saiam da mente. Ele só pôde dizer:
-Foi tão horrível... me senti tão perdido... Foi a pior aula de Física que eu já tive...
João Pedro olhou para ele como se olhasse um cachorro abandonado:
-Não era Física. Era Biologia. E não é tão ruim assim... Você só teve uma revisão de mitose celular...
Pronto! Mitose celular! Era tudo que Blimb precisava ouvir pra entrar em colapso. Somente com 20 caixas de mm’s e muita paciência, os garotos conseguiram acalma-lo e devolve-lo a natureza.
Blimb agora estava livre de novo. Ainda meio zonzo, mas feliz por estar deixando aquele lugar tão estranho e tenebroso, chamado escola.
10 de out. de 2005
Cap IX - Se liga no Raaaaaaaap!
Porém, no caminho para a tão sonhada Fantástica Fabrica de Chocolate, Blimb percebeu que o céu estava ficando escuro. Nuvens imensas e pretas impediam a vista para a cidade. Então, logo quando começou a chover, ele resolveu pousar para evitar perda de olho ou outros acidentes esquisitos.
Estava no meio de uma floresta densa e escura, quando ao longe, viu uma luzinha piscando. Correu até ela, quando se deparou com vários seres estranhos, pequenos, orelhudos, verdes, feios que doíam na alma.
-Hei! Oôô Fat Dwarff! Presta atenção aí q a parada vai começa a rola!
Blimb assustou-se e tentou compreender a situação, mas ao se virar para ver se encontrava ajuda, deparou-se com um “Fat Dwarff” (um tipo de duende) que gritava para uma criatura rosa que voava:
-Aeee! Fay Fer! Tava demorando oooo muié!
-Calma Dend... Eu tava arrumando minha saia godê! Você não faz idéia de como é difícil alinhar todo esse tecido de terceira mão e além do mais...
Fay Fer era uma fadinha, muito delicada, mas que pelo jeito adorava reclamar e era bastante perfeccionista.
Blimb sentiu que era hora de ir embora, mas quando ia dando meia volta, dois“fat dwarffs” gigantes o pararam. O maior, que usava um crachá escrito “Fat Dwarff Heliot, vocal de Rap Batidão”, foi o primeiro a falar:
-Ae, irmão. Onde você pensa que vai? Acha que pode entra e sair quando bem entender?
Blimb sentiu o desespero crescendo dentro de si e quase chorando disse:
- Não, não... Por favor, eu não sei onde estou... Estou perdido! O que são vocês?
O Fat Dwarff Heliot pareceu ofendido com a pergunta:
-Como assim “o que” somos nós? Ta achando que nós não somos gente também é? Qualé a tua, meu irmão? Tipo que mano sem noção de respeito acorda com a boca cheia de formiga, ta ligado?
O outro Fat Dwarff, também vocal de Rap Batidão, se chamava Elf. E embora fosse menor do que Heliot era aparentemente mais forte:
-É isso aí, cara... Comeh que você vem chegando assim na nossa propriedade e já começa com as ofensas? Ta pensando que é a casa da mãe Joana?
- Peraí Elf, eu já to sacando a do cara... Tu não gosta da gente só porque nóis semo verde, pobre e discriminado né? Só pq nóis canta rap! – concluiu Heliot.
- Ah é... Ó o estilo do brow... Que palhaço!
Blimb uniu toda a sua coragem para se defender:
-Esperem aí, não é nada disso! Eu nem sei do que vocês estão falando. Pousei aqui por causa da chuva e...
- Come que é, brow? Então tu ta nos dizendo q tu não conhece o maior evento de Magic Rap do país? Ta me zuando, né cara?
Blimb se sentiu a criatura mais ignorante do mundo. E com toda a sua inocência de quem acabara de descobrir que essa coca é fanta, Blimb perguntou:
– Mas... O que é rap?
Até o determinado momento, no local transitava várias criaturas estranhas, duendes, fadas e unicórnios, todos ocupados com suas roupas, maquiagem e equipamentos. Ninguém estava prestando atenção em Blimb e seus dois novos “companheiros”, mas ao soar a fatídica pergunta, o silêncio dominou o local, todos olhavam para Blimb.
Isso durou alguns momentos, que para Blimb pareceram horas. Calmamente, como que num estado de êxtase, Elf disse para Heliot, quase que num sussurro e sem tirar os olhos de Blimb:
- Ele não sabe o que é Rap.
Como que num passe de mágica, o escândalo foi geral. Tinha gente batendo na própria cabeça, girando em círculos, outros que caiam no chão lamacento chorando... E alguns tentavam se comunicar entre si, perguntavam-se porque e como, mas no final a pergunta se tornava uma só: “Come que pode, cara”?
Então, com mais medo que antes, e sem saber o que fazer, Blimb começou a chorar. De seu enorme nariz saiu uma rajada de fogo que incendiou metade do local.
Novamente veio o silêncio e todos pararam com suas atividades doentias, olhando para Blimb.
O primeiro a falar dói o imenso Fat Dwarff
- Nooooooossa mano! Olha o tipo do cara! Ele solto fogo pelo nariz!!!
A surpresa foi geral. E enquanto o burbulho de comentários exitados dominava o ambiente, Blimb tentava se explicar, sem sucesso.
Um duende estiloso, de casaco de couro e óculos escuros, saiu do meio da multidão e disse para Blimb:
-Iiih, brow... Mermão... Tu tem jeito pro rap, einh?
-Como assim? Eu nem sei o que é rap! – respondeu gaguejante Blimb.
-Po brow... Ce ta apelando... Ta, olha só, a parada é a seguinte: Tu, na hora, inventas umas rima e cria uns rap legal... Entendeu? Aqui nesse concurso, o que rola é o seguinte: O Duelo Rap envolve fadas e duendes traficantes e drogados do mundo intero. Cada um tem q criar um rap mais legal. Quem conseguir dar “uma arregaçada” no outro ganha... Entendeu?
-Arregaçada? –perguntou Blimb
-ééé cara... Você tem q deixar o outro sem resposta – explicou uma das fadas
-Umh... Legal... O que são vocês?
-Eu sou uma fada...Chame-me de Fay fade
-Eu sou um duende... Pode me chamar de Fatslow.
- aaah, eu sou um Dragão Medieval... Me chamo Blimb.
- Sooh... Ae cara... Vai começa a parada... Vem pra cá...
Seguindo os outros duendes, Blimb entrou num barracão, deixando as árvores em fogo para trás.
- Aee seus bando de bunda mole! A parada vai rola! Mas antes de tudo, gostaria de dar uns recados, certo? Eu to ligado que vocês tão a fim de atirar um poco pros seus rapzistas favoritos, mas, a gente tem q coordena a parada aqui. Quem atirar é expulso do estabelecimento, ta entendido? Então, vamos lá, peguem suas armas, e acionem a trava de segurança, falou? – explicou Fatslow
Blimb viu umas 92789237823187213 armas serem seguradas por 812872389 mãos e todas as travas de segurança serem acionadas.
O Show começou. A primeira dupla cantou um rapzinho de quinta categoria, mas Blimb “curtiu a parada”. Maconha pra todo lado, cigarro pras crianças, cerveja pra lá, cerveja pra cá, Blimb lembrou-se de seu amigo canguru, o Emule e da primeira e última bebedeira.
Então, chegou a vez do último duelo. Para satisfazer a vontade dos organizadores do evento, Blimb concordou em cantar contra o maior rapzista do mundo. O Fat Dwarff Eigthball !!!
Começou.
Fat Dwarff Eigthball apavorou geral. Com seu rap dizia “ôoô, olha o Brow... acha q é muito só pq solta fogo pelo nariz... o u cara acha q vai me zoar, mas ce pode dize adeus, pq o Fat Dwarff chego, só pra azarar! OooOoo apavorando geral! O Fat Dwarff chegou! OooOoo”
E a galera pulava a cantava junto, no ritmo do batidão. Chegou a vez de Blimb:
“Era um gato preto... pretooo, pretooo”
Mas logo percebeu que ninguém realmente curtiu a parada...
Tentou de novo:
“Meu coração, esta perdidamente apaixonado, perdida...”.
Mas viu q a parada também não colou. Então, lhe surgiu uma idéia. Inspirado na situação que passou na prisão, Blimb começou a cantar:
“Por causa que nóis somo mano / Preto pobre discriminado / lá no morro e na favela / Os cara sem respeito e atitude / Só se liga no rap! / Só se liga no rap! / porque nóis somo pobre feio / verde orelhudo / porque nois soh se liga no rap / rap rap rap / preto pobre discriminado / e o povo sem noção / os cara sem respeito / soh se liga no raaap / soh se liga no raaap!!! / raaaaaaaap!!
A galera explodiu!
Simplesmente foi o maior sucesso de todos os tempos! Ele logo foi chamado de FatBlimb ou FatDragon, mas o que ele gostava mesmo era Fat Dragon Blimb, pq soava bem. Virou o rapzista do momento... Após terem comido umas gororoba cinza com aparência radioativa, foram dormir.
De manha, quando o céu já estava limpo, FatBlimb se despediu de todos. Ganhou o cd do Fat Dwarff Eightball “No céu com Rap, na terra com Fat Dwarff” e levantou vôo.
Agora, estava novamente em direção à terra amada. Estava um pouco mudado, é verdade. E embora a viseira virada pra trás, os óculos escuros e a jaqueta com o nome do seu single “Se liga no Raaaaaap!”, modificassem sua aparência, sua determinação estava inabalada. Queria logo encontrar a Fábrica de Chocolate.
Estava no meio de uma floresta densa e escura, quando ao longe, viu uma luzinha piscando. Correu até ela, quando se deparou com vários seres estranhos, pequenos, orelhudos, verdes, feios que doíam na alma.
-Hei! Oôô Fat Dwarff! Presta atenção aí q a parada vai começa a rola!
Blimb assustou-se e tentou compreender a situação, mas ao se virar para ver se encontrava ajuda, deparou-se com um “Fat Dwarff” (um tipo de duende) que gritava para uma criatura rosa que voava:
-Aeee! Fay Fer! Tava demorando oooo muié!
-Calma Dend... Eu tava arrumando minha saia godê! Você não faz idéia de como é difícil alinhar todo esse tecido de terceira mão e além do mais...
Fay Fer era uma fadinha, muito delicada, mas que pelo jeito adorava reclamar e era bastante perfeccionista.
Blimb sentiu que era hora de ir embora, mas quando ia dando meia volta, dois“fat dwarffs” gigantes o pararam. O maior, que usava um crachá escrito “Fat Dwarff Heliot, vocal de Rap Batidão”, foi o primeiro a falar:
-Ae, irmão. Onde você pensa que vai? Acha que pode entra e sair quando bem entender?
Blimb sentiu o desespero crescendo dentro de si e quase chorando disse:
- Não, não... Por favor, eu não sei onde estou... Estou perdido! O que são vocês?
O Fat Dwarff Heliot pareceu ofendido com a pergunta:
-Como assim “o que” somos nós? Ta achando que nós não somos gente também é? Qualé a tua, meu irmão? Tipo que mano sem noção de respeito acorda com a boca cheia de formiga, ta ligado?
O outro Fat Dwarff, também vocal de Rap Batidão, se chamava Elf. E embora fosse menor do que Heliot era aparentemente mais forte:
-É isso aí, cara... Comeh que você vem chegando assim na nossa propriedade e já começa com as ofensas? Ta pensando que é a casa da mãe Joana?
- Peraí Elf, eu já to sacando a do cara... Tu não gosta da gente só porque nóis semo verde, pobre e discriminado né? Só pq nóis canta rap! – concluiu Heliot.
- Ah é... Ó o estilo do brow... Que palhaço!
Blimb uniu toda a sua coragem para se defender:
-Esperem aí, não é nada disso! Eu nem sei do que vocês estão falando. Pousei aqui por causa da chuva e...
- Come que é, brow? Então tu ta nos dizendo q tu não conhece o maior evento de Magic Rap do país? Ta me zuando, né cara?
Blimb se sentiu a criatura mais ignorante do mundo. E com toda a sua inocência de quem acabara de descobrir que essa coca é fanta, Blimb perguntou:
– Mas... O que é rap?
Até o determinado momento, no local transitava várias criaturas estranhas, duendes, fadas e unicórnios, todos ocupados com suas roupas, maquiagem e equipamentos. Ninguém estava prestando atenção em Blimb e seus dois novos “companheiros”, mas ao soar a fatídica pergunta, o silêncio dominou o local, todos olhavam para Blimb.
Isso durou alguns momentos, que para Blimb pareceram horas. Calmamente, como que num estado de êxtase, Elf disse para Heliot, quase que num sussurro e sem tirar os olhos de Blimb:
- Ele não sabe o que é Rap.
Como que num passe de mágica, o escândalo foi geral. Tinha gente batendo na própria cabeça, girando em círculos, outros que caiam no chão lamacento chorando... E alguns tentavam se comunicar entre si, perguntavam-se porque e como, mas no final a pergunta se tornava uma só: “Come que pode, cara”?
Então, com mais medo que antes, e sem saber o que fazer, Blimb começou a chorar. De seu enorme nariz saiu uma rajada de fogo que incendiou metade do local.
