15 de set. de 2005

Cap VII - No meio do caminho havia uma pedra (ou um dragão)

Ainda confuso pelos acontecimentos anteriores, Blimb andava pela estrada. Sem dúvida o dia anterior o deixara esgotado e ele não tivera tempo pra descansar. Enquanto refletia sobre tudo que aconteceu, esticava o dedão com a enorme garra na direção onde estava indo.
Já havia andado alguns quilômetros sem conseguir nenhuma carona, quando ouviu uma voz:
-Mamãe!! Mamãe!! Manhê!!! Ô mãe!!!
-Que que foi Jorjinho?
-Olha lá, mãe! Olha lá! Um corcunda andando na beira da estrada!!!
-São Crispin do Pururu! O que será isso??
-Vamos ver?? Vamos? Vamos???
-Tenha calma, Jorjinho. Vou pedir pro seu pai. Benhê, enconsta o carro pra nóis vê o que que se sucede.
Então o carro parou, alguns metros a frente de Blimb. Se tivesse energia, ele correria até o carro e agradeceria a carona de mil formas diferentes, mas estava tão cansado que só pôde se sentar, tornando-se uma figura mais bizarra ainda.
-Ih... ó lá mãe... parece que ele tá sentado. Posso chegar perto?? Posso, possso??
-Sussega, menino! Espere aqui que eu vou ver se está tudo bem.
Dona Karlota se aproximou de Blimb e com um pouco de medo na voz, disse:
- Está tudo bem com você? Para onde está indo?
Blimb queria dizer alguma coisa, mas apenas fez gestos. Depois do incidente na prisão, os humanos o deixavam intimidado. Respondeu positivamente palançando a cabeça e apontou com o dedão para frente. Havia passado o dia todo com a mão naquela posição e por mais que tentasse, ela não retornava a forma normal.
Dona Karlota abriu a boca para dizer mais alguma coisa mas foi interrompida:
-Mamãe!! Mãe! Manhê! Você já descobriu o que ele é?? hein? hein???
-Quieto Jorjinho! Ele parece estar meio doente... - virou-se novamente para Blimb- olha, se você quiser um lugar pra ficar essa noite, pode vir com a gente, é só entrar ali no carro e...
-É sério, mãe?? Podemos ficar com ele??? Podemos?? Que batuta!! Vou contar pra todo mundo! Aposto que ninguém tem um... um coisa de estimação!!!
-Jorjinho, não tire conclusões precipitadas.
-Hein?? O que é conclusão?? E o que é precipitadas?? hein? hein??
-Ah Jorjinho, pergunta pro seu pai.
O garoto correu em direção ao carro e deixou a mãe com Blimb, que reuniu todas as suas forças e levantou, revelando sua avantajada altura.
Diante daquilo, Dona Karlota se espantou tanto que quase pensou em desistir da proposta, mas Blim a olhou com um olhar tão meigo e agradecido, que ela nda disse.
Entraram todos no carro, uma D-20 verde.
-Mas o que você colocou aí atrás? Um dragão?? - perguntou Seu Jorje.
-Hum... um dragão... - murmurou dona Karlota e ficou pensando nas figuras de dragão que tinha visto nos livros de histórias. De fato, Blimb se parecia muito com um daqueles enormes dragões devoradores de gente, que aprisionavam princesas em castelos sombrios. Mas ao se lembrar do olhar do dragãozinho, ela não pôde acreditar que ele fizesse mal algum a alguém.
Jorjinho era o menos preocupado. Ficara tão empolgado com Blimb que já planejava mil coisas para fazerem juntos.
Na carroceria da camionete, Blimb não se importava com o dia seguinte, nem com os homens da COPE... ele dormia o sono dos justos, sonhando novamente com a Fantástica Fábrica de Chocolates.
Ao chegarem em casa, uma grande fazenda com um grande celeiro e uma grande casa, a família Fielder pensaram em despertar o sono do estranho ser. Mas acharam melhor deixá-lo dormir até de manhã. Excerto Jorjinho, que insistia que seria melhor pra todo mundo acordar Blimb e descobrir logo o que ele era.
-Jorjinho, você já aprontou muito hoje. Já quebrou o vidro da Dona Margarete, soltou os cachorros da carrocinha, ralou o joelho enquanto corria do seu Manuel da padaria, que por sinal ficou muito nervoso por você ter cantado a música Roda-roda-vira, do Mamonas Assassinas.
-HaHahahahahhaaha!! Meu filho fez isso??? Que barato!! E como foi, Jorijinho, o português pirou o cabeção? Ou melhor, pirou o barrigão?? Hahahahaha...
-Ah pai, nem foi tanto assim. Eu só cantei um pouquinho aquela parte: "O Manuel na cabeça tem titica, larga de porcaria e vai cuidar da padaria..." e eu juro que nem era pra provocar ele. E por que eu estava com aquela música na cabeça e...
-Já chega vocês dois!! Jorje, esse menino vai crescer um marginal se você continuar incentivando certas atitudes.... e Jorjinho, já ta na hora de você ir pra cama.
-Qué isso, amor... Não tô incentivando nada. Só achei engraçado, imagina a cara do seu Manuel...
E os três subiram rindo do pobre português.
