7 de out. de 2007

Conto de Fatos

Em homenagem ao Dia das Crianças, a ser celebrado na próxima sexta, farei aqui uma série infantil. Ao longo da semana, apresentarei os personagens e parte da história, o final será publicado no próximo dia 12. Ou quando eu quiser, porque quem manda aqui sou eu:


"Essa é a história do menino Joãozinho, um garoto comum que viu sua vida ser transformada em um único dia.
A mãe de Joãozinho era uma legítima dona de casa: lavava, passava, fazia compras, limpava a casa, cuidava dos filhos, e, não se sabe como, ainda assistia novela e dispunha de tempo para investigar a vizinhança. Por apresentar habilidades comunicativas muito peculiares, era mais conhecida como dona Comentário. Uma alusão maldosa ao nome da senhora Rosário.
Com tantas tarefas a serem cumpridas, dona Rosário nem sempre se atentava a datas comemorativas. Não era pra menos, lembrar de todos os aniversários da família já era um grande sacrifício: Eram em sete no total.
Parir cinco filhos era motivo de orgulho para ela. E motivo de críticas para os vizinhos. Com tamanha prole, não era raro que por vezes faltasse um copo de leite, um punhado de açúcar ou sal. Ou tudo isso ao mesmo tempo. Essencialmente comunicativa e funcional, a simpática senhora não esitava em recorrer às vizinhas para resolver seus imprevistos domésticos. Na maioria das vezes, era o menino Joãozinho que recebia a missão de ir até a casa ao lado emprestar algum gênero alimentício.
Ele sentia-se profundamente angustiado ao tocar a campainha, e ainda mais angustiado ao esperar a resposta. Apesar de os vizinhos nunca negarem nenhum pedido, Joãozinho sabia o que pensavam a respeito da família Sousa Lima. "Uns aproveitadores, isso sim", ele ouvira uma vizinha dizer certa vez. Enfim, mesmo inconscientemente, dona Rosário colocava Joãozinho em situações contrangedoras.
O pai de Joãozinho era um homem calado e recluso. Saí cedo para trabalhar na firma e só voltava depois que Joãozinho estava dormindo. Por isso, o menino não tinha um relacionamento propriamente dito com o seu progenitor. O que mais os aproximava era o nome em comum: João. Ainda assim, o pai fez questão de acrescentar o sufixo 'inho', para manter claras as diferenças entre um e outro. A lembrança mais paternal que seu João teve com Joãozinho foi no dia do sexto aniversário do menino, quando a família se reuniu para ir ao cinema. É claro que o filme escolhido foi um clássico infantil, que embalou a imaginação do rebento, mas fez seu João adormecer profundamente. O problema é que o chefe da família sofria do triste mal da apnéia, e seu ronco não só provocou reações aversivas do restante do público, como também levou a família a deixar o cinema antes do desfecho do drama. Esse fato traumatizou o pequeno Joãozinho, que por muitos anos teve que coviver com a dúvida de como termina O Rei Leão. Joãozinho tinha três irmãos e duas irmãs. A primogênita, Clara, morava sozinha desde que arranjara o primeiro emprego, há alguns meses. Desde que tinha doze anos, Clara reclamava da falta de privacidade na pequena casa. Agora ela dividia uma kit net com mais duas amigas, mas visitava os pais sempre que possível, ou quando brigava com as companheiras de quarto. O engraçado é que ela saiu de casa para poder ter mais liberdade, independência, ou pelo menos alguns momentos de paz na frente do espelho do banheiro. Mas a kit net alugada era tão, ou mais, apertada do que a casa Souza Lima. Mesmo assim, Clara não parecia mostrar arrependimento algum, e se vangloriava por já ser 'adulta', no auge dos seus 21 anos.

O segundo filho do casal, se chamava Pedro. Joãozinho sempre se perguntou por que não foi ele a levar o nome do pai. Tentou descobrir por todos os meios lícitos, mas só encontrou a resposta com o seu José da padaria. Segundo o padeiro, seu João, pai de Joãozinho apostara com um sujeito chamado Pedro que o Corinthians não cairia para a segunda divisão. Pra encurtar a história, João perdeu a aposta e o filho teve que carregar o nome do time adversário. Teoricamente, a criança teria que se chamar Palmeiras, mas houve resistência por parte do escrivão do cartório de registro. Assim, definiu-se que o menino se chamaria Pedro. O garoto estava com 16 anos e nunca soube da história. Sete anos o separava do terceiro filho, o Joãozinho. Logo que nasceu, recebeu o título de 'caçula oficial'. Seu João pretendia inaugurar a fase estéril da vida, pois ao colocar três crianças no mundo, ele cumprira a sua tarefa de aumentar a população mundial. A vasectomia foi agendada. Porém, empolgado com os artifícios contraceptivos da medicina moderna, seu João esqueceu-se do aviso do médico de que ainda haveria risco de gravidez por algumas semanas. E assim vieram ao mundo Bianca e Beatriz, gêmeas idênticas. Como todo filho não progamado, as gêmeas não enfrentaram a euforia familiar após o nascimento. É claro que nunca faltou nada para elas, muito pelo contrário, fizeram muito bom uso de todos os vestígios de enxovais que já haviam sido usados naquela casa. Receberam o título de caçulas oficiais, deixando Joãozinho com a problemática situação de 'filho do meio'. Mas como a diferença entre Joãozinho e as caçulinhas era de apenas dois anos, não houveram grandes traumas.

Além da família tradicional, Joãozinho contava com a presença de seus primos Raul e Ricardo, que tinham quase a mesma idade e o visitavam com frequência. Os três eram garotos comuns, mas quando se juntavam, elevavam o grau de criatividade destrutiva.

Para felicidade de Joãozinho e desespero contido de dona Rosário, Raul e Ricardo passariam o feriado do dia 12 de Outubro com os tios. Tal notícia despertou em Joãozinho a certeza de que o Dia das Crianças seria realmente inesquecível..."

continua no próximo capítulo

posted by: Kika Dalossi, que começa, desenvolve, mas nem sempre termina.

nota da autora: Aceito sugestões, comentários e relatos verídicos que envolvam crianças e acontecimentos curiosos. Podem conter cenas de nudez, drogas e violência, mas só dentro do limite permitido pela equipe de Moral e Censura do Mesa de Boteco. No caso, eu mesma. ^^

nota da autora 2: Visitem o Blog do Dr. Ricardão (link logo abaixo). Além de poder se solidariezar com os problemas alheios, ou pelo menos descobrir que no mundo existem pessoas tão, ou mais, estranhas que você, o Blod do Dr. Ricardão dispõe de resposta para todas as suas dúvidas sexuais. Enfim, sabe aquilo que você sempre quis perguntar mas sempre teve vergonha? Então.

3 comentários:

Anônimo disse...

hahahaha me diverti muito com o texto e me vi nele, principalmente na parte do aumento da criatividade destrutiva, quando eu e meus primos passavamos tardes inteiras criando armadilhas para inimigo imaginários e inexistentes. Acabavam virando vítimas nossos pais, avós e tios.

E essa frase "Joãozinho tinha três irmãos e duas irmãs"? tá certa a conta? hahaha

Beeeijos do fan já curioso Doutor =)

Le* disse...

tirando os outros 5 irmãos a parte do rei leão é verídica....

Bob disse...

joãozinho tinha um amigo imaginário bêbado chamado bob?
ahuahuuahuahuahua