Novamente veio o silêncio e todos pararam com suas atividades doentias, olhando para Blimb.
O primeiro a falar dói o imenso Fat Dwarff
- Nooooooossa mano! Olha o tipo do cara! Ele solto fogo pelo nariz!!!
A surpresa foi geral. E enquanto o burbulho de comentários exitados dominava o ambiente, Blimb tentava se explicar, sem sucesso.
Um duende estiloso, de casaco de couro e óculos escuros, saiu do meio da multidão e disse para Blimb:
-Iiih, brow... Mermão... Tu tem jeito pro rap, einh?
-Como assim? Eu nem sei o que é rap! – respondeu gaguejante Blimb.
-Po brow... Ce ta apelando... Ta, olha só, a parada é a seguinte: Tu, na hora, inventas umas rima e cria uns rap legal... Entendeu? Aqui nesse concurso, o que rola é o seguinte: O Duelo Rap envolve fadas e duendes traficantes e drogados do mundo intero. Cada um tem q criar um rap mais legal. Quem conseguir dar “uma arregaçada” no outro ganha... Entendeu?
-Arregaçada? –perguntou Blimb
-ééé cara... Você tem q deixar o outro sem resposta – explicou uma das fadas
-Umh... Legal... O que são vocês?
-Eu sou uma fada...Chame-me de Fay fade
-Eu sou um duende... Pode me chamar de Fatslow.
- aaah, eu sou um Dragão Medieval... Me chamo Blimb.
- Sooh... Ae cara... Vai começa a parada... Vem pra cá...
Seguindo os outros duendes, Blimb entrou num barracão, deixando as árvores em fogo para trás.
- Aee seus bando de bunda mole! A parada vai rola! Mas antes de tudo, gostaria de dar uns recados, certo? Eu to ligado que vocês tão a fim de atirar um poco pros seus rapzistas favoritos, mas, a gente tem q coordena a parada aqui. Quem atirar é expulso do estabelecimento, ta entendido? Então, vamos lá, peguem suas armas, e acionem a trava de segurança, falou? – explicou Fatslow
Blimb viu umas 92789237823187213 armas serem seguradas por 812872389 mãos e todas as travas de segurança serem acionadas.
O Show começou. A primeira dupla cantou um rapzinho de quinta categoria, mas Blimb “curtiu a parada”. Maconha pra todo lado, cigarro pras crianças, cerveja pra lá, cerveja pra cá, Blimb lembrou-se de seu amigo canguru, o Emule e da primeira e última bebedeira.
Então, chegou a vez do último duelo. Para satisfazer a vontade dos organizadores do evento, Blimb concordou em cantar contra o maior rapzista do mundo. O Fat Dwarff Eigthball !!!
Começou.
Fat Dwarff Eigthball apavorou geral. Com seu rap dizia “ôoô, olha o Brow... acha q é muito só pq solta fogo pelo nariz... o u cara acha q vai me zoar, mas ce pode dize adeus, pq o Fat Dwarff chego, só pra azarar! OooOoo apavorando geral! O Fat Dwarff chegou! OooOoo”
E a galera pulava a cantava junto, no ritmo do batidão. Chegou a vez de Blimb:
“Era um gato preto... pretooo, pretooo”
Mas logo percebeu que ninguém realmente curtiu a parada...
Tentou de novo:
“Meu coração, esta perdidamente apaixonado, perdida...”.
Mas viu q a parada também não colou. Então, lhe surgiu uma idéia. Inspirado na situação que passou na prisão, Blimb começou a cantar:
“Por causa que nóis somo mano / Preto pobre discriminado / lá no morro e na favela / Os cara sem respeito e atitude / Só se liga no rap! / Só se liga no rap! / porque nóis somo pobre feio / verde orelhudo / porque nois soh se liga no rap / rap rap rap / preto pobre discriminado / e o povo sem noção / os cara sem respeito / soh se liga no raaap / soh se liga no raaap!!! / raaaaaaaap!!
A galera explodiu!
Simplesmente foi o maior sucesso de todos os tempos! Ele logo foi chamado de FatBlimb ou FatDragon, mas o que ele gostava mesmo era Fat Dragon Blimb, pq soava bem. Virou o rapzista do momento... Após terem comido umas gororoba cinza com aparência radioativa, foram dormir.
De manha, quando o céu já estava limpo, FatBlimb se despediu de todos. Ganhou o cd do Fat Dwarff Eightball “No céu com Rap, na terra com Fat Dwarff” e levantou vôo.
Agora, estava novamente em direção à terra amada. Estava um pouco mudado, é verdade. E embora a viseira virada pra trás, os óculos escuros e a jaqueta com o nome do seu single “Se liga no Raaaaaap!”, modificassem sua aparência, sua determinação estava inabalada. Queria logo encontrar a Fábrica de Chocolate.
27 de set. de 2005
Cap. VIII - O Vôouooouoooôoouo!
Blimb estava radiante de alegria: agora ele sabia o que era. Estava cada vez mais próximo da verdade. Caminhando lentamente pelo acostamento da estrada de terra, lembrou-se novamente da gravura no livro. "Com certeza um dragão. Grande, forde, cuspidor de fogo e voador". De repente teve um estalo mental!! "Eu posso voar!!!" Olhou para suas asinhas nas costas, pequenas e inertes:
-Minhas asas ainda são pequenas, mas tenhi qye treiná-las para o vôo, assim chegarei mais rápido à Fábrica. - disse a si mesmo, confiante e determinado.
Nos dias que se seguiram, Blimb dedicou-se a fortalecer suas asinhas. Batia-as com muito esforço enquanto caminhava. No começo, era muito cansativo, mas depois pegou agilidade e suas asas batiam com força, quase levantando Blimb do chão. No fim de uma semana, ele se sentiu capaz de tentar seu primeiro vôo.
Queria um lugar apropriado. Não só por ser um momento especial - era sua primeira vez - mas também porque "a técnica do vôo necessita de prática e condições necessárias".
Pensava nisso quando encontrou uma clareira, próxima a estrada.
Era um lugar alto. De lá podia-se ver várias fazendas, muito verdes, e ao longe uma cidade. Depois de observar a paisagem por alguns minutos, criou coragem e saltou para a libertade!!
Logo que sentiu os pés fora do chão, Blimb bateu as asas com todas as suas forças. De fato, ele conseguiu se manter no ar por algum tempo. Cinco segundos para ser exata.
Blimb sentiu um repuxo nas costas e uma forte dor dominou seu corpo, no começo era só umas pontadas na espinha, mas depois tornou-se tão insuportável que ele não conseguia se mexer.
E assim foi caindo, caindo, sentindo o vento bater contra o seu corpo. Não demorou muito e Blimb estava no chão, ou quase isso.
A região da clareira era uma floresta, então ao cair, Blimb se enroscou entre os galhos de um Pinheiro.
Então, naquela típica pose desconfortável, Blimb tentou se ajeitar o melhor possível. A cãibra estava mais amena agora e ele podia mexer parte da sua mão esquerda.
Ficou embolado entre os galhos e pinhas até escurecer. No cair da tarde, enquanto admirava o pôr do sol, Blimb foi surpreendido por um estranho animal:
-Ei!! Ô grandão aí! O que você pensa que está fazendo???
Blimb ficou a se perguntar se era com ele que aquela avesinha intrigada estava falando. Tentou olhar pra trás, pra ver se tinha um outro "grandão" por ali, mas estava enroscado de um jeito que a sua cabeça só podia olhar pra uma direção.
-O quê? Eu??
-Não, meu filho... O papa!
Pronto! Agora tudo estava confuso... Um passarinho esquisito queria falar com o papa, Blimb estava preso entre os galhos de uma árvore tão esquisita quanto o bichinho e agora estavam procurando pelo Papa.
-O papa?? Acho que ele deve estar em outra árvore. Aqui eu estou sozinho.
-Ah, que gracinha ele!! Como você é engraçadão!! Há Há Há!
Blimb pensou, pensou e pensou... finalmente disse:
-Você acha mesmo? Estranho... ninguém nunca me disse isso.
A avesinha ficou realmente enfezada. Vôou para perto de Blimb e pousou no nariz do dragãozinho.
-Mas que diabos e você, afinal?
Blimb sorriu orgulhoso por poder respoder com convicção:
-Eu sou um dragão medieval.
-Eu não sei o que é um dragão medieval. E também pouco me importa. O que me interessa é saber o que você está fazendo no meio da minha casa!!!
-Sua casa? Você mora nessa árvore esquisita?
Pronto! O barraco tava montado...
-Ora! Vou te mostrar quem é o esquisito aqui!
E num movimento ágil, a Gralha Azul puxou um galho estratégico e Blimb caiu os 25 metros restantes. Ao chegar lá embaixo, Blimb pôde ouvir as gargalhadas do seu "colega". Este, por sua vez, ficou muito surpreso pela reação do outro:
-Puxa vida! Muito Obrigado! Nem sem como lhe agradecer!!
-Comé que é?? Eu te jogo 12 andares abaixo e você me agradece??
-É que eu estou preso nesse galhos desde o meio dia e...
Então Blimb sem querer, contou como tinha parado ali e toda a sua história de vida. No fim, a gralha azul estava no pé da árvore, junto com Blimb, comentando os fatos dessa vida traiçoeira.
-Pois é, amigo dragão medieval. Eu também estou entre esse galhos há muito tempo. Ás vezes o bicho pega e a gente tem que se virar, né? Mesmo assim, acho que cada um é cada um, não é não? E sabe que essa floresta ensina muito pra gente. Veja só você a sua volta... todos esses pinheiros foram plantados por mim e meus parentes gralhas. E nunca tivemos nenhum curso de botânica ou biologia florestal.
-Realmente impressionante. - Blimb estava encantado com as histórias de seu novo amiguinho. E naquela noite, ele aprendeu mais uma coisa: comer pinhão.
-É muito simples, oh dragão. Você tem que tirar da casca e depois é só alegria.
Blimb gostou muito daquele novo artifício culinário. Embora tenha comido algumas dúzias de casca.
Não demorou muito e os dois dormiram sob a luz do luar, com muitos pinhões em volta.
No outro dia de manhã:
-E aí cumpadi! Acorda pra cuspir! Ó aí que o pinhão já ta chegando!!
E assim foi o café da manhã. E o almoço. E a janta. E assim foi nos 3 dias que se seguiram.
É claro que nesse período, ele não ficaram só comendo pinhão. Grauco notou a dificuldade de vôo do seu companheiro, e como sagaz voador, resolveu prestar auxilio.
-Ae, amizadi! Você tem que sacar melhor as coisas, saca? Tipo que não adianta você bater as asas tudo de uma vez. Se não você gasta toda a energia e aí... Ah, você já sabe o que acontece, né?
E assim Blimb aperfeiçoôu suas técnicas de vôo e pôde seguir viagem, agora por ar.
Mas antes de partir, se informou com Grauco a respeito da região:
-Basicamente são fazendas... Há alguns kilometros tem uma cidade, mais ou menos grande e mais ou menos importante. Dizem que tem uma Fábrica batuta lá... parece que de doce ou algo assim e...
Mas Grauco não pôde terminar suas instruções, pois Blimb decolou na velocidade de um espirro, em direção à cidade da Fántástica Fábrica de Chocolates.
Fim do Cap. VIII
-Minhas asas ainda são pequenas, mas tenhi qye treiná-las para o vôo, assim chegarei mais rápido à Fábrica. - disse a si mesmo, confiante e determinado.
Nos dias que se seguiram, Blimb dedicou-se a fortalecer suas asinhas. Batia-as com muito esforço enquanto caminhava. No começo, era muito cansativo, mas depois pegou agilidade e suas asas batiam com força, quase levantando Blimb do chão. No fim de uma semana, ele se sentiu capaz de tentar seu primeiro vôo.
Queria um lugar apropriado. Não só por ser um momento especial - era sua primeira vez - mas também porque "a técnica do vôo necessita de prática e condições necessárias".
Pensava nisso quando encontrou uma clareira, próxima a estrada.
Era um lugar alto. De lá podia-se ver várias fazendas, muito verdes, e ao longe uma cidade. Depois de observar a paisagem por alguns minutos, criou coragem e saltou para a libertade!!
Logo que sentiu os pés fora do chão, Blimb bateu as asas com todas as suas forças. De fato, ele conseguiu se manter no ar por algum tempo. Cinco segundos para ser exata.
Blimb sentiu um repuxo nas costas e uma forte dor dominou seu corpo, no começo era só umas pontadas na espinha, mas depois tornou-se tão insuportável que ele não conseguia se mexer.
E assim foi caindo, caindo, sentindo o vento bater contra o seu corpo. Não demorou muito e Blimb estava no chão, ou quase isso.
A região da clareira era uma floresta, então ao cair, Blimb se enroscou entre os galhos de um Pinheiro.
Então, naquela típica pose desconfortável, Blimb tentou se ajeitar o melhor possível. A cãibra estava mais amena agora e ele podia mexer parte da sua mão esquerda.
Ficou embolado entre os galhos e pinhas até escurecer. No cair da tarde, enquanto admirava o pôr do sol, Blimb foi surpreendido por um estranho animal:
-Ei!! Ô grandão aí! O que você pensa que está fazendo???