No meio da noite, enquanto todos dormiam, Jorjinho se levantou e foi até a garagem, onde Blimb dormia na carroceria da camionete.
Ficou a olhar o estranho animal por alguns instantes e resolveu acordá-lo. Cutucou uma vez com um graveto. Blimb nem reagiu. Cutucou um pouco mais forte e Blimb se virou, revelando sua magestosa cara de dragão. O menino se assustou um pouco, nunca tinha visto nada igual, mas criou coragem e cutucou mais forte ainda, no olho do dragão.
-Ai!!! - despertou Blimb, se perguntando onde estava, o que tinha acontecido e por que diabos aquele menino de pijama estava cutucando seu olho com um graveto.
-Nooooooossa!!!
-Nossa o quê?? Quem é você?
-Meu nome é Jorje Junior Brega Fielder, eu sou seu novo dono.
-Meu novo oq??
-Dono. Nós achamos você na estrada e trouxemos você pra casa. Agora você é meu e vamos fazer tudo juntos!!
Blimb tenbtou raciocinar aquelas palavras, mas algo o distraiu. Brrrrrrownxxxxxxxxxx
-Escute, Jorge...
-Jorje não... esse é meu pai. Pode me chamar de Jorjinho.
-Tudo bem, Jorjinho... é o seguinte, eu estou com um pouco de fome, será que você não teria alguns chocolates aí pra ajudar a aliviar um pouco?
-Chocolate?
-É... você tem?
-Mas o que é chocolate??
Blimb quase abriu a boca de espanto.
-Você não sabe o que é chocolate??
-Eu não. Algum problema?
-Eu nunca vi ninguém que não conhecesse chocolate.
-E dai, eu nunca vi nada como você.
Então os dois perceberam que teriam que aprender a conviver com suas diferenças.
-Então... se você não come chocolate, o que te alimenta por aqui?
-Ah... aqui tem de tudo. Nós comemos alface, cenoura, nabo...
Blim então se lembrou de sua mãe coelha:
-Você fala como a minha mãe.
-Mãe? Você tem mãe?
-É claro que eu tenho mãe! Ela mora com meu pai e meus irmãos numa comunidade de coelhos muito distante e...
-Coelhos?? Você não me parece um coelho.
-É... eu sei.
-Então o que você é exatamente?
-Pois é, estou viajando para encontrar minha verdadeira identidade. Por que a vida toda eu vivi como um coelho... - Então Blimb contou toda a sua história, até então.
Quando terminou, estava quase amanhecendo e os dois adormeceram na carroceria.
Dona Karlota encontrou-os quando estava indo buscar laranjas no quintal.
-Mas o que você está fazendo aí, Jorjinho?!!!
Como todas as mães, Karlota tinha uma voz estridente de alcance incalculável quando estava nervosa. Jorjinho despertou assustado e Blimb também.
-Ora essa! Era só o que me faltava! Agora você deu pra dormir fora de casa?? Vou já falar com seu pai...
-Calma mãe. Eu vim aqui por um bom motivo. tinha que descobrir alguma coisa sobre o Blimb.
-Que Blimb??
-É o coisa que a gente encontrou na estrada, lembra?
-Ah, sim. Mas isso não justifica, você não podia ter saido assim!
-Mãe, escuta só a história do Blimb...
E então JOrjinho contou toda a história, fazendo trama em todas as partes possíveis e acrescentando efeitos sonoros para dar mais vivacidade.
No final, dona Karlota estava emocionada e enxugava as lágrimas com um lencinho escrito "Doce vida no Campo".
-Puxa vida... Acho que é a história mais bonita que eu já ouvi por aqui, podia até virar livro ou novela...
-Pois é dona Karlota, mas eu espero que essa minha história tenha um final feliz. Quero muito descobrir quem eu sou de verdade.
Então dona Karlota parou de chorar e teve ume stalo mental, se lembrou dos livros com as gravuras de dragão.
-Espere aí, Blimb! Eu acho que tenho um palpite sobre você!
Correu para dentro de casa e trouxe um livro grande. Abriu na página do desenho e mostrou-o a Blimb.
-Puxa vida!! É bem parecido comigo!! O que é?
-É um dragão medieval.
-Um dragão?
-É. Aqui diz que eles voam e soltam fogo pelo nariz.
-Aaah!! É isso, mesmo! Eu solto fogo as vezes, é involuntário, sabe. Mas ainda não consigo voar não.
-É que você ainda é jovem, esse dragão aqui do livro já é adulto.
Então conversaram mais sobre essas coisas da vida e de repente: Brrrrrrrrrooowwwww
O estomago de Blimb precisava urgentemente de comida.
-Ei, dona Karlota... você não teria aí nenhum chocolatezinho?
-Chocolate é difícil... eu mesma só comi uma vez, quando trouxeram da cidade e isso faz muitos anos, sabe. nem lembro mais o gosto. Mas se você quiser, aqui tem cacau, que é a fruta que faz o chocolate.
-Então eu aceito.
Blimb comeu todos os cacaus possíveis e depois decidiu que era hora de partir. Agradece a todos pela hospitalidade.
Jorjinho ficou meio decepcionada, por ter que se desfazer do seu animal de estimação exótico, mas naquela mesma tarde, ele ganhou um filhote de tatu e ficou tudo bem.

Fim do CAP VII

Um comentário:

Anônimo disse...

agora ta funcionando... comentae!!

Kika