Blimb ficou a se perguntar se era com ele que aquela avesinha intrigada estava falando. Tentou olhar pra trás, pra ver se tinha um outro "grandão" por ali, mas estava enroscado de um jeito que a sua cabeça só podia olhar pra uma direção.
-O quê? Eu??
-Não, meu filho... O papa!
Pronto! Agora tudo estava confuso... Um passarinho esquisito queria falar com o papa, Blimb estava preso entre os galhos de uma árvore tão esquisita quanto o bichinho e agora estavam procurando pelo Papa.
-O papa?? Acho que ele deve estar em outra árvore. Aqui eu estou sozinho.
-Ah, que gracinha ele!! Como você é engraçadão!! Há Há Há!
Blimb pensou, pensou e pensou... finalmente disse:
-Você acha mesmo? Estranho... ninguém nunca me disse isso.
A avesinha ficou realmente enfezada. Vôou para perto de Blimb e pousou no nariz do dragãozinho.
-Mas que diabos e você, afinal?
Blimb sorriu orgulhoso por poder respoder com convicção:
-Eu sou um dragão medieval.
-Eu não sei o que é um dragão medieval. E também pouco me importa. O que me interessa é saber o que você está fazendo no meio da minha casa!!!
-Sua casa? Você mora nessa árvore esquisita?
Pronto! O barraco tava montado...
-Ora! Vou te mostrar quem é o esquisito aqui!
E num movimento ágil, a Gralha Azul puxou um galho estratégico e Blimb caiu os 25 metros restantes. Ao chegar lá embaixo, Blimb pôde ouvir as gargalhadas do seu "colega". Este, por sua vez, ficou muito surpreso pela reação do outro:
-Puxa vida! Muito Obrigado! Nem sem como lhe agradecer!!
-Comé que é?? Eu te jogo 12 andares abaixo e você me agradece??
-É que eu estou preso nesse galhos desde o meio dia e...
Então Blimb sem querer, contou como tinha parado ali e toda a sua história de vida. No fim, a gralha azul estava no pé da árvore, junto com Blimb, comentando os fatos dessa vida traiçoeira.
-Pois é, amigo dragão medieval. Eu também estou entre esse galhos há muito tempo. Ás vezes o bicho pega e a gente tem que se virar, né? Mesmo assim, acho que cada um é cada um, não é não? E sabe que essa floresta ensina muito pra gente. Veja só você a sua volta... todos esses pinheiros foram plantados por mim e meus parentes gralhas. E nunca tivemos nenhum curso de botânica ou biologia florestal.
-Realmente impressionante. - Blimb estava encantado com as histórias de seu novo amiguinho. E naquela noite, ele aprendeu mais uma coisa: comer pinhão.
-É muito simples, oh dragão. Você tem que tirar da casca e depois é só alegria.
Blimb gostou muito daquele novo artifício culinário. Embora tenha comido algumas dúzias de casca.
Não demorou muito e os dois dormiram sob a luz do luar, com muitos pinhões em volta.
No outro dia de manhã:
-E aí cumpadi! Acorda pra cuspir! Ó aí que o pinhão já ta chegando!!
E assim foi o café da manhã. E o almoço. E a janta. E assim foi nos 3 dias que se seguiram.
É claro que nesse período, ele não ficaram só comendo pinhão. Grauco notou a dificuldade de vôo do seu companheiro, e como sagaz voador, resolveu prestar auxilio.
-Ae, amizadi! Você tem que sacar melhor as coisas, saca? Tipo que não adianta você bater as asas tudo de uma vez. Se não você gasta toda a energia e aí... Ah, você já sabe o que acontece, né?
E assim Blimb aperfeiçoôu suas técnicas de vôo e pôde seguir viagem, agora por ar.
Mas antes de partir, se informou com Grauco a respeito da região:
-Basicamente são fazendas... Há alguns kilometros tem uma cidade, mais ou menos grande e mais ou menos importante. Dizem que tem uma Fábrica batuta lá... parece que de doce ou algo assim e...
Mas Grauco não pôde terminar suas instruções, pois Blimb decolou na velocidade de um espirro, em direção à cidade da Fántástica Fábrica de Chocolates.
Fim do Cap. VIII
15 de set. de 2005
Cap VII - No meio do caminho havia uma pedra (ou um dragão)
Ainda confuso pelos acontecimentos anteriores, Blimb andava pela estrada. Sem dúvida o dia anterior o deixara esgotado e ele não tivera tempo pra descansar. Enquanto refletia sobre tudo que aconteceu, esticava o dedão com a enorme garra na direção onde estava indo.
Já havia andado alguns quilômetros sem conseguir nenhuma carona, quando ouviu uma voz:
-Mamãe!! Mamãe!! Manhê!!! Ô mãe!!!
-Que que foi Jorjinho?
-Olha lá, mãe! Olha lá! Um corcunda andando na beira da estrada!!!
-São Crispin do Pururu! O que será isso??
-Vamos ver?? Vamos? Vamos???
-Tenha calma, Jorjinho. Vou pedir pro seu pai. Benhê, enconsta o carro pra nóis vê o que que se sucede.
Então o carro parou, alguns metros a frente de Blimb. Se tivesse energia, ele correria até o carro e agradeceria a carona de mil formas diferentes, mas estava tão cansado que só pôde se sentar, tornando-se uma figura mais bizarra ainda.
-Ih... ó lá mãe... parece que ele tá sentado. Posso chegar perto?? Posso, possso??
-Sussega, menino! Espere aqui que eu vou ver se está tudo bem.
Dona Karlota se aproximou de Blimb e com um pouco de medo na voz, disse:
- Está tudo bem com você? Para onde está indo?
Blimb queria dizer alguma coisa, mas apenas fez gestos. Depois do incidente na prisão, os humanos o deixavam intimidado. Respondeu positivamente palançando a cabeça e apontou com o dedão para frente. Havia passado o dia todo com a mão naquela posição e por mais que tentasse, ela não retornava a forma normal.
Dona Karlota abriu a boca para dizer mais alguma coisa mas foi interrompida:
-Mamãe!! Mãe! Manhê! Você já descobriu o que ele é?? hein? hein???
-Quieto Jorjinho! Ele parece estar meio doente... - virou-se novamente para Blimb- olha, se você quiser um lugar pra ficar essa noite, pode vir com a gente, é só entrar ali no carro e...
-É sério, mãe?? Podemos ficar com ele??? Podemos?? Que batuta!! Vou contar pra todo mundo! Aposto que ninguém tem um... um coisa de estimação!!!
-Jorjinho, não tire conclusões precipitadas.
-Hein?? O que é conclusão?? E o que é precipitadas?? hein? hein??
-Ah Jorjinho, pergunta pro seu pai.
O garoto correu em direção ao carro e deixou a mãe com Blimb, que reuniu todas as suas forças e levantou, revelando sua avantajada altura.
Diante daquilo, Dona Karlota se espantou tanto que quase pensou em desistir da proposta, mas Blim a olhou com um olhar tão meigo e agradecido, que ela nda disse.
Entraram todos no carro, uma D-20 verde.
-Mas o que você colocou aí atrás? Um dragão?? - perguntou Seu Jorje.
-Hum... um dragão... - murmurou dona Karlota e ficou pensando nas figuras de dragão que tinha visto nos livros de histórias. De fato, Blimb se parecia muito com um daqueles enormes dragões devoradores de gente, que aprisionavam princesas em castelos sombrios. Mas ao se lembrar do olhar do dragãozinho, ela não pôde acreditar que ele fizesse mal algum a alguém.
Jorjinho era o menos preocupado. Ficara tão empolgado com Blimb que já planejava mil coisas para fazerem juntos.
Na carroceria da camionete, Blimb não se importava com o dia seguinte, nem com os homens da COPE... ele dormia o sono dos justos, sonhando novamente com a Fantástica Fábrica de Chocolates.
Ao chegarem em casa, uma grande fazenda com um grande celeiro e uma grande casa, a família Fielder pensaram em despertar o sono do estranho ser. Mas acharam melhor deixá-lo dormir até de manhã. Excerto Jorjinho, que insistia que seria melhor pra todo mundo acordar Blimb e descobrir logo o que ele era.
-Jorjinho, você já aprontou muito hoje. Já quebrou o vidro da Dona Margarete, soltou os cachorros da carrocinha, ralou o joelho enquanto corria do seu Manuel da padaria, que por sinal ficou muito nervoso por você ter cantado a música Roda-roda-vira, do Mamonas Assassinas.
-HaHahahahahhaaha!! Meu filho fez isso??? Que barato!! E como foi, Jorijinho, o português pirou o cabeção? Ou melhor, pirou o barrigão?? Hahahahaha...
-Ah pai, nem foi tanto assim. Eu só cantei um pouquinho aquela parte: "O Manuel na cabeça tem titica, larga de porcaria e vai cuidar da padaria..." e eu juro que nem era pra provocar ele. E por que eu estava com aquela música na cabeça e...
-Já chega vocês dois!! Jorje, esse menino vai crescer um marginal se você continuar incentivando certas atitudes.... e Jorjinho, já ta na hora de você ir pra cama.
-Qué isso, amor... Não tô incentivando nada. Só achei engraçado, imagina a cara do seu Manuel...
E os três subiram rindo do pobre português.
No meio da noite, enquanto todos dormiam, Jorjinho se levantou e foi até a garagem, onde Blimb dormia na carroceria da camionete.
Ficou a olhar o estranho animal por alguns instantes e resolveu acordá-lo. Cutucou uma vez com um graveto. Blimb nem reagiu. Cutucou um pouco mais forte e Blimb se virou, revelando sua magestosa cara de dragão. O menino se assustou um pouco, nunca tinha visto nada igual, mas criou coragem e cutucou mais forte ainda, no olho do dragão.
-Ai!!! - despertou Blimb, se perguntando onde estava, o que tinha acontecido e por que diabos aquele menino de pijama estava cutucando seu olho com um graveto.
-Nooooooossa!!!
-Nossa o quê?? Quem é você?
-Meu nome é Jorje Junior Brega Fielder, eu sou seu novo dono.
-Meu novo oq??
-Dono. Nós achamos você na estrada e trouxemos você pra casa. Agora você é meu e vamos fazer tudo juntos!!
Blimb tenbtou raciocinar aquelas palavras, mas algo o distraiu. Brrrrrrownxxxxxxxxxx
-Escute, Jorge...
-Jorje não... esse é meu pai. Pode me chamar de Jorjinho.
-Tudo bem, Jorjinho... é o seguinte, eu estou com um pouco de fome, será que você não teria alguns chocolates aí pra ajudar a aliviar um pouco?
-Chocolate?
-É... você tem?
-Mas o que é chocolate??
Blimb quase abriu a boca de espanto.
-Você não sabe o que é chocolate??
-Eu não. Algum problema?
-Eu nunca vi ninguém que não conhecesse chocolate.
-E dai, eu nunca vi nada como você.
Então os dois perceberam que teriam que aprender a conviver com suas diferenças.
-Então... se você não come chocolate, o que te alimenta por aqui?
-Ah... aqui tem de tudo. Nós comemos alface, cenoura, nabo...
Blim então se lembrou de sua mãe coelha:
-Você fala como a minha mãe.
-Mãe? Você tem mãe?
-É claro que eu tenho mãe! Ela mora com meu pai e meus irmãos numa comunidade de coelhos muito distante e...
-Coelhos?? Você não me parece um coelho.
-É... eu sei.
-Então o que você é exatamente?
-Pois é, estou viajando para encontrar minha verdadeira identidade. Por que a vida toda eu vivi como um coelho... - Então Blimb contou toda a sua história, até então.
Quando terminou, estava quase amanhecendo e os dois adormeceram na carroceria.
Dona Karlota encontrou-os quando estava indo buscar laranjas no quintal.
-Mas o que você está fazendo aí, Jorjinho?!!!
Como todas as mães, Karlota tinha uma voz estridente de alcance incalculável quando estava nervosa. Jorjinho despertou assustado e Blimb também.
-Ora essa! Era só o que me faltava! Agora você deu pra dormir fora de casa?? Vou já falar com seu pai...
-Calma mãe. Eu vim aqui por um bom motivo. tinha que descobrir alguma coisa sobre o Blimb.
-Que Blimb??
-É o coisa que a gente encontrou na estrada, lembra?
-Ah, sim. Mas isso não justifica, você não podia ter saido assim!
-Mãe, escuta só a história do Blimb...
E então JOrjinho contou toda a história, fazendo trama em todas as partes possíveis e acrescentando efeitos sonoros para dar mais vivacidade.
No final, dona Karlota estava emocionada e enxugava as lágrimas com um lencinho escrito "Doce vida no Campo".
-Puxa vida... Acho que é a história mais bonita que eu já ouvi por aqui, podia até virar livro ou novela...
-Pois é dona Karlota, mas eu espero que essa minha história tenha um final feliz. Quero muito descobrir quem eu sou de verdade.
Então dona Karlota parou de chorar e teve ume stalo mental, se lembrou dos livros com as gravuras de dragão.
-Espere aí, Blimb! Eu acho que tenho um palpite sobre você!
Correu para dentro de casa e trouxe um livro grande. Abriu na página do desenho e mostrou-o a Blimb.
-Puxa vida!! É bem parecido comigo!! O que é?
-É um dragão medieval.
-Um dragão?
-É. Aqui diz que eles voam e soltam fogo pelo nariz.
-Aaah!! É isso, mesmo! Eu solto fogo as vezes, é involuntário, sabe. Mas ainda não consigo voar não.
-É que você ainda é jovem, esse dragão aqui do livro já é adulto.
Então conversaram mais sobre essas coisas da vida e de repente: Brrrrrrrrrooowwwww
O estomago de Blimb precisava urgentemente de comida.
-Ei, dona Karlota... você não teria aí nenhum chocolatezinho?
-Chocolate é difícil... eu mesma só comi uma vez, quando trouxeram da cidade e isso faz muitos anos, sabe. nem lembro mais o gosto. Mas se você quiser, aqui tem cacau, que é a fruta que faz o chocolate.
-Então eu aceito.
Blimb comeu todos os cacaus possíveis e depois decidiu que era hora de partir. Agradece a todos pela hospitalidade.
Jorjinho ficou meio decepcionada, por ter que se desfazer do seu animal de estimação exótico, mas naquela mesma tarde, ele ganhou um filhote de tatu e ficou tudo bem.
Fim do CAP VII
Já havia andado alguns quilômetros sem conseguir nenhuma carona, quando ouviu uma voz:
-Mamãe!! Mamãe!! Manhê!!! Ô mãe!!!
-Que que foi Jorjinho?
-Olha lá, mãe! Olha lá! Um corcunda andando na beira da estrada!!!
-São Crispin do Pururu! O que será isso??
-Vamos ver?? Vamos? Vamos???
-Tenha calma, Jorjinho. Vou pedir pro seu pai. Benhê, enconsta o carro pra nóis vê o que que se sucede.
Então o carro parou, alguns metros a frente de Blimb. Se tivesse energia, ele correria até o carro e agradeceria a carona de mil formas diferentes, mas estava tão cansado que só pôde se sentar, tornando-se uma figura mais bizarra ainda.
-Ih... ó lá mãe... parece que ele tá sentado. Posso chegar perto?? Posso, possso??
-Sussega, menino! Espere aqui que eu vou ver se está tudo bem.
Dona Karlota se aproximou de Blimb e com um pouco de medo na voz, disse:
- Está tudo bem com você? Para onde está indo?
Blimb queria dizer alguma coisa, mas apenas fez gestos. Depois do incidente na prisão, os humanos o deixavam intimidado. Respondeu positivamente palançando a cabeça e apontou com o dedão para frente. Havia passado o dia todo com a mão naquela posição e por mais que tentasse, ela não retornava a forma normal.
Dona Karlota abriu a boca para dizer mais alguma coisa mas foi interrompida:
-Mamãe!! Mãe! Manhê! Você já descobriu o que ele é?? hein? hein???
-Quieto Jorjinho! Ele parece estar meio doente... - virou-se novamente para Blimb- olha, se você quiser um lugar pra ficar essa noite, pode vir com a gente, é só entrar ali no carro e...
-É sério, mãe?? Podemos ficar com ele??? Podemos?? Que batuta!! Vou contar pra todo mundo! Aposto que ninguém tem um... um coisa de estimação!!!
-Jorjinho, não tire conclusões precipitadas.
-Hein?? O que é conclusão?? E o que é precipitadas?? hein? hein??
-Ah Jorjinho, pergunta pro seu pai.
O garoto correu em direção ao carro e deixou a mãe com Blimb, que reuniu todas as suas forças e levantou, revelando sua avantajada altura.
Diante daquilo, Dona Karlota se espantou tanto que quase pensou em desistir da proposta, mas Blim a olhou com um olhar tão meigo e agradecido, que ela nda disse.
Entraram todos no carro, uma D-20 verde.
-Mas o que você colocou aí atrás? Um dragão?? - perguntou Seu Jorje.
-Hum... um dragão... - murmurou dona Karlota e ficou pensando nas figuras de dragão que tinha visto nos livros de histórias. De fato, Blimb se parecia muito com um daqueles enormes dragões devoradores de gente, que aprisionavam princesas em castelos sombrios. Mas ao se lembrar do olhar do dragãozinho, ela não pôde acreditar que ele fizesse mal algum a alguém.
Jorjinho era o menos preocupado. Ficara tão empolgado com Blimb que já planejava mil coisas para fazerem juntos.
Na carroceria da camionete, Blimb não se importava com o dia seguinte, nem com os homens da COPE... ele dormia o sono dos justos, sonhando novamente com a Fantástica Fábrica de Chocolates.
Ao chegarem em casa, uma grande fazenda com um grande celeiro e uma grande casa, a família Fielder pensaram em despertar o sono do estranho ser. Mas acharam melhor deixá-lo dormir até de manhã. Excerto Jorjinho, que insistia que seria melhor pra todo mundo acordar Blimb e descobrir logo o que ele era.
-Jorjinho, você já aprontou muito hoje. Já quebrou o vidro da Dona Margarete, soltou os cachorros da carrocinha, ralou o joelho enquanto corria do seu Manuel da padaria, que por sinal ficou muito nervoso por você ter cantado a música Roda-roda-vira, do Mamonas Assassinas.
-HaHahahahahhaaha!! Meu filho fez isso??? Que barato!! E como foi, Jorijinho, o português pirou o cabeção? Ou melhor, pirou o barrigão?? Hahahahaha...
-Ah pai, nem foi tanto assim. Eu só cantei um pouquinho aquela parte: "O Manuel na cabeça tem titica, larga de porcaria e vai cuidar da padaria..." e eu juro que nem era pra provocar ele. E por que eu estava com aquela música na cabeça e...
-Já chega vocês dois!! Jorje, esse menino vai crescer um marginal se você continuar incentivando certas atitudes.... e Jorjinho, já ta na hora de você ir pra cama.
-Qué isso, amor... Não tô incentivando nada. Só achei engraçado, imagina a cara do seu Manuel...
E os três subiram rindo do pobre português.
No meio da noite, enquanto todos dormiam, Jorjinho se levantou e foi até a garagem, onde Blimb dormia na carroceria da camionete.
Ficou a olhar o estranho animal por alguns instantes e resolveu acordá-lo. Cutucou uma vez com um graveto. Blimb nem reagiu. Cutucou um pouco mais forte e Blimb se virou, revelando sua magestosa cara de dragão. O menino se assustou um pouco, nunca tinha visto nada igual, mas criou coragem e cutucou mais forte ainda, no olho do dragão.
-Ai!!! - despertou Blimb, se perguntando onde estava, o que tinha acontecido e por que diabos aquele menino de pijama estava cutucando seu olho com um graveto.
-Nooooooossa!!!
-Nossa o quê?? Quem é você?
-Meu nome é Jorje Junior Brega Fielder, eu sou seu novo dono.
-Meu novo oq??
-Dono. Nós achamos você na estrada e trouxemos você pra casa. Agora você é meu e vamos fazer tudo juntos!!
Blimb tenbtou raciocinar aquelas palavras, mas algo o distraiu. Brrrrrrownxxxxxxxxxx
-Escute, Jorge...
-Jorje não... esse é meu pai. Pode me chamar de Jorjinho.
-Tudo bem, Jorjinho... é o seguinte, eu estou com um pouco de fome, será que você não teria alguns chocolates aí pra ajudar a aliviar um pouco?
-Chocolate?
-É... você tem?
-Mas o que é chocolate??
Blimb quase abriu a boca de espanto.
-Você não sabe o que é chocolate??
-Eu não. Algum problema?
-Eu nunca vi ninguém que não conhecesse chocolate.
-E dai, eu nunca vi nada como você.
Então os dois perceberam que teriam que aprender a conviver com suas diferenças.
-Então... se você não come chocolate, o que te alimenta por aqui?
-Ah... aqui tem de tudo. Nós comemos alface, cenoura, nabo...
Blim então se lembrou de sua mãe coelha:
-Você fala como a minha mãe.
-Mãe? Você tem mãe?
-É claro que eu tenho mãe! Ela mora com meu pai e meus irmãos numa comunidade de coelhos muito distante e...
-Coelhos?? Você não me parece um coelho.
-É... eu sei.
-Então o que você é exatamente?
-Pois é, estou viajando para encontrar minha verdadeira identidade. Por que a vida toda eu vivi como um coelho... - Então Blimb contou toda a sua história, até então.
Quando terminou, estava quase amanhecendo e os dois adormeceram na carroceria.
Dona Karlota encontrou-os quando estava indo buscar laranjas no quintal.
-Mas o que você está fazendo aí, Jorjinho?!!!
Como todas as mães, Karlota tinha uma voz estridente de alcance incalculável quando estava nervosa. Jorjinho despertou assustado e Blimb também.
-Ora essa! Era só o que me faltava! Agora você deu pra dormir fora de casa?? Vou já falar com seu pai...
-Calma mãe. Eu vim aqui por um bom motivo. tinha que descobrir alguma coisa sobre o Blimb.
-Que Blimb??
-É o coisa que a gente encontrou na estrada, lembra?
-Ah, sim. Mas isso não justifica, você não podia ter saido assim!
-Mãe, escuta só a história do Blimb...
E então JOrjinho contou toda a história, fazendo trama em todas as partes possíveis e acrescentando efeitos sonoros para dar mais vivacidade.
No final, dona Karlota estava emocionada e enxugava as lágrimas com um lencinho escrito "Doce vida no Campo".
-Puxa vida... Acho que é a história mais bonita que eu já ouvi por aqui, podia até virar livro ou novela...
-Pois é dona Karlota, mas eu espero que essa minha história tenha um final feliz. Quero muito descobrir quem eu sou de verdade.
Então dona Karlota parou de chorar e teve ume stalo mental, se lembrou dos livros com as gravuras de dragão.
-Espere aí, Blimb! Eu acho que tenho um palpite sobre você!
Correu para dentro de casa e trouxe um livro grande. Abriu na página do desenho e mostrou-o a Blimb.
-Puxa vida!! É bem parecido comigo!! O que é?
-É um dragão medieval.
-Um dragão?
-É. Aqui diz que eles voam e soltam fogo pelo nariz.
-Aaah!! É isso, mesmo! Eu solto fogo as vezes, é involuntário, sabe. Mas ainda não consigo voar não.
-É que você ainda é jovem, esse dragão aqui do livro já é adulto.
Então conversaram mais sobre essas coisas da vida e de repente: Brrrrrrrrrooowwwww
O estomago de Blimb precisava urgentemente de comida.
-Ei, dona Karlota... você não teria aí nenhum chocolatezinho?
-Chocolate é difícil... eu mesma só comi uma vez, quando trouxeram da cidade e isso faz muitos anos, sabe. nem lembro mais o gosto. Mas se você quiser, aqui tem cacau, que é a fruta que faz o chocolate.
-Então eu aceito.
Blimb comeu todos os cacaus possíveis e depois decidiu que era hora de partir. Agradece a todos pela hospitalidade.
Jorjinho ficou meio decepcionada, por ter que se desfazer do seu animal de estimação exótico, mas naquela mesma tarde, ele ganhou um filhote de tatu e ficou tudo bem.
Fim do CAP VII
5 de set. de 2005
Cap VI - Segue-se seguindo-se
Após se recuperar do trauma clínico, Blimb seguiu seu destino. Voltou a estrada seguindo sempre em frente, disposto a descobrir sua verdadeira identidade.
Por vários dias caminhou só pelas trilhas, até chegar a um pequeno vilarejo de humanos. Blimb esperava encontrar um lugar para passar a noite e reabastecer sua mochila de chocolates, mas ficou frustrado quando viu que todos na cidade estavam tão entretidos com um novo filme que nem ligaram de ver o enorme dragão cruzando a avenida.
O filme se chamava "A Fantástica Fábrica de Chocolates". Era um nome tentador para Blimb e ele pensou em passar no cinema, depois de se estabelecer em algum lugar.
Montou seu acampamento na praça da cidade. Estava acendendo a fogueira para preparar seu tradicional fundue, quando chegaram so policiais.
- Ei!! Você aí!! O que pensa que está fazendo?? gritou um policia, vindo em sua direção.
antes que pudesse responder, Blimb estava sendo empurrado para o camburão:
- Cala a boca, vagabundo! Vai entrando se não a casa vai cair pro seu lado!!
Blimb estava muito confuso, aqueles homens falavam de um jeito que ele desconhecia e o camburão parecia muito pequeno para ele. Com todas as dificuldade de espaço, eles chegaram a delegacia.
O delegado era um baixinho de sombrancelhas grossas e jeito mal humorado.
- O que foi dessa vez? perguntou ao policial que aconpanhava Blimb
- Esse sujeito estava depredando propriedade pública, além de ferir o pudor da população e peturbar a paz coletiva.
-Hum.... o delegado caminhou para Blimb - Isso muito grave... Levem ele para a cela 6.
E foi assim que Blim perdeu sua inocencia.
A cela 6 era um cubículo 5x5m, e estavam também outros 27 presos. Quando Blimb foi jogado lá dentro, o escontentamento foi geral.
Ninguém suportou ter um dragão de 3 metros de altura tapando a única janela do estabelecimento. Foi assim que começou o tumulto.
Após 10 minutos da prisão de Blimb, a delegacia inteira estava submersa em um barulho infernal.
Não só a cela 6, mas como todas as outras, estavam prestes a estourar uma rebelião. Todos os presos estavam protestando a falta de condições. Em protesto, batiam com os pratos e copos de metal contra as grades de ferro. Mano Jeizon coordenava tudo:
-Ae, chefia! A parada é a seguinte, ou vocês tiram o esquisito daqui ou a gente vamo quebrar tudo!!
e a galera apavorava:
-Vamo, vamo, vamo quebrá tudo!!
O delegado quase explodiu os nervos. Logo no fim do expediente, uma rebelião!
- Vocês aí calem a boca! Ninguém vai sair daqui não!
-Ah, é, chefia?? Então a gente vamos derrubar as portas e queimar os coxão, certo??
um milésimo de segundo depois, as grades cairam e sentiu-se um cheiro de queimado. Enquanto isso, Mano Jerson e Mano Jackson rendiam os guardas e sumiam no telhado. Mano Jeizon, que era o único alfabetizado, escrevia nas telhas da delegacia: "Ou vai, ou racha".
Nesse contexto de insanidade, Blimb estava pensando no que fazer entre a fumaça e o barulho. Resolveu então apenas relaxar e esperar a poeira abaixar, literalmente.
Sentou-se tranquilo e pegou uma barra de chocolate Harcheis. Tudo ia muito bem, até que ele deu a primeira mordida.
Sentiu que aquilo estava meio esquisito... não se parecia com nada que ele já tivesse posto na boca. Tinha um gosto de...
-Macooooooooonha!!! Olha o Mano Dragão devorando nossa macoooooooonha!!!
Era impressionante a velocidade com que as coisas aconteciam por lá. Antes que pudesse realgir, Blimb viu-se embaixo de 54 negos, que o espancavam.
..........................
Blimb acordou sem saber quanto tempo estivera desacordado. Ao abrir os olhos, uma forte luz fez com que eles se fechassem automaticamente. Ele só pôde ouvir a voz do Mano Jeizon no megafone:
- A gente queremos mais dignidade de vida, por causa que a gente também somos gente! E por causa que nesse mundo ninguém é ninguém, certo? E a gente somos gente, pq somos a gente...
Então surgiram os helicópteros e várias viaturas da COPE.
Quando enfim conseguiu abrir os olhos, Blimb teve a felicidade de descobrir que estava amarrado em uma cadeira, imobilizado por fio de energia e devidamente escoltado por Mano Wanderlei e Mano Laranjinha, armados com aquelas escopeta que nem o exército tem.
Enquanto Mano Jeizon negociava com os caras da COPE, Blimb se perguntou o que seria tudo aquilo.
Não se sabe como nem pq, mas de repente ele foi solto e encaminhado para o lado dos policiais de capacete e oculos infra-vermelhos.
Após desfeita a rebelião, os policiais preencheram um cadastro de Blimb. Foi complicado pra tirar as 3x4 e deixar a imp´ressão digital, mas ninguém estava muito preocupado em fazer o serviço direito, pq já era 7:30 e a novela já ia começar.
Liberaram Blimb antes mesmo de responder qualquer pergunta.
Ainda confuso, o dragãozinho foi para a praça pegar suas coisas e continuar sua viagem para longe dali.
Qual não foi sua surpresa ao ver que suas coisas estavam sendo utilizadas por pessoas que nunca tinha visto na vida!
Blimb não sabia de onde vieram, mas viu que todas tinha algo em comum: o bonezinho vermelho do MST.
Ficou olhando toda aquela agitação do cotidiano das famílias, até que ouviu um tiro de espingarda caseira encoar bem atrás de si.
Um homem barbudo segurava a arma com uma mão só, mirando no céu. Na outra mão, estava um copo de requeijão cheio de caipirinha:
-Vai saindo, se não eu meto bala! Essa é a nossa propriedade!!
Blimb sabia que a praça era publica, mas já estava muito cansado de confusões e resolveu apenas se retirar.
Ficou chocado ao ver que naquela cidade todos os lugares já estavam ocupados. Todos os viadutos já abrigavam famílias, as favelas estavam lotadas, assim como toda marquise. O único local que conseguiu para passar a noite foi a porta do cinema, que exibia o filme estrelado por Jonnhy Deep.
Blimb adormeceu olhando para aquele cartaz, e sonhou com a Fantástica Fábrica. No sonho, ele tinha todo chocolate do mundo e não precisava se preocupar com nada, pq sua mãe também estava lá.
De manhã cedo, Blimb resolveu que procuraria seu sonho. Não pararia até encontrar aquela magnífica fábrica. De alguma forma, ele tinha certeza de que isso era possível e que sua mãe estaria lá.
FIM DO CAP VI
Por vários dias caminhou só pelas trilhas, até chegar a um pequeno vilarejo de humanos. Blimb esperava encontrar um lugar para passar a noite e reabastecer sua mochila de chocolates, mas ficou frustrado quando viu que todos na cidade estavam tão entretidos com um novo filme que nem ligaram de ver o enorme dragão cruzando a avenida.
O filme se chamava "A Fantástica Fábrica de Chocolates". Era um nome tentador para Blimb e ele pensou em passar no cinema, depois de se estabelecer em algum lugar.
Montou seu acampamento na praça da cidade. Estava acendendo a fogueira para preparar seu tradicional fundue, quando chegaram so policiais.
- Ei!! Você aí!! O que pensa que está fazendo?? gritou um policia, vindo em sua direção.
antes que pudesse responder, Blimb estava sendo empurrado para o camburão:
- Cala a boca, vagabundo! Vai entrando se não a casa vai cair pro seu lado!!
Blimb estava muito confuso, aqueles homens falavam de um jeito que ele desconhecia e o camburão parecia muito pequeno para ele. Com todas as dificuldade de espaço, eles chegaram a delegacia.
O delegado era um baixinho de sombrancelhas grossas e jeito mal humorado.
- O que foi dessa vez? perguntou ao policial que aconpanhava Blimb
- Esse sujeito estava depredando propriedade pública, além de ferir o pudor da população e peturbar a paz coletiva.
-Hum.... o delegado caminhou para Blimb - Isso muito grave... Levem ele para a cela 6.
E foi assim que Blim perdeu sua inocencia.
A cela 6 era um cubículo 5x5m, e estavam também outros 27 presos. Quando Blimb foi jogado lá dentro, o escontentamento foi geral.
Ninguém suportou ter um dragão de 3 metros de altura tapando a única janela do estabelecimento. Foi assim que começou o tumulto.
Após 10 minutos da prisão de Blimb, a delegacia inteira estava submersa em um barulho infernal.
Não só a cela 6, mas como todas as outras, estavam prestes a estourar uma rebelião. Todos os presos estavam protestando a falta de condições. Em protesto, batiam com os pratos e copos de metal contra as grades de ferro. Mano Jeizon coordenava tudo:
-Ae, chefia! A parada é a seguinte, ou vocês tiram o esquisito daqui ou a gente vamo quebrar tudo!!
e a galera apavorava:
-Vamo, vamo, vamo quebrá tudo!!
O delegado quase explodiu os nervos. Logo no fim do expediente, uma rebelião!
- Vocês aí calem a boca! Ninguém vai sair daqui não!
-Ah, é, chefia?? Então a gente vamos derrubar as portas e queimar os coxão, certo??
um milésimo de segundo depois, as grades cairam e sentiu-se um cheiro de queimado. Enquanto isso, Mano Jerson e Mano Jackson rendiam os guardas e sumiam no telhado. Mano Jeizon, que era o único alfabetizado, escrevia nas telhas da delegacia: "Ou vai, ou racha".
Nesse contexto de insanidade, Blimb estava pensando no que fazer entre a fumaça e o barulho. Resolveu então apenas relaxar e esperar a poeira abaixar, literalmente.
Sentou-se tranquilo e pegou uma barra de chocolate Harcheis. Tudo ia muito bem, até que ele deu a primeira mordida.
Sentiu que aquilo estava meio esquisito... não se parecia com nada que ele já tivesse posto na boca. Tinha um gosto de...
-Macooooooooonha!!! Olha o Mano Dragão devorando nossa macoooooooonha!!!
Era impressionante a velocidade com que as coisas aconteciam por lá. Antes que pudesse realgir, Blimb viu-se embaixo de 54 negos, que o espancavam.
..........................
Blimb acordou sem saber quanto tempo estivera desacordado. Ao abrir os olhos, uma forte luz fez com que eles se fechassem automaticamente. Ele só pôde ouvir a voz do Mano Jeizon no megafone:
- A gente queremos mais dignidade de vida, por causa que a gente também somos gente! E por causa que nesse mundo ninguém é ninguém, certo? E a gente somos gente, pq somos a gente...
Então surgiram os helicópteros e várias viaturas da COPE.
Quando enfim conseguiu abrir os olhos, Blimb teve a felicidade de descobrir que estava amarrado em uma cadeira, imobilizado por fio de energia e devidamente escoltado por Mano Wanderlei e Mano Laranjinha, armados com aquelas escopeta que nem o exército tem.
Enquanto Mano Jeizon negociava com os caras da COPE, Blimb se perguntou o que seria tudo aquilo.
Não se sabe como nem pq, mas de repente ele foi solto e encaminhado para o lado dos policiais de capacete e oculos infra-vermelhos.
Após desfeita a rebelião, os policiais preencheram um cadastro de Blimb. Foi complicado pra tirar as 3x4 e deixar a imp´ressão digital, mas ninguém estava muito preocupado em fazer o serviço direito, pq já era 7:30 e a novela já ia começar.
Liberaram Blimb antes mesmo de responder qualquer pergunta.
Ainda confuso, o dragãozinho foi para a praça pegar suas coisas e continuar sua viagem para longe dali.
Qual não foi sua surpresa ao ver que suas coisas estavam sendo utilizadas por pessoas que nunca tinha visto na vida!
Blimb não sabia de onde vieram, mas viu que todas tinha algo em comum: o bonezinho vermelho do MST.
Ficou olhando toda aquela agitação do cotidiano das famílias, até que ouviu um tiro de espingarda caseira encoar bem atrás de si.
Um homem barbudo segurava a arma com uma mão só, mirando no céu. Na outra mão, estava um copo de requeijão cheio de caipirinha:
-Vai saindo, se não eu meto bala! Essa é a nossa propriedade!!
Blimb sabia que a praça era publica, mas já estava muito cansado de confusões e resolveu apenas se retirar.
Ficou chocado ao ver que naquela cidade todos os lugares já estavam ocupados. Todos os viadutos já abrigavam famílias, as favelas estavam lotadas, assim como toda marquise. O único local que conseguiu para passar a noite foi a porta do cinema, que exibia o filme estrelado por Jonnhy Deep.
Blimb adormeceu olhando para aquele cartaz, e sonhou com a Fantástica Fábrica. No sonho, ele tinha todo chocolate do mundo e não precisava se preocupar com nada, pq sua mãe também estava lá.
De manhã cedo, Blimb resolveu que procuraria seu sonho. Não pararia até encontrar aquela magnífica fábrica. De alguma forma, ele tinha certeza de que isso era possível e que sua mãe estaria lá.
FIM DO CAP VI
3 de set. de 2005
Cap V - Emule, o Canguru
Blimb saiu dos domínios de Habbitilândia pela primeira vez. Estava entusiasmado e ao mesmo tempo preocupado com as eventualidades que poderiam vir.
Ele caminhando pelo meio da trilha e encontrou um canguru. Estavamo os dois sozinhos e caminhavam na mesma direção, não demorou muito para compartilharem suas histórias e se tornarem amigos.
-Meu nome é Emule. Nasci na Áustrália, um lugar muito longe daqui. Aí um dia chegaram os "home" e disseram que eu tinha grande chance de fazer sucesso por aqui, por causa da minha habilidade em detonar coalas fofinhos. De fato, eu era muito bom nisso, quando mais jovem.
-E deu certo sua carreira?
-Que nada! Chegamos na América e eu fiquei desempregado. Estava tudo preparado, havia até uma arena só pra eu detonar um coala atrás do outro e fazer fortuna com as apostas. O único problema é que não exite coalas na América, só na Austrália.
-Eita, mundo velho sem portera...
E assim foram conversando e descobriram mtos pontos em comum.
- Sabe, Blimb... também tive problemas com meus pais.
-É mesmo, Emule, e como foi isso?
-Ah... eu era muito diferente dou outros cangurus. Não gostava de posar para as fotos dos turistas, nem de ficar fazendo cara de fofinho. Meu negócio era só apavorar os coalas, isso me dava sentido para viver.
-Entendo...
-Mas então surgiu essa possibilidade de emprego longe de casa e eu me mandei. Ninguém fez nada pra impedir, eles nem se importam comigo mesmo.
Blimb pensou se seus pais não estariam apenas se livrando dele ao deixá-lo partir. Na quela noite, não pensou em outra coisa. E no outro dia de manhã resolveu ter uma conversa com seu amigo canguru:
-Sabe, Emule... Eu estive pensando naquilo que você disse ontem, sobre sua família não se importar com vc e talz, ta ligado?
-Que que tem, Blimb?
-Eu acho que você está errado na sua concepção.
-Como assim?
- Meu pai me disse uma coisa antes de eu sair de casa que me fez refletir bastante: "Não importa o quanto é fedido o peito, quem solta nunca sente o cheiro".
-Nossa... que profundo.
No resto da manhã, caminharam em silêncio, pensando naquelas sábias palavras.
Nos dias que se seguiram, Blimb e Emule se conheceram tão bem que pareciam irmãos. Conversavam sobre tudo.
Mas felicidade de pobre dura pouco e foi chegado o momento da despedida. Chegaram na cidade de Barreirinha, onde Emule esperava arranjar um emprego como canguru de circo.
Por mais que tentassem adiar o "adeus", ambos sabia que era inevitável. E depois de rodarem a pequena cidade e beberem em quase todos os bares, eles resolveram que era a hora.
O momento foi de grande emoção, os dois se abraçaram, contendo as lágrimas. E enquanto escolhiam as palavras adequadas para a ocasião, Blimb sentiu algo que nunca tinha sentido antes. Era inovador... parecia que algo o dominava por dentro e fazia com que ele tivesse vontade de se jogar no chão para apenas se sentir uma criança novamente. Algo estava o esquentando por dentro e tudo que ele queria era colocar pra fora toda esse sentimento.
E foi assim que Blimb vomitou vinho e cerveja pela primeira vez.
Diante daquela cena, Emule não se conteve e juntou sua gosma a do amigo desfalescido. Nisso passava uma velhinha na rua, e ao ver aquela cena tão emocionante, dois amigos compartilhando de um mesmo sentimento tão unidos. Sentindo-se contagiada por aquela alegria tão grande, não teve outra alternativa a não ser vomitar também. E assim a dentatura se misturou a mistura explosiva. De repente, como que num ápse do destino, quase a cidade toda se juntava aquele ritual de despedida, um após o outro vomitava pela calçada, e respingava nas paredes. Foi realmente muito lindo.
E assim, após serem levados para o pronto-socorro mais próximo, Blimb e Emule se despediram, trocando apenas olhares de agradecimento e amizade, não falaram nada. Não só porque não havia nada mais para ser dito mas também porque o diagnóstico de coma alcóolica os empedia de qualquer esforço.
FIM DO CAP V
Ele caminhando pelo meio da trilha e encontrou um canguru. Estavamo os dois sozinhos e caminhavam na mesma direção, não demorou muito para compartilharem suas histórias e se tornarem amigos.
-Meu nome é Emule. Nasci na Áustrália, um lugar muito longe daqui. Aí um dia chegaram os "home" e disseram que eu tinha grande chance de fazer sucesso por aqui, por causa da minha habilidade em detonar coalas fofinhos. De fato, eu era muito bom nisso, quando mais jovem.
-E deu certo sua carreira?
-Que nada! Chegamos na América e eu fiquei desempregado. Estava tudo preparado, havia até uma arena só pra eu detonar um coala atrás do outro e fazer fortuna com as apostas. O único problema é que não exite coalas na América, só na Austrália.
-Eita, mundo velho sem portera...
E assim foram conversando e descobriram mtos pontos em comum.
- Sabe, Blimb... também tive problemas com meus pais.
-É mesmo, Emule, e como foi isso?
-Ah... eu era muito diferente dou outros cangurus. Não gostava de posar para as fotos dos turistas, nem de ficar fazendo cara de fofinho. Meu negócio era só apavorar os coalas, isso me dava sentido para viver.
-Entendo...
-Mas então surgiu essa possibilidade de emprego longe de casa e eu me mandei. Ninguém fez nada pra impedir, eles nem se importam comigo mesmo.
Blimb pensou se seus pais não estariam apenas se livrando dele ao deixá-lo partir. Na quela noite, não pensou em outra coisa. E no outro dia de manhã resolveu ter uma conversa com seu amigo canguru:
-Sabe, Emule... Eu estive pensando naquilo que você disse ontem, sobre sua família não se importar com vc e talz, ta ligado?
-Que que tem, Blimb?
-Eu acho que você está errado na sua concepção.
-Como assim?
- Meu pai me disse uma coisa antes de eu sair de casa que me fez refletir bastante: "Não importa o quanto é fedido o peito, quem solta nunca sente o cheiro".
-Nossa... que profundo.
No resto da manhã, caminharam em silêncio, pensando naquelas sábias palavras.
Nos dias que se seguiram, Blimb e Emule se conheceram tão bem que pareciam irmãos. Conversavam sobre tudo.
Mas felicidade de pobre dura pouco e foi chegado o momento da despedida. Chegaram na cidade de Barreirinha, onde Emule esperava arranjar um emprego como canguru de circo.
Por mais que tentassem adiar o "adeus", ambos sabia que era inevitável. E depois de rodarem a pequena cidade e beberem em quase todos os bares, eles resolveram que era a hora.
O momento foi de grande emoção, os dois se abraçaram, contendo as lágrimas. E enquanto escolhiam as palavras adequadas para a ocasião, Blimb sentiu algo que nunca tinha sentido antes. Era inovador... parecia que algo o dominava por dentro e fazia com que ele tivesse vontade de se jogar no chão para apenas se sentir uma criança novamente. Algo estava o esquentando por dentro e tudo que ele queria era colocar pra fora toda esse sentimento.
E foi assim que Blimb vomitou vinho e cerveja pela primeira vez.
Diante daquela cena, Emule não se conteve e juntou sua gosma a do amigo desfalescido. Nisso passava uma velhinha na rua, e ao ver aquela cena tão emocionante, dois amigos compartilhando de um mesmo sentimento tão unidos. Sentindo-se contagiada por aquela alegria tão grande, não teve outra alternativa a não ser vomitar também. E assim a dentatura se misturou a mistura explosiva. De repente, como que num ápse do destino, quase a cidade toda se juntava aquele ritual de despedida, um após o outro vomitava pela calçada, e respingava nas paredes. Foi realmente muito lindo.
E assim, após serem levados para o pronto-socorro mais próximo, Blimb e Emule se despediram, trocando apenas olhares de agradecimento e amizade, não falaram nada. Não só porque não havia nada mais para ser dito mas também porque o diagnóstico de coma alcóolica os empedia de qualquer esforço.
FIM DO CAP V
1 de set. de 2005
Cap IV - A Revelação
Ao chegar em casa, Blimb sentiu-se estranho. Olhou para as paredes da caverna e viu as fotografias da fámilia. Ele, mamãe, papai e os 79 irmãozinhos e irmãzinhas coelhos. De repente, teve consciência de que tudo aquilo não lhe pertencia e só havia uma coisa a fazer.
Procurou seus pais, que estava cuidando da horta de nabos e cenouras atrás da casa:
-Mãe, pai, preciso conversar com vocês agora.
-O que foi, meu filho, não se sente bem? Está meio pálido.
-O que foi, Blimb, você queimou parte da floresta de novo?
-Não. Eu só quero dizer que não causarei mais problemas para vocês nem apra ninguém daqui. Irei embora procurar o meu destino e descobrir minha identidade verdadeira.
Coéla não se conteve e desmaiou. Cohel também estava bastante chocado, e enquanto amparava a esposa, não viu que Blimb se afastava lentamente para a caverna.
Estavam todos muito confusos com aquela situação. Blimb não tinha certeza do que estava fazendo, mas depois que descobriu que não era um coelho, o ambiente da comunidade se tornou insuportável.
Arrumando suas coisas, sozinho no quarto, ele lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali. E decidiu entrar de vez naquela dança, como João do Santo Cristo, em Faroeste Caboclo, sua música preferida.
Quando estava quase fechando a mala, Cohel entrou devagarinho para falar com o filho e explicar algumas coisas pendentes:
-Olha, Blimb... eu e sua mãe....
-Vocês não são meus pais! E nunca me falaram a verdade!
-Não é assim, meu filho. Eu e sua mãe cuidamos de você do mesmo jeito que cuidamos dos outros coelhinhos. Você nunca foi excluído ou tratado diferente, não é? Nós acreditamos que você, por mais diferente que fosse, poderia se adaptar a nossa rotina e viver como um coelhinho peludinho.
Blimb compreendeu então que seus pais não tinham a intenção de fazê-lo passar por toda essa confusão sentimental. Eles não haviam revelado sua verdadeira história apenas para protegê-lo.
-O povo da comunidade sempre comentou que eu sou diferente e não pareço um coelho.
-Pois é, Blimb, realmente. Mas isso tem uma explicação. Por mais fedido que seja o peido, quem solta é sempre o último a sentir o cheiro.
-Ops, desculpe, pai... foi sem querer esse.
-Não, Blimb. Você não entendeu. O que eu quero dizer é que os pais são sempre os últimos a saber, porque não vêem os defeitos do filho.
-Aaaaah... entendi agora.
-Muito bem. Eu e sua mãe conversamos e decidimos respeitar a sua decisão de ir embora. Damos todo o apoio pra vc sair e procurar sua família verdadeira.
Então Blimb se emocionou e não conteve as lágrimas. Abraçou seu pai, o pequeno coelho Cohel, que há 10 anos havia encontrado aquela magnífico ovo naquela caverna.
Na manhã seguinte então, partiu o jovem dragão para o mundo, mal sabendo que aventuras encontraria pelo caminho.
Despediu-se de sua mamãe coelha e de seus irmãozinhos. Hanno também estava lá para desejar boa sorte. e quando já se preparava para partir, Coéla disse:
-Espere, Blimb!! Tenho um coisa pra você!
E então entregou uma sacola para o viajante. Ao abrir, Blimb teve uma surpresa misturada com desgosto. Eram nabos e cenouras.
-É pra se caso der fome na viagem - Coéla disse, preocupada.
Blimb não gostava de nabos e cenouras, mas entendeu que a mãe não queria sacaneá-lo.
-Obrigado, mamãe.
E foi-se embora por essa longa estrada da vida...
É claro que duas quadras longe de casa, Blimb se livrou dos nabos e cenouras.
FIM DO CAP IV
Procurou seus pais, que estava cuidando da horta de nabos e cenouras atrás da casa:
-Mãe, pai, preciso conversar com vocês agora.
-O que foi, meu filho, não se sente bem? Está meio pálido.
-O que foi, Blimb, você queimou parte da floresta de novo?
-Não. Eu só quero dizer que não causarei mais problemas para vocês nem apra ninguém daqui. Irei embora procurar o meu destino e descobrir minha identidade verdadeira.
Coéla não se conteve e desmaiou. Cohel também estava bastante chocado, e enquanto amparava a esposa, não viu que Blimb se afastava lentamente para a caverna.
Estavam todos muito confusos com aquela situação. Blimb não tinha certeza do que estava fazendo, mas depois que descobriu que não era um coelho, o ambiente da comunidade se tornou insuportável.
Arrumando suas coisas, sozinho no quarto, ele lembrou de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali. E decidiu entrar de vez naquela dança, como João do Santo Cristo, em Faroeste Caboclo, sua música preferida.
Quando estava quase fechando a mala, Cohel entrou devagarinho para falar com o filho e explicar algumas coisas pendentes:
-Olha, Blimb... eu e sua mãe....
-Vocês não são meus pais! E nunca me falaram a verdade!
-Não é assim, meu filho. Eu e sua mãe cuidamos de você do mesmo jeito que cuidamos dos outros coelhinhos. Você nunca foi excluído ou tratado diferente, não é? Nós acreditamos que você, por mais diferente que fosse, poderia se adaptar a nossa rotina e viver como um coelhinho peludinho.
Blimb compreendeu então que seus pais não tinham a intenção de fazê-lo passar por toda essa confusão sentimental. Eles não haviam revelado sua verdadeira história apenas para protegê-lo.
-O povo da comunidade sempre comentou que eu sou diferente e não pareço um coelho.
-Pois é, Blimb, realmente. Mas isso tem uma explicação. Por mais fedido que seja o peido, quem solta é sempre o último a sentir o cheiro.
-Ops, desculpe, pai... foi sem querer esse.
-Não, Blimb. Você não entendeu. O que eu quero dizer é que os pais são sempre os últimos a saber, porque não vêem os defeitos do filho.
-Aaaaah... entendi agora.
-Muito bem. Eu e sua mãe conversamos e decidimos respeitar a sua decisão de ir embora. Damos todo o apoio pra vc sair e procurar sua família verdadeira.
Então Blimb se emocionou e não conteve as lágrimas. Abraçou seu pai, o pequeno coelho Cohel, que há 10 anos havia encontrado aquela magnífico ovo naquela caverna.
Na manhã seguinte então, partiu o jovem dragão para o mundo, mal sabendo que aventuras encontraria pelo caminho.
Despediu-se de sua mamãe coelha e de seus irmãozinhos. Hanno também estava lá para desejar boa sorte. e quando já se preparava para partir, Coéla disse:
-Espere, Blimb!! Tenho um coisa pra você!
E então entregou uma sacola para o viajante. Ao abrir, Blimb teve uma surpresa misturada com desgosto. Eram nabos e cenouras.
-É pra se caso der fome na viagem - Coéla disse, preocupada.
Blimb não gostava de nabos e cenouras, mas entendeu que a mãe não queria sacaneá-lo.
-Obrigado, mamãe.
E foi-se embora por essa longa estrada da vida...
É claro que duas quadras longe de casa, Blimb se livrou dos nabos e cenouras.
FIM DO CAP IV
29 de ago. de 2005
Cap III - Depois do Começo, o Meio
Cohel e Coéla se perguntaram se seriam bons pais para aquele filhote desconhecido e espécie duvidosa. Embora tivessem muitas dificuldades no começo, aos poucos foram compreendendo o bebê dragão e o amaram como se fosse um dos 53 coelhinho deles.
O destino respondeu então a inigmática pergunta. Eles fora ótimos pais. Cuidaram de Blimb da melhor maneira possível, e eram muito dedicados em tudo que se dizia a respeito do filhote.
Leram os melhores livros sobre criação de filhos e psicologia infantil, matricularam Blimb na melhor escola da região e tinham um bom diálogo em casa.
Blimb era realmente muito feliz, cresceu brincando de esconde-esconde entre as árvores, com os outros coelhinhos e esquilinhos da floresta.
Tudo ia muito bem, quando o inevitável aconteceu.
Blimb cresceu muito, muito mesmo. E quando tinha 10 anos, mal conseguia entrar na toca de seus pais, que tiveram que se mudar para a Hemp Cave, o maior estabelecimento da comunidade.
Moradia não era o único problema. Blimb não podia mais brincar com seus amiguinhos, pois vez ou outra, durante uma gargalhada, labaredas de fogo saiam de sua garganta. Os coelhinhos com medo de chamuscar o pelinho macio, evitavam ficar perto de Blimb.
Em casa a situação também ficava cada vez mais insustentável. O dragãozinho comia mais do que seus pais conseguiam juntar em uma semana. Era muito difícil conseguir chocolates em algumas épocas do ano e Blimb precisava comer muito. Eles até tentaram educá-lo a uma nova dieta, mas concluiram que era inútil.
Coéla:
-Vamos, Blimb... Experimente um pouco da sopa de nabo.
-Mas mamãe, a última vez aconteceu uma tragédia, não lembra?
Cohel:
-Ora, Blimb, deixe de bobagens. Aquele ataque de soluços não foi por causa da sopa de nabo.
Blimb:
-Então deve ter sido aquelas cenouras, mamãe me fez comer uma dúzia delas.
-Faz bem para os olhos, querido... Você não deve comer tanto chocolate, seu fígado não aguenta e nessa sua idade vai acabar com um monte de espinhas. Você não quer ficar parecido um dragão, não é?
-Não, mamãe...
O pobre Blimb era incompreendido em todos os lugares. E na verdade, nem ele mesmo se entendia...
Na cabeça de Blimb, ele era um coelho, como seus pais e amiguinhos, mas que havia comido demais e por isso cresceu muito.
Em alguns momentos, ele queria ser pequenininho também. Nem que fosse como o pequenino Henno, o menor coelho da comunidade.
-Lá vai o Henno, o coelho anão!
-Olha só o jeito que ele pula, parece um rabinho sem coelho!
As outras crianças caçoavam de Henno sem piedade, e por isso ele estava sempre sozinho pelos cantos.
Blimb sempre tivera muitos amigos e estava sempre com eles, mas agora que estava se tranformando em um dragão adulto, se sentia cada vez mais isolado. Então se aproximo de Henno e descobriu uma nova amizade, a melhor de todas que já havia exprimentado!
Conversavam horas sobre qualquer assunto. Uma vez, ficaram a tarde toda falando sobre como a relva cresce diferente no inverno. Era intrigante como o assunto se tornava interessante ao lado de Henno.
Certo dia, estavam os dois conversando sobre seus respectivos problemas sociais:
-É muito ruim ser pequeno, sabe... todo mundo empurra, pisa no pé... mó embaço.
-Mas é pior ser grandão que nem eu. Você não sabe como é difícil! Meus pais até tiveram que mudar de casa, porque eu não consigo entrar numa toca de coelho normal.
-Ei, Blimb... eu estive pensando... Será que você é mesmo um coelho?
-Como assim Hanno?? É claro que eu sou um coelho! Como você, eu nasci de pais coelhos, cresci entre coelhos e vivo como um coelho!!
-Mas você não come cenouras como um coelho. E adora chocolate, coelhos não comem chocolates.
-Ora... isso é só uma opção de vida. Tem gente que come só vegetais, tipo os meus pais e você... outros preferem chocolates. Outro dia mesmo li num livro que exite espécies que comem carne!
-Sei... Blimb, tem uma coisa que eu preciso te contar.
*suspense*
Um ar de preocupação e curiosidade tomou conta do nosso protagonista. E por um momento, Blimb se perguntou o que seria a notícia. Naquele instante, ele refletiu todas as possibilidades, boas e ruins. Pensou que talvez Hanno tivesse descoberto uma mina de chocolates, ou encontrado um tipo novo de peixinho dourado. Ou então... poderia ser terrível!! Hanno seria homossexual?? Estaria confundido a amizade com algo mais... profundo? Será??? Mas também podia ser que Hanno tivesse um segredo, fizesse parte da CIA ou algo assim... Ou então fosse um extraterrestre de outro planeta. Mas então, um raio de lucidez iluminou a mente vazia de Blimb e ele teve consciencia de tudo:
-Hanno!!! Você é o Coelhinho da Páscoa????
Ao imaginar essa possibilidade, Blimb se encheu de felicidade!! Imagine só, seu melhor amigo dono do maior e melhor estoque de chocolates do mundo!!!
Estava prestes a pular de alegria quando se lembrou da catástrofe geográfica que havia acontecido quando ele pulara da última vez.
-Não, Blimb... eu não sou o Coelhinho da Páscoa.
Uma grande decepção tomou conta do caraçãozinho de Blimb... Seus olhos se esvaziaram das lágrimas incontidas e ele sentou-se novamente:
-Então o que é?
-Eu não sei se devo contar isso pra você, meu amigo. Mas creio que é importante que saiba da sua verdadeira história. Meus pais me contaram noite passada que você não é um coelho realmente...
E assim Hanno contou toda a história do ovo Casca e como foi encontrado. Ao terminar, viu que Blimb já não era o mesmo coelho... ou dragão... ou seja lá o que fosse!
O gigante se sentiu totalmente iludido e abandonado. Despediu-se então do seu amiguinho e seguiu para casa, onde pretendia passar sua vida a limpo, junto com seus pais, que não eram seus pais.
FIM DO CAP III
O destino respondeu então a inigmática pergunta. Eles fora ótimos pais. Cuidaram de Blimb da melhor maneira possível, e eram muito dedicados em tudo que se dizia a respeito do filhote.
Leram os melhores livros sobre criação de filhos e psicologia infantil, matricularam Blimb na melhor escola da região e tinham um bom diálogo em casa.
Blimb era realmente muito feliz, cresceu brincando de esconde-esconde entre as árvores, com os outros coelhinhos e esquilinhos da floresta.
Tudo ia muito bem, quando o inevitável aconteceu.
Blimb cresceu muito, muito mesmo. E quando tinha 10 anos, mal conseguia entrar na toca de seus pais, que tiveram que se mudar para a Hemp Cave, o maior estabelecimento da comunidade.
Moradia não era o único problema. Blimb não podia mais brincar com seus amiguinhos, pois vez ou outra, durante uma gargalhada, labaredas de fogo saiam de sua garganta. Os coelhinhos com medo de chamuscar o pelinho macio, evitavam ficar perto de Blimb.
Em casa a situação também ficava cada vez mais insustentável. O dragãozinho comia mais do que seus pais conseguiam juntar em uma semana. Era muito difícil conseguir chocolates em algumas épocas do ano e Blimb precisava comer muito. Eles até tentaram educá-lo a uma nova dieta, mas concluiram que era inútil.
Coéla:
-Vamos, Blimb... Experimente um pouco da sopa de nabo.
-Mas mamãe, a última vez aconteceu uma tragédia, não lembra?
Cohel:
-Ora, Blimb, deixe de bobagens. Aquele ataque de soluços não foi por causa da sopa de nabo.
Blimb:
-Então deve ter sido aquelas cenouras, mamãe me fez comer uma dúzia delas.
-Faz bem para os olhos, querido... Você não deve comer tanto chocolate, seu fígado não aguenta e nessa sua idade vai acabar com um monte de espinhas. Você não quer ficar parecido um dragão, não é?
-Não, mamãe...
O pobre Blimb era incompreendido em todos os lugares. E na verdade, nem ele mesmo se entendia...
Na cabeça de Blimb, ele era um coelho, como seus pais e amiguinhos, mas que havia comido demais e por isso cresceu muito.
Em alguns momentos, ele queria ser pequenininho também. Nem que fosse como o pequenino Henno, o menor coelho da comunidade.
-Lá vai o Henno, o coelho anão!
-Olha só o jeito que ele pula, parece um rabinho sem coelho!
As outras crianças caçoavam de Henno sem piedade, e por isso ele estava sempre sozinho pelos cantos.
Blimb sempre tivera muitos amigos e estava sempre com eles, mas agora que estava se tranformando em um dragão adulto, se sentia cada vez mais isolado. Então se aproximo de Henno e descobriu uma nova amizade, a melhor de todas que já havia exprimentado!
Conversavam horas sobre qualquer assunto. Uma vez, ficaram a tarde toda falando sobre como a relva cresce diferente no inverno. Era intrigante como o assunto se tornava interessante ao lado de Henno.
Certo dia, estavam os dois conversando sobre seus respectivos problemas sociais:
-É muito ruim ser pequeno, sabe... todo mundo empurra, pisa no pé... mó embaço.
-Mas é pior ser grandão que nem eu. Você não sabe como é difícil! Meus pais até tiveram que mudar de casa, porque eu não consigo entrar numa toca de coelho normal.
-Ei, Blimb... eu estive pensando... Será que você é mesmo um coelho?
-Como assim Hanno?? É claro que eu sou um coelho! Como você, eu nasci de pais coelhos, cresci entre coelhos e vivo como um coelho!!
-Mas você não come cenouras como um coelho. E adora chocolate, coelhos não comem chocolates.
-Ora... isso é só uma opção de vida. Tem gente que come só vegetais, tipo os meus pais e você... outros preferem chocolates. Outro dia mesmo li num livro que exite espécies que comem carne!
-Sei... Blimb, tem uma coisa que eu preciso te contar.
*suspense*
Um ar de preocupação e curiosidade tomou conta do nosso protagonista. E por um momento, Blimb se perguntou o que seria a notícia. Naquele instante, ele refletiu todas as possibilidades, boas e ruins. Pensou que talvez Hanno tivesse descoberto uma mina de chocolates, ou encontrado um tipo novo de peixinho dourado. Ou então... poderia ser terrível!! Hanno seria homossexual?? Estaria confundido a amizade com algo mais... profundo? Será??? Mas também podia ser que Hanno tivesse um segredo, fizesse parte da CIA ou algo assim... Ou então fosse um extraterrestre de outro planeta. Mas então, um raio de lucidez iluminou a mente vazia de Blimb e ele teve consciencia de tudo:
-Hanno!!! Você é o Coelhinho da Páscoa????
Ao imaginar essa possibilidade, Blimb se encheu de felicidade!! Imagine só, seu melhor amigo dono do maior e melhor estoque de chocolates do mundo!!!
Estava prestes a pular de alegria quando se lembrou da catástrofe geográfica que havia acontecido quando ele pulara da última vez.
-Não, Blimb... eu não sou o Coelhinho da Páscoa.
Uma grande decepção tomou conta do caraçãozinho de Blimb... Seus olhos se esvaziaram das lágrimas incontidas e ele sentou-se novamente:
-Então o que é?
-Eu não sei se devo contar isso pra você, meu amigo. Mas creio que é importante que saiba da sua verdadeira história. Meus pais me contaram noite passada que você não é um coelho realmente...
E assim Hanno contou toda a história do ovo Casca e como foi encontrado. Ao terminar, viu que Blimb já não era o mesmo coelho... ou dragão... ou seja lá o que fosse!
O gigante se sentiu totalmente iludido e abandonado. Despediu-se então do seu amiguinho e seguiu para casa, onde pretendia passar sua vida a limpo, junto com seus pais, que não eram seus pais.
FIM DO CAP III
27 de ago. de 2005
Cap II - Como tudo começou depois do começo
Ao chegar no fundo da caverna, Coéla presenciou uma das mais belas cenas da sua vida de coelha. Nada mais, nada menos do que o gigantesco ovo Casca se rachando ao meio!!
Por conincidência do destino, nauquele exato momento, todos os outros coelhos decidiram que seria "da hora" ira pra dentro da caverna e continuar a festa lá dentro. Porque ninguém mais conseguia dançar, em virtude das bebidas com teor alcólico acima de 8. Resolveram que para fechar a noite com chave de ouro, nada melhor do que um poco de "erva" embalada ao som de Bob Marley.
Entraram então todos na caverna, batizada de "Hemp Cave". Estavam preparando os "aditivos naturais" quando um estalo encoôu do fundo da caverna.
suspense....
Kolhw, o coelho mais doidão, entrou em pânico:
-Po, mano! Eu falei que os cara ia fazer batida aqui hoje!! Já tão chegando com as escopeta! COOOOOOORRE MOÇADA!!! COOOORRE QUE OS "HOME"TÃO CHEGANDO!!!
E enquanto Kolhw surtava sem controle, o líder da comunidade resolveu intervir:
-Muita calma nessa hora, minha gente. A gente sabemos que cada um tem a sua hora e que muitas vezes a vida é injusta. Mas o fato é que cada um tem que cuidar de si mesmo e saber se proteger nas horas de perigo. COOOOOORRE TODO MUNDO, PQ A CASA VAI CAIR!!
Agora o desespero era geral. Enquanto uns tentavam se livrar da erva, jogando tudo pro alto, outros simplesmente se escondiam e se esforçavam pra conseguir aquela cara de "coelhinho inocente", mas a grande maioria estava desmaiada pelo chão.
Foi no meio do caos que surge Cohel, pra esclarecer tudo a todos:
-Calma, cidadãos Rabbitienses! Eu posso explicar tudo!
E assim Cohel contou sobre o ovo e sua descoberta.
-O que estamos esperando?! Vamos lá ver! - exclamou o chefe da boca.
Foram todos para perto do ovo, que já meio rachado, ameaçava abrir e revelar o seu interior.
É claro que todos estavam bêbados e devidamente chapados:
-É tão... tão... tão lindo... - uma coelhinha encantada, sem tirar os olhos o ovão.
-Realmente... tem uma delicada coloração azulada... - Coelho 1
-Azulada?? Larga de ser mané! Isso aí é rosada! - Coelho 2
-Claro que não... todo mundo sabe que os ovos são amarelados! - Coelho 3
-Cale a boca, Coelho 3! Você nem está vendo nada aí de trás! - Coelho 2
( discussão a respeito da cor do ovo se prolongou por mais aulgumas horas. Não cabe a mim descrever os detalhes, já que a net-novela é 24h e portanto, imprópria para vário horários).
O debate cessou quando finalmente o ovo se abriu e revelou a estranha criatura: o Filhote Casca!
Todos ficaram pasmados ao ver o intrigante animal que abria os olhos assustados ali na frente de todos.
Como os coelhos são animais muito teimosos e argumentativos, não chegou-se a uma conclusão da espécie o bicho. Uns diziam que era um tipo de galinha, outros afirmavam com veemência que era um tipo de anfíbio e os mais criativos defendiam a tese de que se tratava de uma fruta transgênica.
No final das contas, resolveram fumar logo um baseado e ir cada um para sua respectiva toca.
Coube ao casal Cohel e Coéla cuidar do filhote Casca, que sem nem conhecer seu verdadeiro nome, passou a se chamar Blimb.
FIM DO CAP II
Por conincidência do destino, nauquele exato momento, todos os outros coelhos decidiram que seria "da hora" ira pra dentro da caverna e continuar a festa lá dentro. Porque ninguém mais conseguia dançar, em virtude das bebidas com teor alcólico acima de 8. Resolveram que para fechar a noite com chave de ouro, nada melhor do que um poco de "erva" embalada ao som de Bob Marley.
Entraram então todos na caverna, batizada de "Hemp Cave". Estavam preparando os "aditivos naturais" quando um estalo encoôu do fundo da caverna.
suspense....
Kolhw, o coelho mais doidão, entrou em pânico:
-Po, mano! Eu falei que os cara ia fazer batida aqui hoje!! Já tão chegando com as escopeta! COOOOOOORRE MOÇADA!!! COOOORRE QUE OS "HOME"TÃO CHEGANDO!!!
E enquanto Kolhw surtava sem controle, o líder da comunidade resolveu intervir:
-Muita calma nessa hora, minha gente. A gente sabemos que cada um tem a sua hora e que muitas vezes a vida é injusta. Mas o fato é que cada um tem que cuidar de si mesmo e saber se proteger nas horas de perigo. COOOOOORRE TODO MUNDO, PQ A CASA VAI CAIR!!
Agora o desespero era geral. Enquanto uns tentavam se livrar da erva, jogando tudo pro alto, outros simplesmente se escondiam e se esforçavam pra conseguir aquela cara de "coelhinho inocente", mas a grande maioria estava desmaiada pelo chão.
Foi no meio do caos que surge Cohel, pra esclarecer tudo a todos:
-Calma, cidadãos Rabbitienses! Eu posso explicar tudo!
E assim Cohel contou sobre o ovo e sua descoberta.
-O que estamos esperando?! Vamos lá ver! - exclamou o chefe da boca.
Foram todos para perto do ovo, que já meio rachado, ameaçava abrir e revelar o seu interior.
É claro que todos estavam bêbados e devidamente chapados:
-É tão... tão... tão lindo... - uma coelhinha encantada, sem tirar os olhos o ovão.
-Realmente... tem uma delicada coloração azulada... - Coelho 1
-Azulada?? Larga de ser mané! Isso aí é rosada! - Coelho 2
-Claro que não... todo mundo sabe que os ovos são amarelados! - Coelho 3
-Cale a boca, Coelho 3! Você nem está vendo nada aí de trás! - Coelho 2
( discussão a respeito da cor do ovo se prolongou por mais aulgumas horas. Não cabe a mim descrever os detalhes, já que a net-novela é 24h e portanto, imprópria para vário horários).
O debate cessou quando finalmente o ovo se abriu e revelou a estranha criatura: o Filhote Casca!
Todos ficaram pasmados ao ver o intrigante animal que abria os olhos assustados ali na frente de todos.
Como os coelhos são animais muito teimosos e argumentativos, não chegou-se a uma conclusão da espécie o bicho. Uns diziam que era um tipo de galinha, outros afirmavam com veemência que era um tipo de anfíbio e os mais criativos defendiam a tese de que se tratava de uma fruta transgênica.
No final das contas, resolveram fumar logo um baseado e ir cada um para sua respectiva toca.
Coube ao casal Cohel e Coéla cuidar do filhote Casca, que sem nem conhecer seu verdadeiro nome, passou a se chamar Blimb.
FIM DO CAP II
25 de ago. de 2005
Cap I - "Como tudo começou..."
A família Casca era oq a típica familia feliz. Papai Casca era um dragão dedicado no trabalho, ganhava a vida saqueando vilarejos próximos. Ele havia se casado com Mamãe Casca e juntos construíram uma caverna confortável, onde podiam se amar e esperar a vinda do primeiro filho, o Filhote Casca.
Mamãe Casca cuidava da caverna com muito esmero, e se gabava por não ter que trabalhar fora. "Papai Casca consegue tudo oq precisamos, nunca nos faltou nada" dizia ela.E de fato, a família vivia sempre muito bem nutrida. Papai casca trazia todos os dias, quilos de chocolate, alimento ideal para dragões.
Até que um dia, uma desgraça aconteceu naquele lar.Papai Casca foi preso pelo Esquadrão Anti-sequestro, enquanto raptava alguns filhos de prefeitos. Passou 2 dias e 2 noites na penitenciária de São Paulo, onde foi estuprado e morto. Mamãe Casca, ao saber do acontecido, entrou em desespero. Não só pq havia perdido o amor da sua vida, mas tbm pq teria que ela mesma, procurar comida pra sustentar a si propria e ao pequeno ovo, que estava para rachar.
Olhou então aquele ovo... 70 cm de casca, quase 10 kg. Era realmente um ovo Casca, pensou ela. E juntou toda a sua coragem para lutar pela vida!
Saiu a procura de chocolate. Percorreu o céu, passando por rios e vales, até chegar a uma fábrica de chocolates, onde encontrou o Jonnhy Deep. Ela conheceu a fábrica toda e ficou encantada com tudo oq viu, inclusive os Umpa-lumpas. Se entreteu tanto, que esqueceu do seu ovo, que a essa hora, começava a rachar na caverna, sozinho...
Ou talvez não tão sozinho assim...
Depois que a Mamãe Casca partiu, muita coisa mudou naquela região. Uma comunidade de coelhos havia se mudado para as proximidades da caverna, onde estabeleceram a sede do Estado Coelho Maior.
Tudo ia muito bem. Os coelhos estavam se divertindo muito e se adaptaram tão bem ao local que decidiram desistir da vida nômade e viver ali para sempre. Raves e festas abertas aconteciam quase todas as noites, regadas ao bom vinho, Smirnof ice, shows de pirofagia e cenouras.
Foi durante uma dessas festas, que o ovo rachou e revelou o pequeno Filhote Casca. Quase ninguém percebeu, pois naquele momento o DJ estava tocando "Viva la vida loca", do Rick Martin, e a comunidade toda dançava alucinada. O filhote Casca nasceria sozinho, se não fosse por um casal de coelhos, que estava dentro da caverna, fazendo "coisas"...
Coéla e Cohel estavam a sós, como desejavam:
-Coéla, vc está linda essa noite.
-Ai, Cohel...
-Que tal vc me dar um beijinho, hein?
-não posso, Cohel
-pq não? estamos só nóis dois aqui...
-não é esse o problema
-então qual é?
-é que eu sou uma coelha... não tenho lábios.
-ah... é verdade... -desiludiu-se o pequeno coelhinho
Então os dois ouviram um estalo vindo de dentro da caverna.
-O que foi isso, Cohel??
-Eu não sei. Espere aqui, vou dar uma olhada.
E o corajoso coelho Cohel mergulhou na escuridão.30 segundo depois:
-Aaaaaaaaaah!!!!
-Cohel, cohel!! está tudo bem?? vou chamar ajuda!!
Coéla já se preparava para correr quando ouviu a doce voz do seu amado:
-Não Coéla, venha dar uma olhada! É magnífico!
Coéla estava desconfiada e com um pouco de medo, mas sua curiosidade a levou até o fundo da caverna, onde estava o pequeno Casca.
FIM DO CAP I
Mamãe Casca cuidava da caverna com muito esmero, e se gabava por não ter que trabalhar fora. "Papai Casca consegue tudo oq precisamos, nunca nos faltou nada" dizia ela.E de fato, a família vivia sempre muito bem nutrida. Papai casca trazia todos os dias, quilos de chocolate, alimento ideal para dragões.
Até que um dia, uma desgraça aconteceu naquele lar.Papai Casca foi preso pelo Esquadrão Anti-sequestro, enquanto raptava alguns filhos de prefeitos. Passou 2 dias e 2 noites na penitenciária de São Paulo, onde foi estuprado e morto. Mamãe Casca, ao saber do acontecido, entrou em desespero. Não só pq havia perdido o amor da sua vida, mas tbm pq teria que ela mesma, procurar comida pra sustentar a si propria e ao pequeno ovo, que estava para rachar.
Olhou então aquele ovo... 70 cm de casca, quase 10 kg. Era realmente um ovo Casca, pensou ela. E juntou toda a sua coragem para lutar pela vida!
Saiu a procura de chocolate. Percorreu o céu, passando por rios e vales, até chegar a uma fábrica de chocolates, onde encontrou o Jonnhy Deep. Ela conheceu a fábrica toda e ficou encantada com tudo oq viu, inclusive os Umpa-lumpas. Se entreteu tanto, que esqueceu do seu ovo, que a essa hora, começava a rachar na caverna, sozinho...
Ou talvez não tão sozinho assim...
Depois que a Mamãe Casca partiu, muita coisa mudou naquela região. Uma comunidade de coelhos havia se mudado para as proximidades da caverna, onde estabeleceram a sede do Estado Coelho Maior.
Tudo ia muito bem. Os coelhos estavam se divertindo muito e se adaptaram tão bem ao local que decidiram desistir da vida nômade e viver ali para sempre. Raves e festas abertas aconteciam quase todas as noites, regadas ao bom vinho, Smirnof ice, shows de pirofagia e cenouras.
Foi durante uma dessas festas, que o ovo rachou e revelou o pequeno Filhote Casca. Quase ninguém percebeu, pois naquele momento o DJ estava tocando "Viva la vida loca", do Rick Martin, e a comunidade toda dançava alucinada. O filhote Casca nasceria sozinho, se não fosse por um casal de coelhos, que estava dentro da caverna, fazendo "coisas"...
Coéla e Cohel estavam a sós, como desejavam:
-Coéla, vc está linda essa noite.
-Ai, Cohel...
-Que tal vc me dar um beijinho, hein?
-não posso, Cohel
-pq não? estamos só nóis dois aqui...
-não é esse o problema
-então qual é?
-é que eu sou uma coelha... não tenho lábios.
-ah... é verdade... -desiludiu-se o pequeno coelhinho
Então os dois ouviram um estalo vindo de dentro da caverna.
-O que foi isso, Cohel??
-Eu não sei. Espere aqui, vou dar uma olhada.
E o corajoso coelho Cohel mergulhou na escuridão.30 segundo depois:
-Aaaaaaaaaah!!!!
-Cohel, cohel!! está tudo bem?? vou chamar ajuda!!
Coéla já se preparava para correr quando ouviu a doce voz do seu amado:
-Não Coéla, venha dar uma olhada! É magnífico!
Coéla estava desconfiada e com um pouco de medo, mas sua curiosidade a levou até o fundo da caverna, onde estava o pequeno Casca.
FIM DO CAP I
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